As exportações brasileiras para a União Europeia cresceram 30% entre maio e setembro de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo afirmou nesta terça-feira (13) o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa. De acordo com o ministro, o resultado está relacionado ao início da aplicação provisória do acordo comercial entre o Mercosul e o bloco europeu, que começou a valer em 1º de maio.
A declaração foi feita durante um evento no Ministério da Agricultura e Pecuária, em Brasília, que marcou o anúncio da abertura de 700 mercados internacionais para produtos agropecuários brasileiros desde 2023. A cerimônia reuniu representantes do governo federal e destacou a ampliação das oportunidades comerciais para o Brasil em diferentes países.
Segundo Elias Rosa, o comércio exterior brasileiro apresenta resultados positivos em diferentes destinos, e o acordo com a União Europeia representa uma oportunidade para ampliar a presença nacional em um dos mercados mais relevantes do mundo.
“Só o acordo Mercosul e União Europeia, de maio até agora, significou uma expansão de 30% das nossas exportações”, afirmou o ministro, referindo-se às vendas brasileiras para o mercado europeu no período.
Os números divulgados reforçam a importância do tratado para o comércio internacional brasileiro. Entretanto, o crescimento registrado desde maio não significa que todos os setores tenham apresentado a mesma evolução, uma vez que os resultados variam conforme o produto, a demanda e as condições de acesso a cada mercado.
Comércio bilateral registra crescimento
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, também destacou os resultados comerciais observados após o início da aplicação provisória do acordo. Segundo ele, o comércio bilateral entre os países do Mercosul e da União Europeia cresceu mais de US$ 6 bilhões desde maio.
Vieira afirmou que o resultado indica perspectivas favoráveis para a relação econômica entre os dois blocos nos próximos anos.
O acordo busca facilitar o intercâmbio de mercadorias, reduzir barreiras comerciais e ampliar o acesso de empresas sul-americanas e europeias aos respectivos mercados. A expectativa é que a redução gradual das tarifas ajude a estimular negócios, diversificar exportações e criar novas oportunidades para produtores e indústrias.
Em dados divulgados sobre o comércio brasileiro com a União Europeia, as exportações nacionais para o bloco também apresentaram crescimento expressivo no acumulado do ano. Entre janeiro e setembro de 2026, as vendas brasileiras alcançaram aproximadamente US$ 44,17 bilhões, alta de cerca de 20% em relação ao mesmo período de 2025. Os números foram divulgados em reportagem publicada nesta terça-feira pelo jornal Folha de S.Paulo. (Folha de S.Paulo)
O desempenho demonstra que a relação comercial entre Brasil e Europa continua relevante para a economia nacional. Ao mesmo tempo, a análise dos resultados exige considerar as diferenças entre o crescimento observado em determinados meses e o comportamento das exportações ao longo de todo o ano.
Acordo começou a valer provisoriamente em maio
O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia começou a ser aplicado provisoriamente em 1º de maio de 2026, após um processo de negociações que se estendeu por aproximadamente 27 anos.
O tratado estabelece as bases para a criação de uma ampla zona de livre comércio entre os dois blocos, com compromissos de redução ou eliminação gradual de tarifas de importação para diversos produtos. A aplicação provisória permite que determinadas regras comerciais comecem a produzir efeitos enquanto seguem os procedimentos institucionais previstos para a implementação integral do acordo.
A parceria reúne países sul-americanos e europeus em uma relação econômica de grande alcance, com potencial para ampliar o acesso a mercados consumidores, estimular investimentos e fortalecer as cadeias produtivas.
De acordo com informações oficiais do governo federal, o acordo contempla regras específicas para a redução tarifária, a comprovação da origem das mercadorias e a utilização de preferências comerciais. Isso significa que os benefícios não são automáticos para todos os produtos: cada mercadoria precisa atender às condições estabelecidas no tratado. (Siscomex)
Agronegócio brasileiro pode ampliar presença na Europa
Um dos setores que podem se beneficiar das novas condições comerciais é o agronegócio. O Brasil possui participação importante no fornecimento internacional de alimentos, bebidas, matérias-primas agrícolas e outros produtos relacionados à produção rural.
Com a redução de tarifas prevista no acordo, parte dos produtos brasileiros poderá chegar ao mercado europeu em condições comerciais mais favoráveis. A mudança pode contribuir para ampliar a competitividade dos exportadores e facilitar a entrada em novos segmentos de consumo.
O tratado prevê a eliminação de tarifas europeias para uma parcela significativa dos produtos agropecuários provenientes do Mercosul, enquanto outros itens terão redução gradual dos impostos, conforme cronogramas específicos.
Entre os produtos contemplados por condições tarifárias diferenciadas estão frutas, sucos, pescados, crustáceos, óleos vegetais e café processado. Outros produtos, como carnes bovina, suína e de frango, estão sujeitos a regras específicas, incluindo limites quantitativos e cotas para determinadas condições de acesso.
Essas diferenças são importantes porque o acordo não elimina todas as barreiras comerciais de maneira imediata. Produtos considerados sensíveis para a produção europeia podem seguir regras próprias, com períodos de adaptação e limites para a entrada em determinadas condições tarifárias.
Para os exportadores brasileiros, aproveitar as oportunidades também exige atender às exigências sanitárias, ambientais, técnicas e de rastreabilidade estabelecidas pelo mercado europeu.
Governo destaca abertura de 700 mercados internacionais
Durante o evento desta terça-feira, o governo federal destacou a abertura de 700 mercados para produtos agropecuários brasileiros desde 2023. A iniciativa integra os esforços para ampliar os destinos das exportações e reduzir a dependência de um número limitado de compradores internacionais.
A diversificação dos mercados pode ajudar empresas brasileiras a encontrar novos consumidores, ampliar a comercialização e reduzir a exposição a dificuldades econômicas ou restrições impostas por determinados países.
Segundo Márcio Elias Rosa, o crescimento do comércio exterior depende tanto dos investimentos realizados pelas empresas quanto da atuação do governo na negociação de condições de acesso a outros mercados.
A abertura de oportunidades comerciais, por si só, não garante aumento imediato das vendas. Para transformar essas possibilidades em contratos efetivos, os produtores precisam avaliar custos, logística, padrões de qualidade, exigências legais e capacidade de atender à demanda.
Mesmo assim, a ampliação dos destinos comerciais é considerada uma ferramenta importante para fortalecer a presença internacional de produtos brasileiros e criar alternativas para diferentes setores da economia.
Cenário internacional exige negociação
Apesar dos resultados positivos destacados pelo governo, o ambiente internacional continua apresentando desafios para os exportadores. Entre os obstáculos estão barreiras tarifárias, exigências regulatórias, disputas comerciais e mudanças nas condições de acesso a mercados estratégicos.
Elias Rosa afirmou que o Brasil continuará buscando diálogo e negociação com os Estados Unidos, em meio às dificuldades relacionadas às barreiras comerciais.
A estratégia de ampliar parcerias com diferentes regiões é relevante nesse contexto, pois permite ao país diversificar suas relações econômicas e buscar oportunidades para empresas de vários portes.
No entanto, o comércio internacional também depende de fatores externos, como o comportamento da economia mundial, a demanda dos consumidores, os custos de transporte e as variações cambiais. Esses elementos podem influenciar os resultados mesmo quando existem condições tarifárias mais favoráveis.
Perspectivas para o comércio brasileiro
O crescimento de 30% nas exportações para a União Europeia desde maio, anunciado pelo ministro, coloca o acordo Mercosul-UE em destaque na agenda econômica brasileira. Os números apresentados indicam uma expansão das vendas ao bloco europeu, enquanto o aumento do comércio bilateral aponta para o fortalecimento das relações entre os parceiros.
A continuidade desse movimento dependerá da capacidade das empresas de aproveitar as condições previstas no tratado, atender às exigências de cada mercado e manter competitividade diante de fornecedores de outras regiões.
Para o Brasil, o desafio será transformar a abertura comercial em oportunidades duradouras de produção, emprego, investimento e geração de renda. Isso envolve não apenas ampliar o volume exportado, mas também diversificar os produtos vendidos, agregar valor à produção e melhorar a infraestrutura necessária para atender aos compradores internacionais.
O acordo comercial representa uma nova etapa nas relações entre Mercosul e União Europeia. Os resultados divulgados até agora são um indicador inicial de seu impacto, mas a evolução dos próximos meses será fundamental para avaliar a dimensão dos benefícios e os setores que conseguirão aproveitar melhor as novas condições de comércio.















