O dólar encerrou a sessão desta quinta-feira (27) praticamente estável diante do real, enquanto o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, registrou alta impulsionado principalmente pela valorização do petróleo e pelo desempenho de empresas ligadas às commodities. Em um dia marcado por cautela nos mercados internacionais e pela divulgação de indicadores importantes da economia brasileira, os investidores acompanharam de perto os acontecimentos no cenário externo e interno.
A moeda norte-americana avançou 0,21% e terminou o dia cotada a R$ 5,16. Já o Ibovespa fechou aos 175,1 mil pontos, com alta de 0,32%.
O movimento mostra um mercado sem grandes direcionadores durante boa parte da sessão, mas que encontrou sustentação nas ações de empresas relacionadas às commodities, especialmente depois de uma nova alta nos preços internacionais do petróleo.
Petróleo volta a subir nos mercados internacionais
O petróleo voltou a registrar valorização nesta quinta-feira e ajudou a impulsionar empresas brasileiras ligadas ao setor.
O barril do tipo Brent, considerado referência internacional, subiu 1,82%, chegando a US$ 88,52. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência para o mercado norte-americano, avançou 1,58%, para US$ 83,53.
A valorização da commodity ocorre em meio a um ambiente internacional ainda marcado por incertezas geopolíticas.
No Oriente Médio, investidores acompanham com atenção as relações entre Estados Unidos e Irã. Apesar de existirem sinais de novas negociações entre os dois países, ainda não há uma perspectiva clara de acordo.
A possibilidade de novos desdobramentos na região mantém os investidores atentos, especialmente porque conflitos ou tensões envolvendo grandes produtores e rotas estratégicas de petróleo podem afetar a oferta global da commodity.
Alta do petróleo favorece Petrobras
A valorização do petróleo teve reflexos diretos sobre ações de empresas brasileiras ligadas à exploração e produção da commodity.
Entre os destaques esteve a Petrobras, uma das companhias com maior peso na composição do Ibovespa.
A alta do petróleo aumenta a atenção dos investidores para os resultados e para a geração de caixa da estatal, embora o desempenho das ações também dependa de fatores específicos da empresa, como política de preços, produção, investimentos e distribuição de dividendos.
Segundo João Vitor Saccardo, responsável pela mesa de renda variável da Convexa, a alta do Ibovespa foi puxada justamente por ações associadas às commodities.
Além da Petrobras, a Vale também contribuiu para o desempenho positivo do índice.
As duas companhias possuem participação relevante na Bolsa brasileira, fazendo com que seus movimentos tenham impacto significativo sobre o resultado geral do Ibovespa.
Decisão judicial também entra no radar
A Petrobras também foi beneficiada por outro acontecimento importante nesta quinta-feira.
A Justiça Federal do Distrito Federal determinou a suspensão provisória da cobrança de 12% de Imposto de Exportação sobre óleo bruto de petróleo e minerais betuminosos para empresas abrangidas pela ação judicial.
A decisão acrescentou um componente importante ao comportamento das ações da companhia.
A discussão envolve uma cobrança que havia sido criada originalmente por meio de Medida Provisória e que, posteriormente, passou a ser mantida por meio de uma resolução da Câmara de Comércio Exterior (Camex).
A decisão judicial questiona justamente a possibilidade de manutenção da cobrança por meio de um ato administrativo após a perda de validade da MP.
O caso ainda deverá passar por novas etapas na Justiça, e a União poderá recorrer.
Bolsas dos Estados Unidos também avançam
No exterior, os investidores acompanharam o desempenho positivo das principais bolsas de Nova York.
Os mercados norte-americanos foram beneficiados principalmente pelos resultados apresentados pela Nvidia, gigante do setor de semicondutores e uma das empresas mais importantes do mercado global de tecnologia.
A companhia produz chips utilizados, entre outras aplicações, no treinamento de modelos de inteligência artificial.
No segundo trimestre deste ano, a Nvidia registrou lucro de US$ 59,7 bilhões, resultado que representa crescimento de 125,9% em comparação com o mesmo período de 2025.
O desempenho reforçou o otimismo em relação ao setor de inteligência artificial e ajudou a sustentar as ações de tecnologia.
Por volta das 16h15, o S&P 500 subia 0,58%, enquanto o Nasdaq avançava 1,30%. O Dow Jones apresentava alta mais moderada, de 0,17%.
O resultado mostra que o entusiasmo com a inteligência artificial continua sendo um dos principais motores do mercado acionário norte-americano.
Mercado de trabalho brasileiro apresenta força
No cenário doméstico, um dos principais destaques foi a divulgação dos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A taxa de desemprego recuou para 5,3% no trimestre móvel encerrado em julho.
O resultado representa uma melhora em relação aos 5,6% registrados no mesmo período do ano anterior.
A taxa também foi a menor registrada para um trimestre encerrado em julho desde o início da série histórica da PNAD Contínua, em 2012.
Os números mostram que o mercado de trabalho brasileiro continua apresentando resistência mesmo diante de um cenário de juros elevados e incertezas econômicas.
O resultado, porém, exige uma análise mais cuidadosa.
Segundo André Valério, economista sênior do Banco Inter, o mercado de trabalho continua resiliente, mas a taxa de desocupação ajustada sazonalmente aumentou pelo terceiro mês consecutivo, chegando a 5,6%.
Esse foi o maior nível desde julho do ano passado.
Déficit externo chama atenção
Outro dado importante divulgado nesta quinta-feira veio do Banco Central.
O Brasil registrou déficit de US$ 8,1 bilhões nas transações correntes em julho.
Foi o maior resultado negativo para o mês desde 2019, quando o déficit havia chegado a US$ 11,5 bilhões.
As transações correntes representam um conjunto de operações realizadas entre o Brasil e outros países, envolvendo comércio de bens, serviços, rendas e transferências.
Quando há déficit, significa que o país registrou mais saídas do que entradas nessas operações.
O dado é acompanhado pelo mercado porque ajuda a mostrar como está a relação econômica do Brasil com o exterior e pode influenciar avaliações sobre as contas externas do país.
Banco Central realiza novo “casadão” no câmbio
O Banco Central também voltou a atuar no mercado de câmbio nesta quinta-feira.
A instituição vendeu US$ 1 bilhão no mercado à vista e realizou simultaneamente um leilão de swap cambial reverso no mesmo valor.
A combinação das duas operações é conhecida no mercado como “casadão”.
O objetivo principal é oferecer liquidez ao mercado.
Em termos simplificados, o Banco Central atua em duas pontas: vende dólares no mercado à vista e, ao mesmo tempo, realiza uma operação de swap equivalente.
Por isso, o efeito teórico sobre a cotação do dólar tende a ser neutro.
A atuação da autoridade monetária ocorre em um momento de atenção elevada dos investidores ao comportamento da moeda norte-americana.
Juros futuros operam sem direção única
No mercado de juros, os contratos futuros apresentaram comportamento misto.
De acordo com Rafael Dadoorian, especialista em renda fixa da Convexa, houve queda em parte dos vencimentos intermediários, enquanto a ponta mais longa da curva registrou alta.
O movimento demonstra que os investidores continuam avaliando diferentes cenários para a trajetória da inflação, da política monetária brasileira e das condições internacionais.
Os juros futuros refletem justamente as expectativas do mercado para as taxas de juros no futuro.
Jackson Hole entra no radar
No cenário internacional, outro assunto importante para os investidores é o simpósio de Jackson Hole, que acontece nesta sexta-feira (28).
O evento reúne autoridades monetárias, economistas e representantes do mercado financeiro e costuma gerar grande atenção porque discursos de dirigentes dos principais bancos centrais podem oferecer pistas sobre os próximos passos da política monetária.
O presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, deverá discursar no encontro.
Os investidores estarão atentos às declarações para tentar identificar sinais sobre a direção dos juros nos Estados Unidos.
Qualquer indicação de mudança na política monetária norte-americana pode provocar reações nos mercados globais, afetando bolsas, moedas, títulos e commodities.
Mercado termina o dia com cautela
O desempenho dos mercados nesta quinta-feira mostra um cenário de equilíbrio entre fatores positivos e incertezas.
De um lado, a alta do petróleo e os resultados expressivos da Nvidia deram suporte aos mercados acionários.
De outro, as incertezas geopolíticas e as expectativas em torno das decisões dos bancos centrais mantiveram os investidores cautelosos.
No Brasil, o recuo do desemprego trouxe um sinal positivo sobre a atividade econômica, enquanto o déficit em transações correntes chamou atenção para a situação das contas externas.
O dólar, diante desse conjunto de fatores, terminou o dia praticamente estável, enquanto o Ibovespa conseguiu avançar.
Para o investidor brasileiro, o cenário dos próximos dias continuará dependendo principalmente do comportamento das commodities, dos acontecimentos internacionais e das sinalizações dos bancos centrais.
Em meio a tantas variáveis, o mercado segue buscando equilíbrio entre oportunidades e riscos. A alta das empresas ligadas ao petróleo e a força do setor de tecnologia nos Estados Unidos ajudaram a Bolsa brasileira a terminar o dia no campo positivo, mas a cautela continua sendo a palavra de ordem diante de um cenário econômico e geopolítico que permanece em constante transformação.















