Quase dois anos após a morte de Sergio Mendes, um dos maiores embaixadores da música brasileira no exterior, sua obra volta a ganhar destaque internacional. O clássico álbum “Herb Alpert Presents Sergio Mendes & Brasil ’66”, lançado originalmente em 1966, está sendo relançado em uma edição especial em vinil verde, celebrando os 60 anos de um dos discos mais importantes da história da música brasileira.

Sergio Mendes faleceu em 5 de setembro de 2024, aos 83 anos, em Los Angeles, nos Estados Unidos, deixando um legado que ajudou a apresentar a sonoridade brasileira para milhões de pessoas ao redor do planeta.

O disco que conquistou o mundo

Lançado pela gravadora A&M Records, o álbum marcou a explosão internacional da carreira do músico fluminense. Com uma mistura sofisticada de bossa nova, samba, jazz e influências latinas, o trabalho conquistou o mercado norte-americano e abriu definitivamente as portas para a música brasileira no cenário pop mundial.

Na época, o sucesso veio apenas dois anos após o fenômeno global de “Garota de Ipanema”, eternizada na voz de Astrud Gilberto e responsável por despertar o interesse internacional pela bossa nova.

Mas foi Sergio Mendes quem conseguiu transformar esse interesse em uma carreira duradoura, levando a música brasileira para públicos dos Estados Unidos, Europa, Japão e diversos outros países.

“Mas que nada” se tornou um fenômeno global

O principal destaque do álbum foi a releitura de “Mas que Nada”, composição de Jorge Ben que já era conhecida no Brasil desde 1963.

Com novos arranjos, vocais marcantes e uma sonoridade vibrante, a música se transformou em um sucesso internacional e passou a ser identificada como uma das principais portas de entrada para a cultura musical brasileira no exterior.

Até hoje, a canção é considerada uma das gravações brasileiras mais conhecidas em todo o mundo.

Mistura de culturas e sonoridades

O grupo Brasil ’66 reuniu músicos brasileiros e norte-americanos em uma combinação que ajudou a criar uma identidade sonora única.

Além do piano característico de Sergio Mendes, o conjunto contava com o baterista João Palma, o baixista Bob Matthews, o percussionista José Soares e a cantora norte-americana Lani Hall, que posteriormente se tornaria esposa do músico.

O repertório trouxe releituras sofisticadas de clássicos da música brasileira e internacional, incluindo versões de:

  • Mas que Nada (Jorge Ben);
  • O Pato (Jayme Silva e Neuza Teixeira);
  • Samba de Uma Nota Só (Tom Jobim e Vinicius de Moraes);
  • Água de Beber (Tom Jobim e Vinicius de Moraes);
  • Day Tripper, dos Beatles;
  • Tim Dom Dom, de João Mello e Clodoaldo Brito.

A combinação entre jazz, samba, bossa nova e pop internacional ajudou a criar uma linguagem musical capaz de atravessar fronteiras e conquistar diferentes culturas.

Um legado que atravessa gerações

Natural de Niterói, no Rio de Janeiro, Sergio Mendes se mudou para os Estados Unidos em 1964. Pouco tempo depois, tornou-se um dos artistas brasileiros de maior reconhecimento internacional da história.

Ao longo de décadas, colaborou com grandes nomes da música mundial e manteve viva a influência dos ritmos brasileiros em diferentes gerações.

Seu trabalho ajudou a consolidar a imagem da música brasileira como um patrimônio cultural admirado em todo o planeta.

Reedição celebra a força do vinil

A nova edição de “Herb Alpert Presents Sergio Mendes & Brasil ’66” chega ao mercado em um momento de valorização dos discos de vinil, formato que voltou a ganhar espaço entre colecionadores e amantes da música.

Produzido em vinil verde, em referência à estética tropical da capa original, o relançamento presta homenagem a um álbum que mudou a trajetória da música brasileira no exterior e transformou Sergio Mendes em um dos artistas mais influentes da cultura nacional.

Mais do que um disco de sucesso, a obra permanece como símbolo de uma época em que a música brasileira conquistou definitivamente seu espaço no cenário internacional, levando o talento, o ritmo e a identidade do Brasil para o mundo.