A tensão entre Irã e Estados Unidos voltou a aumentar nos últimos dias e acende um alerta para a comunidade internacional. Nesta sexta-feira (17), o general Mohsen Rezai, conselheiro militar do líder supremo iraniano, aiatolá Mojtaba Khamenei, afirmou que o país poderá iniciar uma fase de “ofensiva e destruição total” caso as ações militares norte-americanas continuem.

A declaração foi feita durante entrevista à televisão estatal iraniana e representa uma das manifestações mais contundentes do governo iraniano desde a retomada dos confrontos entre os dois países.

Segundo Rezai, as forças armadas iranianas estariam prontas para abandonar a estratégia de dissuasão e retaliação adotada até o momento e partir para uma resposta militar mais ampla.

“Se os ataques dos Estados Unidos continuarem nos próximos dois ou três dias, as Forças Armadas da República Islâmica do Irã ultrapassarão a fase de dissuasão e retaliação e entrarão em uma fase de ofensiva e destruição total”, declarou o militar.

Negociações estão paralisadas

A nova escalada ocorre poucas semanas após Washington e Teerã terem firmado, em junho, um memorando de entendimento com 14 pontos voltados para a redução das tensões entre os dois países.

O documento previa medidas como um novo cessar-fogo, a reabertura do estratégico Estreito de Ormuz e a suspensão de algumas sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos ao Irã. O acordo era visto como um passo inicial para a construção de um possível pacto de paz mais amplo.

Entretanto, as negociações foram interrompidas após a retomada das operações militares norte-americanas no início deste mês.

Conflito voltou a se intensificar

Os Estados Unidos justificaram a retomada dos ataques alegando que forças ligadas ao Irã teriam promovido ações contra embarcações que transitavam pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do mundo para o transporte de petróleo e gás.

Desde então, o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) tem conduzido bombardeios contra diferentes alvos em território iraniano.

Em resposta, o Corpo dos Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC) e outras forças iranianas passaram a atacar instalações militares norte-americanas localizadas em países da região, incluindo Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Catar.

Preocupação internacional

O agravamento da crise tem despertado preocupação entre líderes mundiais e organismos internacionais, que temem uma expansão do conflito para outras áreas do Oriente Médio.

Especialistas alertam que uma escalada militar direta entre Irã e Estados Unidos pode gerar impactos significativos na estabilidade regional, afetando mercados globais de energia, comércio internacional e a segurança de países aliados envolvidos na região.

Enquanto isso, os esforços diplomáticos para retomar o diálogo permanecem praticamente paralisados, e o cenário segue marcado por incertezas e pelo risco de novos confrontos nos próximos dias.

A comunidade internacional acompanha com atenção os desdobramentos da crise, na expectativa de que prevaleçam as negociações diplomáticas e que novas ações militares sejam evitadas.