A Justiça de Pernambuco condenou Antônio Vitor Alves da Silva a 30 anos e 4 meses de reclusão em regime fechado pelos crimes de estupro, homicídio qualificado, ocultação de cadáver e vilipêndio de cadáver contra a aposentada Josenilda Lins Ezequiel da Silva, de 64 anos. O crime, que chocou o país pela extrema violência, aconteceu na véspera do Natal de 2022, no município de Paulista, na Região Metropolitana do Recife.
A decisão foi proferida durante sessão do Tribunal do Júri realizada nesta terça-feira (14), sob a presidência do juiz Fábio Corrêa Barbosa, da 1ª Vara Criminal da Comarca de Paulista. Além da pena de reclusão, o condenado também deverá cumprir 1 ano e 2 meses de detenção em regime aberto ou semiaberto e pagar 20 dias-multa.
O Conselho de Sentença reconheceu diversas qualificadoras e agravantes, entre elas motivo torpe, emprego de tortura, recurso que dificultou a defesa da vítima, contexto de feminicídio, além dos crimes de estupro, ocultação e vilipêndio de cadáver.
Na sentença, o magistrado destacou a brutalidade da ação criminosa e afirmou que o assassinato não foi resultado de um ato impulsivo, mas de uma conduta planejada e executada de forma consciente.
Segundo a decisão judicial, as provas reunidas ao longo da investigação demonstraram que o acusado conduziu a vítima até um terreno isolado, onde praticou uma sequência de atos violentos que culminaram na morte da idosa.
Crime causou comoção
Josenilda Lins Ezequiel da Silva sofria de Alzheimer e tinha 64 anos quando foi assassinada. De acordo com as investigações, ela saiu sozinha de casa na manhã de 24 de dezembro de 2022 e percorreu cerca de 14 quilômetros até chegar à região onde ocorreu o crime.
Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que o acusado abordou a vítima e a levou para um terreno abandonado. Horas depois, o corpo foi encontrado com sinais extremos de violência.
A investigação apontou que a idosa foi vítima de estupro antes de ser morta. O corpo foi localizado sem a cabeça e sem as mãos. A cabeça foi encontrada a cerca de 50 metros de distância do local do crime, enquanto as mãos nunca foram localizadas.
Durante depoimento, o réu alegou que teria cometido o crime motivado por supostos abusos sofridos na infância. No entanto, as investigações da Polícia Civil não encontraram elementos que comprovassem essa versão. O inquérito concluiu que a vítima nunca trabalhou como babá na residência do acusado, contrariando a justificativa apresentada por ele.
Defesa e recursos
A defesa do condenado chegou a solicitar o adiamento do julgamento em 2025, alegando a necessidade de apuração sobre a saúde mental do réu. O pedido resultou no cancelamento de uma sessão anterior do júri.
Após a condenação, os advogados que representam a família de Josenilda informaram que pretendem recorrer da decisão. Eles defendem a retirada da atenuante referente à confissão espontânea do acusado e pedem o aumento da pena, argumentando que a condenação aplicada ficou abaixo da gravidade dos fatos reconhecidos pelo Tribunal do Júri.
Justiça para a família
O caso provocou grande repercussão em Pernambuco e gerou forte comoção social pela violência empregada contra uma mulher idosa e em situação de vulnerabilidade devido à doença de Alzheimer.
Com a condenação, familiares e pessoas próximas à vítima esperam que a decisão represente um passo importante na busca por justiça e na responsabilização pelos crimes cometidos contra Josenilda, cuja morte permanece marcada como um dos casos mais brutais registrados na região nos últimos anos.















