A Paraíba registrou um aumento de 16,37% nos casos prováveis de dengue entre janeiro e outubro de 2026, em comparação com o mesmo período do ano passado. O levantamento foi divulgado nesta terça-feira (13) pela Secretaria de Estado da Saúde da Paraíba (SES-PB) e também confirmou 14 mortes relacionadas à doença ao longo do ano. Os números reforçam a necessidade de atenção da população, especialmente nas regiões com maior incidência de casos.
De acordo com o boletim epidemiológico, o estado contabilizou 7.218 casos prováveis de dengue no período analisado, enquanto, no mesmo intervalo de 2025, haviam sido registrados 6.202 casos. O crescimento representa um avanço significativo da doença e mantém o alerta para a circulação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, da chikungunya e da zika.
Além dos casos registrados, seis mortes suspeitas continuam sob investigação pelas autoridades sanitárias. A apuração é necessária para verificar se os óbitos estão efetivamente relacionados à dengue e esclarecer as circunstâncias de cada ocorrência.
O cenário epidemiológico exige atenção permanente dos órgãos de saúde e participação ativa da população. Medidas simples, como eliminar recipientes com água parada, limpar caixas-d’água e manter quintais livres de possíveis criadouros, continuam sendo fundamentais para reduzir a proliferação do mosquito.
Municípios concentram registros de mortes
Segundo os dados divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde, as 14 mortes confirmadas por dengue estão distribuídas por diferentes municípios paraibanos. São Bento concentra o maior número de registros, com quatro óbitos confirmados.
Campina Grande contabilizou duas mortes. Já Alagoa Nova, Bayeux, Brejo do Cruz, Camalaú, Guarabira, João Pessoa, Monteiro e Sumé registraram um óbito cada.
A distribuição dos casos fatais demonstra que a doença representa um problema de saúde pública em diferentes regiões do estado, exigindo vigilância epidemiológica e assistência médica adequada.
A SES-PB também informou que seis mortes permanecem em investigação. Três ocorrências são apuradas em João Pessoa, enquanto Campina Grande, Mamanguape e Sapé registram um caso suspeito cada.
A confirmação de um óbito por dengue depende da análise dos dados clínicos, laboratoriais e epidemiológicos. Por isso, os registros ainda em investigação não devem ser considerados mortes confirmadas pela doença.
As autoridades de saúde acompanham a evolução dos indicadores para identificar possíveis mudanças no comportamento das arboviroses e orientar as medidas de prevenção e assistência à população.
Dengue representa a maioria dos casos de arboviroses
O boletim epidemiológico aponta que a Paraíba registrou 7.436 casos prováveis de arboviroses entre janeiro e outubro de 2026. O total reúne notificações de dengue, chikungunya e zika.
Desse conjunto, os casos prováveis de dengue representam 97,05% das ocorrências notificadas, evidenciando a predominância da doença entre as arboviroses monitoradas no estado.
Apesar do crescimento da dengue, a chikungunya apresentou uma redução expressiva na comparação com o mesmo período do ano passado. Os registros passaram de 507 para 214 casos, uma queda de 57,79%.
O resultado indica uma diminuição das notificações da doença, mas não elimina a necessidade de prevenção. A chikungunya também é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti e pode provocar dores articulares intensas, com sintomas que, em alguns pacientes, persistem por meses.
Em relação à zika, foram contabilizados cinco registros em 2026 até o período analisado. O boletim também informa que não houve notificações de febre do Oropouche na Paraíba durante o intervalo considerado.
Embora os indicadores apresentem comportamentos diferentes entre as doenças, a vigilância continua sendo essencial. A presença do mosquito transmissor e as condições ambientais favoráveis à sua reprodução podem contribuir para a manutenção da circulação de diferentes vírus.
Vigilância reforça a importância da prevenção
A técnica responsável pela Vigilância das Arboviroses da SES-PB, Carla Jaciara, destacou que o aumento dos casos prováveis de dengue exige atenção contínua, principalmente nas regiões que apresentam maior incidência da doença.
A identificação dos casos e a participação da população são medidas importantes para reduzir os riscos de transmissão. O reconhecimento dos sintomas, a procura por atendimento de saúde e a eliminação dos criadouros do mosquito ajudam a diminuir os impactos das arboviroses.
O combate ao Aedes aegypti depende de ações conjuntas entre o poder público e os moradores. Agentes de saúde e de combate às endemias desempenham papel importante na identificação de focos, na orientação das famílias e no monitoramento das áreas consideradas prioritárias.
No ambiente doméstico, a recomendação é verificar regularmente os locais que podem acumular água. Pratos de plantas, garrafas, pneus, calhas, caixas-d’água destampadas, baldes e recipientes descartados de maneira inadequada podem se transformar em criadouros.
A limpeza desses espaços deve fazer parte da rotina, inclusive durante períodos sem chuva. Pequenas quantidades de água acumulada podem favorecer a reprodução do mosquito, tornando necessária uma inspeção frequente das residências e dos terrenos.
Quais são os principais sintomas da dengue?
A dengue pode provocar diferentes manifestações clínicas, desde sintomas leves até quadros que exigem atendimento hospitalar. Entre os sinais mais comuns estão febre alta, dores musculares e articulares, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, náuseas, vômitos, manchas avermelhadas na pele, fadiga e fraqueza.
Ao apresentar sintomas compatíveis com a doença, a pessoa deve procurar uma unidade de saúde para avaliação. A automedicação deve ser evitada, principalmente porque alguns medicamentos podem aumentar o risco de sangramento em pacientes com suspeita de dengue.
Também é importante observar sinais de alarme, como dor abdominal intensa e persistente, vômitos repetidos, sangramentos, tontura, desmaio, sonolência excessiva ou dificuldade para respirar. Nessas situações, a orientação é buscar atendimento médico imediatamente.
A hidratação adequada é importante durante a doença, mas não substitui a avaliação profissional. O acompanhamento médico ajuda a identificar possíveis complicações e orientar o tratamento conforme a condição clínica de cada paciente.
Chikungunya e zika também exigem cuidados
A chikungunya costuma provocar febre alta, dores musculares e dores intensas nas articulações, frequentemente acompanhadas de inchaço. Manchas vermelhas na pele, dor de cabeça, fadiga e cansaço também podem aparecer.
Em alguns casos, as dores articulares permanecem por um período prolongado e interferem nas atividades diárias. Por isso, a avaliação médica é importante para orientar os cuidados necessários e acompanhar a evolução dos sintomas.
Já a zika geralmente apresenta manifestações mais leves, podendo causar febre baixa ou até ausência de febre, manchas vermelhas na pele, coceira, conjuntivite sem secreção purulenta, dores leves nas articulações, dor de cabeça, náuseas e vômitos.
Apesar de muitas vezes apresentar sintomas leves, a zika exige atenção especial durante a gestação, devido ao risco de complicações para o desenvolvimento do bebê. Gestantes com suspeita de infecção devem procurar acompanhamento de saúde.
Como dengue, chikungunya e zika podem apresentar sintomas semelhantes, não é recomendado tentar identificar a doença apenas pelos sinais apresentados. A avaliação profissional permite definir a conduta mais adequada.
Alerta para a população paraibana
O aumento de 16,37% nos casos prováveis de dengue e a confirmação de 14 mortes em 2026 reforçam a importância de manter as medidas preventivas em todo o território paraibano.
A redução dos registros de chikungunya é um dado positivo, mas a predominância da dengue entre as arboviroses notificadas demonstra que o combate ao mosquito continua sendo uma prioridade para a saúde pública.
A população deve permanecer atenta aos sintomas, buscar atendimento diante de sinais suspeitos e evitar a automedicação. Ao mesmo tempo, a eliminação de água parada e a colaboração com as equipes de vigilância são atitudes essenciais para reduzir a transmissão.
O acompanhamento dos casos e das mortes em investigação permitirá às autoridades compreender melhor a evolução do cenário epidemiológico. Enquanto isso, a prevenção cotidiana continua sendo uma das principais ferramentas para proteger as famílias e diminuir o impacto da dengue na Paraíba.














