O cantor Mumuzinho lançou a edição completa do álbum audiovisual “Simples assim”, projeto que reúne pagode, sertanejo universitário, piseiro e composições inéditas. Disponibilizado na íntegra na noite da quinta-feira (22), o trabalho chega com 17 faixas e amplia a proposta musical do artista de dialogar com diferentes públicos sem deixar de lado a identidade construída ao longo da carreira.
Entre os destaques da edição completa está “Eu choro”, música que marcou a trajetória do grupo Exaltasamba e que agora ganha uma nova interpretação na voz de Mumuzinho. Lançada originalmente em 2001, no álbum “Bons momentos”, a canção se tornou um dos sucessos associados ao repertório do grupo e, 25 anos depois, recebe uma nova leitura dentro do universo do pagode contemporâneo.
A inclusão da faixa representa uma conexão entre diferentes momentos da história do gênero. Ao revisitar uma música conhecida por diversas gerações de fãs, Mumuzinho aposta na força de um repertório que permanece presente na memória do público e ganha novas possibilidades quando interpretado por outros artistas.
“Eu choro” ganha nova interpretação
Composta por Délcio Luiz em parceria com Alex Theodoro Ferreira, conhecido como Pezinho, “Eu choro” integra o conjunto de cinco faixas que completam o álbum “Simples assim”. A música foi lançada pelo Exaltasamba no início dos anos 2000 e se consolidou entre as canções lembradas pelos admiradores do pagode romântico.
A nova gravação aproxima o repertório de Mumuzinho de uma composição que ajudou a marcar uma fase importante do gênero. A escolha também evidencia como músicas populares podem atravessar décadas e continuar despertando interesse quando recebem interpretações de outros artistas.
A trajetória de “Eu choro” é um exemplo da permanência de canções que ultrapassam o período de lançamento. Mesmo depois de tantos anos, a música segue reconhecida por quem acompanhou o sucesso do Exaltasamba e pode alcançar novos ouvintes por meio da versão apresentada no projeto audiovisual.
Para Mumuzinho, a releitura também funciona como uma forma de valorizar o repertório do pagode brasileiro. Ao incorporar uma composição conhecida ao álbum, o cantor estabelece uma ligação entre a tradição do gênero e a proposta musical de seu trabalho atual.
Álbum chega à versão completa com 17 faixas
O projeto “Simples assim” foi gravado no dia 24 de março, durante uma apresentação realizada no Parque Glória Maria, em Santa Teresa, bairro da região central do Rio de Janeiro. O espetáculo reuniu convidados e teve direção musical de Wilson Prateado, profissional que participou da construção sonora do trabalho.
A primeira parte do álbum foi lançada em 28 de maio, quando 12 das 17 faixas chegaram ao público. Cerca de cinco meses depois, Mumuzinho apresentou as cinco músicas restantes, disponibilizando o projeto completo nas plataformas digitais.
A divisão do lançamento permitiu que o público conhecesse parte do repertório antes de ter acesso à obra integral. Com a chegada das faixas finais, o álbum passa a apresentar a sequência completa planejada para o audiovisual, reunindo interpretações, novidades e referências musicais que atravessam diferentes estilos.
Além de “Eu choro”, as novidades incluem músicas inéditas como “Amor de ontem”, composição assinada por Thales Lessa, BG, Prateado e Rodrigo Oliveira, e “Skin de solteira”, escrita por Ricardo Vismarck, Ronael, Elvis Elan, BG e Rodrigo Oliveira.
As duas canções ampliam o repertório autoral do projeto e ajudam a equilibrar as releituras de sucessos conhecidos com material novo. Dessa maneira, “Simples assim” não se limita a revisitar músicas populares: também apresenta composições que passam a integrar a fase atual da carreira de Mumuzinho.
Sertanejo universitário entra na cadência do pagode
Outro destaque do álbum é a releitura de “Chora, me liga”, sucesso lançado em 2008 pela dupla João Bosco & Vinicius. Com composição de Euler Coelho, a música se tornou uma das canções populares do sertanejo universitário e conquistou espaço entre os ouvintes do gênero.
Na versão de Mumuzinho, a faixa aparece adaptada à cadência do pagode, proposta que aproxima duas vertentes importantes da música popular brasileira. A mudança de estilo permite explorar outra interpretação da composição, preservando sua identificação com o público e apresentando a canção a partir de uma nova perspectiva musical.
A escolha também acompanha uma prática recorrente na música brasileira: artistas de diferentes gêneros reinterpretam sucessos conhecidos, transformando arranjos e ritmos sem necessariamente abandonar os elementos que tornaram as obras populares.
Ao levar “Chora, me liga” para o pagode, Mumuzinho amplia o diálogo entre públicos que nem sempre acompanham os mesmos estilos musicais. A iniciativa também reforça a presença do sertanejo universitário no repertório de artistas ligados a outros gêneros.
Piseiro encerra o repertório em medley
O encerramento do álbum traz outro encontro musical. “Chora, me liga” aparece ao lado de “Esquema preferido”, música de 2020 que ganhou projeção no piseiro e foi amplificada pela gravação dos Barões da Pisadinha, lançada em 2021.
A composição de “Esquema preferido” é assinada por DJ Ivis e Valter Danado. A faixa conquistou espaço em um período de forte circulação do piseiro, estilo que ganhou popularidade no Brasil ao combinar elementos eletrônicos com referências da música nordestina e ritmos dançantes.
No projeto de Mumuzinho, a música integra um medley que encerra a apresentação audiovisual. A combinação coloca lado a lado uma referência do sertanejo universitário e um sucesso associado ao piseiro, ambos reinterpretados dentro de uma proposta ligada ao pagode.
A escolha evidencia a intenção de construir um repertório diversificado, capaz de reunir canções reconhecidas por públicos diferentes. Em vez de restringir o álbum a uma única vertente, o cantor explora aproximações entre estilos que ocupam espaço relevante no cenário musical brasileiro.
Um projeto que valoriza diferentes gerações musicais
A edição completa de “Simples assim” reúne elementos que ajudam a compreender a proposta do trabalho: músicas inéditas, sucessos de outras épocas e releituras de canções que ganharam popularidade em gêneros distintos.
A presença de “Eu choro” resgata uma referência do pagode dos anos 2000, enquanto “Chora, me liga” recupera um sucesso do sertanejo universitário e “Esquema preferido” leva o piseiro para a sequência final do projeto. As novidades autorais, por sua vez, acrescentam novas possibilidades ao repertório do cantor.
Essa mistura permite que o álbum dialogue com diferentes gerações de ouvintes. Quem acompanhou o sucesso do Exaltasamba pode reencontrar uma música familiar em outra interpretação, enquanto admiradores do sertanejo e do piseiro têm a oportunidade de ouvir composições conhecidas em arranjos associados ao pagode.
A gravação ao vivo também contribui para a identidade do projeto, registrando a apresentação realizada no Rio de Janeiro diante de uma plateia de convidados. Sob direção musical de Wilson Prateado, o trabalho reúne as escolhas de repertório em uma produção concebida para o formato audiovisual.
Com as 17 faixas disponíveis, “Simples assim” passa a apresentar sua proposta de maneira integral. A conclusão do lançamento reforça a aposta de Mumuzinho na combinação entre identidade artística, valorização de sucessos populares e abertura para diferentes sonoridades.
Ao revisitar “Eu choro”, adaptar “Chora, me liga” ao pagode e incluir “Esquema preferido” no medley final, o cantor constrói um repertório que aproxima histórias e estilos musicais. O resultado é um projeto que celebra a diversidade da música brasileira e mostra como canções de épocas e gêneros distintos podem ganhar novos caminhos por meio da interpretação de outro artista.
















