A disputa pela Presidência da República ganhou novos contornos nas últimas semanas com a realização das convenções partidárias que oficializaram as candidaturas dos principais nomes ao Palácio do Planalto. Os eventos marcaram o início da campanha eleitoral e foram utilizados pelos candidatos para apresentar prioridades, defender seus legados, criticar adversários e sinalizar propostas para o país.

O prazo para a realização das convenções partidárias termina em 5 de agosto, enquanto o registro oficial das candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deve ser feito até 15 de agosto. Até o momento, os partidos de Flávio Bolsonaro (PL), Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Renan Santos (Missão), Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) já oficializaram seus candidatos. Em algumas chapas, a definição do candidato a vice-presidente ainda aguarda confirmação.

Flávio Bolsonaro destaca legado do pai e endurecimento na segurança

Durante a convenção do Partido Liberal, realizada em 25 de julho, no estádio do Pacaembu, em São Paulo, o senador Flávio Bolsonaro fez um discurso marcado por referências ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

O candidato afirmou que sua campanha representa uma missão para “devolver o Brasil aos brasileiros” e fez críticas aos governos do Partido dos Trabalhadores. Na área da segurança pública, defendeu propostas como a redução da maioridade penal para 14 anos em casos de estupro e a adoção da castração química para condenados por pedofilia.

Flávio também afirmou que pretende manter as bandeiras defendidas por seu grupo político e encerrou o discurso reforçando o lema “Deus, Pátria, Família, Liberdade e Futuro”.

Lula aposta na continuidade do governo e em novas prioridades sociais

Na convenção do Partido dos Trabalhadores, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou sua candidatura à reeleição ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin.

Durante o discurso, Lula destacou ações realizadas ao longo do atual mandato e afirmou que pretende ampliar investimentos em áreas estratégicas. Entre as prioridades apresentadas estão a melhoria da educação, políticas voltadas à população idosa, fortalecimento da indústria nacional, investimentos em tecnologia, defesa e exploração de minerais considerados estratégicos para o país.

O presidente também voltou a defender políticas de combate à violência contra a mulher e afirmou que pretende aprofundar reformas estruturais e iniciativas ligadas à transição energética.

Renan Santos defende renovação política

Representando o partido Missão, Renan Santos apresentou sua candidatura como uma alternativa à polarização política.

Em seu pronunciamento, relembrou sua trajetória no Movimento Brasil Livre (MBL) e afirmou que pretende representar uma nova geração de lideranças políticas. O candidato criticou tanto o PT quanto o bolsonarismo e defendeu metas voltadas à redução da violência, queda das taxas de juros, melhoria da alfabetização infantil e crescimento econômico de longo prazo.

Segundo Renan, seu projeto pretende colocar o Brasil entre as maiores economias do mundo nas próximas décadas.

Romeu Zema enfatiza gestão e combate ao crime

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, oficializou sua candidatura pelo Novo destacando sua experiência como gestor público e empresário.

Durante a convenção, afirmou que pretende levar para o governo federal medidas semelhantes às adotadas em Minas Gerais, defendendo redução da burocracia, atração de investimentos privados e equilíbrio das contas públicas.

Na segurança pública, Zema propôs classificar facções criminosas como organizações terroristas e construir um presídio de segurança máxima para líderes do crime organizado, inspirado em modelos adotados por outros países.

Ronaldo Caiado aposta na experiência administrativa

O PSD oficializou a candidatura de Ronaldo Caiado durante convenção realizada em São Paulo, confirmando Gilberto Kassab como candidato a vice-presidente.

No discurso, Caiado ressaltou sua trajetória política e os resultados obtidos durante sua gestão no Governo de Goiás, especialmente nas áreas de segurança pública e educação.

O candidato também afirmou que pretende apresentar uma alternativa à polarização política nacional e defendeu medidas voltadas ao combate ao crime organizado, geração de empregos e fortalecimento da economia.

Campanha eleitoral começa em agosto

Após a oficialização das candidaturas, os partidos agora seguem para a etapa de registro no Tribunal Superior Eleitoral. A propaganda eleitoral será autorizada a partir de 16 de agosto, quando os candidatos poderão intensificar agendas, apresentar propostas e participar oficialmente da disputa pela Presidência da República.

As convenções partidárias marcaram o início de uma campanha que promete ser movimentada, com diferentes projetos políticos buscando conquistar o eleitorado brasileiro nas eleições de 2026.