Após quase três décadas no corredor da morte, um homem condenado por um crime ocorrido na década de 1990 teve a sentença anulada nos Estados Unidos. A reviravolta aconteceu depois que um vídeo inédito colocou em dúvida a principal prova usada para condená-lo, reacendendo o debate sobre erros judiciais e a confiabilidade de exames forenses.

Jimmie “Chris” Duncan, de 57 anos, foi condenado à pena de morte em 1998 pela morte da enteada, uma menina de apenas dois anos. O caso aconteceu em 1993 e teve como peça central da acusação supostas marcas de mordidas encontradas no corpo da criança.

No entanto, uma investigação conduzida pela NBC News revelou um vídeo nunca divulgado anteriormente que mostra um dentista forense pressionando e raspando um molde dos dentes de Duncan contra a pele da vítima durante o exame post-mortem. A gravação levantou sérias dúvidas sobre a confiabilidade da análise que sustentou a acusação.

Segundo Duncan, a menina teria sido deixada sozinha por alguns instantes durante o banho e acabou se afogando. Ele afirmou que tentou reanimá-la, mas não conseguiu salvá-la.

Inicialmente, o caso foi tratado como homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Entretanto, após a identificação das supostas marcas de mordidas, a acusação foi alterada para homicídio em primeiro grau. A promotoria sustentou que a criança havia sido agredida e afogada de forma intencional, o que levou à condenação à pena de morte.

Com a divulgação do vídeo, a principal evidência do processo passou a ser contestada, fortalecendo os argumentos da defesa de que houve falhas na produção da prova pericial.

O Innocence Project, organização que atua na revisão de condenações potencialmente injustas, participou da defesa de Duncan e comemorou a decisão da Justiça.

“Embora nada possa restituir as décadas roubadas do Sr. Duncan, esta decisão proporciona algum alento a ele, bem como à sua família e aos seus amigos”, afirmou a entidade em nota.

Duncan já havia obtido liberdade provisória em novembro do ano passado, após uma decisão favorável da Justiça. No fim do mês passado, a Suprema Corte da Louisiana confirmou oficialmente a anulação da condenação, encerrando um dos casos mais emblemáticos envolvendo questionamentos sobre provas forenses nos Estados Unidos.

O caso reforça a importância da revisão de processos quando surgem novas evidências e reacende discussões sobre a utilização de análises de marcas de mordidas como prova em julgamentos criminais, técnica cuja confiabilidade vem sendo amplamente contestada por especialistas nos últimos anos.