A disputa pelo Palácio do Planalto entra em uma etapa decisiva nesta quarta-feira (21), com a divulgação de uma nova pesquisa de intenção de voto da Quaest para o segundo turno das eleições presidenciais de 2026. O levantamento, encomendado pela Globo e pelo jornal O Globo, busca atualizar o cenário eleitoral entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), que apareciam tecnicamente empatados na pesquisa anterior.

A expectativa em torno dos novos números é grande, uma vez que o país se aproxima da votação que definirá o próximo presidente da República. Nesta fase da campanha, cada levantamento ganha importância para partidos, candidatos, analistas políticos e eleitores interessados em acompanhar a evolução da preferência do eleitorado.

Na pesquisa anterior da Quaest, divulgada em 14 de outubro, Flávio Bolsonaro aparecia com 46% das intenções de voto, enquanto Lula registrava 44%. A diferença de dois pontos percentuais estava dentro da margem de erro, estabelecida em dois pontos para mais ou para menos, caracterizando um empate técnico entre os dois candidatos.

Com a nova rodada, a expectativa é verificar se a diferença entre os concorrentes aumentou, diminuiu ou permaneceu dentro do mesmo patamar. O resultado também poderá ajudar a identificar possíveis mudanças na preferência dos eleitores durante os últimos dias da campanha eleitoral.

É importante destacar, entretanto, que pesquisas eleitorais representam um retrato das intenções de voto no período em que as entrevistas são realizadas. Os resultados não determinam antecipadamente quem vencerá a eleição, pois o comportamento dos eleitores pode mudar até o momento de comparecer às urnas.

Pesquisa ouviu mais de 2 mil eleitores

De acordo com as informações do levantamento, a Quaest entrevistou 2.154 pessoas com 16 anos ou mais, entre os dias 17 e 20 de outubro. A pesquisa possui margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%.

O estudo está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-08535/2026.

A metodologia e os dados técnicos são fundamentais para que o público compreenda os resultados divulgados. A margem de erro indica que as estimativas podem variar dentro de uma faixa estatística, enquanto o nível de confiança expressa uma propriedade do método utilizado na pesquisa.

Por isso, pequenas diferenças entre os candidatos precisam ser analisadas com cautela. Quando a distância entre os percentuais está dentro da margem de erro, não é possível afirmar, apenas com base naquele levantamento, que um dos concorrentes possui vantagem estatisticamente conclusiva sobre o outro.

Além dos números gerais, a análise do cenário eleitoral também pode considerar a distribuição regional dos votos, o perfil dos entrevistados, a rejeição aos candidatos e a parcela do eleitorado que ainda demonstra indecisão ou não pretende votar em nenhum dos nomes apresentados.

Esses indicadores ajudam a compreender a dinâmica da disputa, mas devem ser interpretados conforme os dados efetivamente divulgados por cada instituto.

Datafolha divulga novo levantamento na quinta-feira

A movimentação das pesquisas eleitorais continuará na quinta-feira (22), quando está prevista a divulgação de um novo levantamento do Datafolha sobre a disputa presidencial. O estudo foi contratado pela Globo e pelo jornal Folha de S.Paulo.

Na pesquisa anterior do instituto, divulgada em 8 de outubro, Flávio Bolsonaro aparecia com 47% das intenções de voto, enquanto Lula registrava 45%. Assim como ocorreu na Quaest, a diferença de dois pontos percentuais estava dentro da margem de erro, mantendo os candidatos em situação de empate técnico.

O novo levantamento permitirá comparar os resultados mais recentes do Datafolha com os números anteriores e observar se houve mudanças relevantes na disputa.

Segundo as informações fornecidas para a pesquisa, o planejamento previa entrevistas com 2.520 pessoas com 16 anos ou mais. A margem de erro informada é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%, e o registro eleitoral indicado é BR-09709/2026.

Há, porém, uma inconsistência nas datas descritas no material divulgado: o período de entrevistas informado para esse levantamento é de 13 a 15 de outubro, anterior à data de divulgação prevista para 22 de outubro. Por isso, os detalhes técnicos e o calendário da pesquisa devem ser conferidos nos registros oficiais do TSE e nos comunicados do instituto antes de sua publicação definitiva.

A divulgação de levantamentos próximos entre si permite observar diferentes recortes da opinião pública. Ainda assim, eventuais diferenças entre os números da Quaest e do Datafolha não significam necessariamente contradição, já que os institutos podem utilizar procedimentos metodológicos, amostras e períodos de coleta distintos.

Últimas pesquisas serão divulgadas no sábado

A reta final da campanha contará com mais uma rodada de levantamentos no sábado (24), véspera do segundo turno. Quaest e Datafolha têm divulgação de suas últimas pesquisas prevista para essa data, ampliando o volume de informações disponíveis antes da votação.

De acordo com os dados apresentados, a última pesquisa da Quaest deverá entrevistar 3.702 pessoas nos dias 23 e 24 de outubro. O levantamento terá margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%, com registro informado no TSE sob o número BR-09158/2026.

No mesmo período, o Datafolha deverá ouvir 4.050 pessoas, também com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O registro informado para esse estudo é BR-09540/2026.

Por serem divulgados muito próximos da votação, esses levantamentos costumam receber atenção especial. Eles ajudam a mostrar como a disputa se apresenta nos últimos dias, embora continuem sujeitos às limitações próprias de qualquer pesquisa por amostragem.

A divulgação de resultados na véspera também reforça a necessidade de atenção às datas de coleta. Uma pesquisa realizada antes pode não captar acontecimentos ou mudanças de opinião ocorridos posteriormente. Da mesma forma, a proximidade da votação não transforma uma estimativa estatística em garantia do resultado das urnas.

Eleitores devem analisar os números com responsabilidade

Em uma eleição marcada pela disputa entre dois projetos políticos, os números das pesquisas podem influenciar o debate público, as estratégias das campanhas e as expectativas dos eleitores. Por isso, a leitura responsável dos resultados é essencial.

Os percentuais precisam ser considerados em conjunto com a margem de erro, o tamanho da amostra, o período das entrevistas e as informações técnicas registradas no TSE. Também é importante diferenciar intenção de voto, rejeição, votos válidos e eventuais estimativas de comparecimento, pois são indicadores distintos e não devem ser tratados como equivalentes.

Outro cuidado necessário é evitar a interpretação de qualquer oscilação isolada como uma tendência consolidada. Mudanças de poucos pontos podem estar dentro da margem de erro, e comparações entre institutos diferentes exigem atenção às respectivas metodologias.

A sequência de divulgações da Quaest e do Datafolha deve oferecer novos elementos para acompanhar a reta final da eleição presidencial de 2026. Com Lula e Flávio Bolsonaro tecnicamente empatados nos levantamentos anteriores citados, os novos dados serão observados de perto por eleitores e agentes políticos.

O resultado definitivo, contudo, será conhecido nas urnas. Até lá, as pesquisas continuarão sendo instrumentos para compreender o cenário eleitoral, sem substituir o voto dos cidadãos nem antecipar com certeza a decisão do eleitorado brasileiro.