A Mangueira ganhou um encontro especial de grandes vozes da música brasileira na preparação para o Carnaval 2027. Alcione, Daniela Mercury, Leci Brandão e Maria Bethânia se reuniram em um estúdio no Rio de Janeiro para gravar, ao lado do intérprete oficial Dowglas Diniz, o samba-enredo “Oyá por nós”, que será levado pela Estação Primeira de Mangueira à Marquês de Sapucaí no próximo desfile.

A gravação reúne quatro artistas com trajetórias marcadas pela força da música popular brasileira e por diferentes vínculos com a cultura do samba, do carnaval e das tradições afro-brasileiras. O resultado também representa um encontro de gerações e de histórias que, de diferentes maneiras, se cruzam com a trajetória da escola verde e rosa.

O samba “Oyá por nós” foi escolhido pela Mangueira em setembro e é assinado por Lequinho, Júnior Fionda, Gabriel Machado, Guilherme Sá, Rodrigo Bandolim e Orlando Ambrósio. A composição será a trilha sonora de um desfile que terá como personagem central Oyá, também conhecida como Iansã, orixá associado aos ventos, às tempestades, à transformação e à força feminina.

Um encontro de grandes nomes da música brasileira

A presença de Alcione, Leci Brandão e Maria Bethânia na gravação não acontece por acaso. As três artistas possuem relações históricas com a Mangueira e fazem parte de uma memória afetiva construída ao longo de décadas entre a escola e a música brasileira.

Alcione, uma das vozes mais conhecidas do samba e da música popular brasileira, tem uma ligação profunda com a agremiação carioca. Leci Brandão, por sua vez, construiu uma trajetória diretamente associada ao samba, tendo participado ativamente da história da Mangueira e sendo reconhecida como uma das grandes representantes do gênero.

Maria Bethânia também ocupa um lugar especial nessa relação. A cantora foi homenageada pela Mangueira no Carnaval de 2016, quando a escola apresentou o enredo “Maria Bethânia: a Menina dos Olhos de Oyá”. Naquele ano, a agremiação conquistou o título do Carnaval carioca, estabelecendo uma conexão ainda mais forte entre a artista, a escola e a simbologia de Oyá.

A presença de Daniela Mercury acrescenta outra dimensão ao encontro. A cantora baiana foi uma das figuras diretamente envolvidas na trajetória do samba “Oyá por nós”. A música tem o mesmo título de uma composição de Daniela Mercury em parceria com Margareth Menezes, lançada originalmente no álbum “Canibália”, de 2009.

Essa relação ajudou a aproximar a cantora da disputa pelo samba-enredo da Mangueira. Em setembro, Daniela participou da apresentação da composição na quadra da escola e o samba acabou escolhido para representar a agremiação no Carnaval de 2027.

Daniela Mercury já havia defendido o samba na disputa

Antes da gravação oficial, Daniela Mercury já havia emprestado sua voz à composição durante a disputa interna da Mangueira para escolha do samba-enredo. A apresentação aconteceu na quadra da escola e ganhou destaque entre os integrantes e torcedores da agremiação.

A composição venceu a disputa realizada em setembro e passou a ser oficialmente o samba que acompanhará o desfile da verde e rosa em 2027. Na ocasião, Daniela comemorou a escolha e destacou a emoção de participar daquele momento da história da escola.

Com a vitória, a cantora passou a integrar de maneira ainda mais direta a preparação do Carnaval mangueirense. Agora, ao lado de Alcione, Leci Brandão e Maria Bethânia, ela participa da gravação que será incorporada ao projeto oficial do Carnaval do Rio.

“Oyá por nós” e a força de Iansã

O enredo da Mangueira para 2027 foi anunciado pela escola ainda em março. Com o título “Oyá por nós”, a agremiação decidiu colocar no centro de seu desfile a figura de Oyá, conhecida também como Iansã, uma das divindades cultuadas nas religiões de matriz africana.

Segundo a própria Mangueira, o enredo abordará a ancestralidade afro-religiosa e a força de Oyá, associada aos ventos, às tempestades e às transformações. A narrativa também pretende destacar aspectos relacionados à coragem, à liberdade, à reinvenção e à potência feminina.

A escolha do tema representa um momento significativo para a escola. De acordo com informações divulgadas durante a definição do samba, será a primeira vez que a Mangueira apresentará um enredo integralmente dedicado a um orixá.

O desenvolvimento do desfile ficará sob responsabilidade do carnavalesco Sidnei França, em parceria com os enredistas Felipe Tinoco e Sthefanye Paz. A proposta pretende transformar a simbologia de Oyá em uma narrativa visual e musical para a Avenida.

Uma homenagem que atravessa gerações

Mais do que uma gravação musical, o encontro de Alcione, Daniela Mercury, Leci Brandão e Maria Bethânia reúne diferentes capítulos da cultura brasileira em uma mesma produção.

Cada uma das artistas carrega uma identidade própria. Alcione representa uma das vozes mais marcantes do samba; Leci Brandão possui uma trajetória diretamente ligada à tradição das escolas de samba; Maria Bethânia mantém uma relação histórica com a Mangueira e com a representação de Oyá; enquanto Daniela Mercury traz a força do axé e da música baiana para a composição.

A união dessas trajetórias reforça justamente uma característica do Carnaval: a capacidade de aproximar manifestações culturais diferentes e transformá-las em uma experiência coletiva.

No caso da Mangueira, essa conexão ganha ainda mais significado porque a escola construiu parte importante de sua identidade a partir do diálogo com artistas, compositores, sambistas e personagens fundamentais da cultura brasileira.

Samba será lançado em álbum do Carnaval do Rio

A gravação feita por Dowglas Diniz com a participação das quatro cantoras fará parte do álbum “Rio Carnaval”, projeto que reunirá os sambas-enredo das 12 escolas do Grupo Especial do Rio de Janeiro.

O lançamento do álbum está previsto para o último trimestre de 2026, antecipando a preparação para os desfiles do Carnaval de 2027. A produção deve colocar os sambas das agremiações à disposição do público antes da chegada das escolas à Marquês de Sapucaí.

A Mangueira será a quarta escola a desfilar na noite de terça-feira, 9 de fevereiro de 2027, encerrando a programação do Grupo Especial naquela noite. A ordem dos desfiles foi definida anteriormente pela Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa).

A expectativa é que “Oyá por nós” ganhe cada vez mais espaço nos ensaios, nas apresentações da escola e na preparação dos componentes para o desfile.

A força da música antes da avenida

O Carnaval começa muito antes dos dias oficiais de desfile. Para uma escola de samba, a escolha do enredo e do samba-enredo representa o início de um processo que envolve compositores, intérpretes, ritmistas, carnavalescos, artistas, componentes e toda a comunidade.

No caso da Mangueira, “Oyá por nós” chega à preparação para 2027 acompanhado por uma história que já envolve grandes nomes da música brasileira.

A gravação de Alcione, Daniela Mercury, Leci Brandão e Maria Bethânia transforma esse momento em um registro especial da cultura musical brasileira. São artistas de diferentes gerações e trajetórias, reunidas em torno de uma mesma composição e de uma escola que possui quase um século de história.

Fundada em 1928, a Estação Primeira de Mangueira é uma das agremiações mais tradicionais do Carnaval brasileiro. Em 2027, a verde e rosa levará à Avenida uma narrativa dedicada a Oyá, apostando na força da ancestralidade, da transformação e da cultura afro-brasileira.

Antes mesmo de os carros alegóricos, fantasias e alas tomarem conta da Marquês de Sapucaí, a música já começa a construir o caminho para o desfile.

E, desta vez, esse caminho será marcado por quatro vozes que ajudaram a escrever diferentes capítulos da música brasileira: Alcione, Daniela Mercury, Leci Brandão e Maria Bethânia. Juntas, elas dão ainda mais dimensão a “Oyá por nós”, samba que será uma das peças centrais da Mangueira no Carnaval de 2027.