A Polícia Federal (PF) cumpriu, nesta terça-feira (11), mandados de busca e apreensão contra o ex-secretário do governo do Maranhão Raimundo Cutrim e um advogado. A operação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após pedido da PF e manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).

A investigação é um desdobramento de um caso envolvendo o jornalista Luis Pablo, de São Luís (MA), que é investigado por supostos atos de perseguição contra o ministro do STF Flávio Dino.

A operação desta terça-feira ocorre após uma primeira ação realizada em março, quando a PF cumpriu mandado de busca e apreensão contra o jornalista e recolheu equipamentos eletrônicos. Segundo a investigação, a análise do material teria reunido elementos que levaram os investigadores a apurar a possível participação de outras pessoas, entre elas Cutrim e um advogado ligado ao jornalista.

Investigação tramita sob sigilo

O caso está sob segredo de Justiça no Supremo Tribunal Federal.

Segundo informações apresentadas pela Polícia Federal, são investigados fatos ocorridos entre 2022 e 2026 que poderiam caracterizar crimes como obstrução à Justiça e coação no curso do processo, além de possíveis conexões com investigações relacionadas a homicídio, corrupção e peculato.

A PF também informou que, desde novembro de 2025, o jornalista Luis Pablo teria publicado conteúdos contendo fotos e informações relacionadas ao veículo utilizado pelo ministro Flávio Dino.

As publicações questionavam a utilização de um veículo que, oficialmente, pertence ao Tribunal de Justiça do Maranhão e que, segundo o jornalista, estaria sendo utilizado por integrantes da família do ministro.

Defesa de Cutrim contesta investigação

A defesa de Raimundo Cutrim afirmou que o ex-secretário é tratado pelos responsáveis pela investigação como uma fonte jornalística do jornalista Luis Pablo.

Os advogados também disseram que não tiveram acesso aos processos relacionados às operações anteriores nem à ação realizada nesta terça-feira.

Segundo a defesa, a operação estaria relacionada às informações divulgadas pelo jornalista sobre a suposta utilização irregular de veículos do Tribunal de Justiça do Maranhão pela família de Flávio Dino.

Os advogados sustentam ainda que essas denúncias permanecem sem apuração e afirmam que a decisão que autorizou a operação foi proferida por Alexandre de Moraes a partir de uma denúncia apresentada por Flávio Dino.

Assessoria de Dino nega uso irregular de veículos

A assessoria do ministro Flávio Dino negou que tenha ocorrido uso irregular de veículos oficiais do Tribunal de Justiça do Maranhão.

Segundo a manifestação, um carro blindado foi cedido por solicitação da Secretaria de Segurança do STF, dentro de um acordo de cooperação existente entre o Supremo e os tribunais do país.

A assessoria afirmou que não pode fornecer detalhes relacionados à segurança do ministro e de seus familiares e citou a existência de ameaças e agressões contra Dino.

Ainda de acordo com a manifestação, investigações recentes teriam identificado situações em que até mesmo veículos particulares utilizados pelo ministro e por familiares teriam sido monitorados ou seguidos.

Diante dessas informações, a assessoria informou que novas providências de segurança foram solicitadas para proteger o ministro e sua família.

Prisão domiciliar

Raimundo Cutrim também teve a prisão domiciliar decretada em julho, quando ocupava o cargo de secretário extraordinário de Assuntos Legislativos do Maranhão.

Como o processo tramita sob sigilo, detalhes sobre as medidas determinadas pela Justiça e sobre o conteúdo das provas reunidas na investigação não foram divulgados.

A operação desta terça-feira faz parte de uma investigação ainda em andamento. Os envolvidos têm direito à defesa e, até o momento, as suspeitas apresentadas pelas autoridades permanecem sob apuração judicial.