Professor Golbery Rodrigues explicou uma dúvida bastante comum entre pessoas que escrevem, estudam ou precisam se comunicar diariamente em português: afinal, o correto é dizer “haverá muitas mudanças” ou “haverão muitas mudanças”?

A resposta depende da função que o verbo “haver” desempenha na frase.

O professor Golbery Rodrigues explicou que, quando o verbo “haver” é utilizado com o sentido de “existir”, ele deve permanecer sempre no singular. É uma regra que costuma gerar confusão porque, intuitivamente, muitas pessoas tendem a fazer a concordância com a palavra que aparece depois do verbo.

É justamente aí que surge o erro.

Quando alguém diz “haverá muitas mudanças”, por exemplo, a palavra “mudanças” está no plural, mas isso não faz com que o verbo também passe para o plural. O correto continua sendo “haverá”.

A explicação é simples: nesse caso, “haver” é um verbo impessoal, ou seja, não possui sujeito. Por isso, permanece obrigatoriamente na terceira pessoa do singular.

Quando usar “haverá”

A forma “haverá” deve ser utilizada quando “haver” tiver o significado de “existir” ou estiver indicando a ocorrência de algo.

Alguns exemplos ajudam a entender:

  • Haverá mudanças no trânsito durante o evento.
  • Haverá novas oportunidades de emprego.
  • Haverá muitas pessoas na cerimônia.
  • Haverá alterações no horário de atendimento.
  • Haverá novas regras a partir do próximo mês.

Em todas essas frases, o verbo poderia ser substituído por “existirá” ou “existirão”, dependendo da construção, mas quando o verbo utilizado é “haver” com sentido de existir, a forma permanece no singular.

Assim, mesmo que o termo seguinte esteja no plural, o correto é dizer “haverá muitas pessoas”, e não “haverão muitas pessoas”.

Esse é um dos pontos que mais confundem os estudantes e até mesmo pessoas acostumadas a escrever profissionalmente.

Por que “haverão” também pode estar correto?

Apesar de “haverão” ser frequentemente associado a um erro de português, a palavra existe e pode ser utilizada corretamente em determinadas situações.

O professor Golbery Rodrigues explicou que o plural pode aparecer quando o verbo “haver” funciona como verbo auxiliar.

Um exemplo é:

“As equipes haverão de cumprir todas as etapas.”

Nesse caso, “haver” não tem o significado de “existir”.

A expressão “haverão de cumprir” transmite a ideia de que as equipes terão de cumprir ou deverão cumprir determinadas etapas.

É uma construção diferente daquela encontrada em “haverá muitas mudanças”.

Essa diferença é fundamental para entender quando o plural está correto.

A dica para não esquecer

Uma maneira prática apresentada pelo professor para identificar a forma correta é fazer uma substituição mental.

Quando surgir a dúvida sobre “haverá” ou “haverão”, tente substituir “haver” por “ter”.

Se a frase continuar fazendo sentido, o verbo pode estar funcionando como auxiliar e o plural pode ser utilizado.

Por exemplo:

“As equipes haverão de cumprir todas as etapas.”

Podemos pensar:

“As equipes terão de cumprir todas as etapas.”

A frase continua correta e mantém o sentido.

Nesse caso, “haverão” está sendo utilizado corretamente.

Por outro lado, observe a frase:

“Haverão muitas mudanças.”

Se tentarmos fazer a substituição, teremos:

“Terão muitas mudanças.”

A construção não mantém o mesmo sentido de “existirão muitas mudanças”.

Nesse contexto, o correto é:

“Haverá muitas mudanças.”

Uma regra que aparece no dia a dia

A dúvida não está restrita ao ambiente escolar.

O uso de “haverá” e “haverão” aparece frequentemente em notícias, comunicados, documentos, redes sociais, trabalhos acadêmicos e mensagens profissionais.

Expressões como “haverá alterações”, “haverá novos investimentos”, “haverá mudanças”, “haverá reuniões” e “haverá oportunidades” são comuns em textos informativos.

Por isso, compreender a regra pode ajudar não apenas quem está estudando para uma prova, mas também quem precisa escrever com clareza no cotidiano.

Em textos jornalísticos, por exemplo, a concordância correta contribui para a credibilidade da informação.

Um pequeno erro gramatical pode chamar mais atenção do que o próprio conteúdo que está sendo apresentado.

“Haverá pessoas” ou “haverão pessoas”?

Essa é uma das dúvidas mais comuns.

A resposta correta é:

“Haverá pessoas no evento.”

Isso acontece porque o verbo “haver” tem sentido de “existir”.

A mesma regra vale para outras construções:

“Haverá problemas se a medida não for adotada.”

“Haverá mudanças no calendário.”

“Haverá novas oportunidades para os estudantes.”

“Haverá reuniões durante a semana.”

Em todas essas situações, o verbo permanece no singular.

Não importa se depois dele aparece uma palavra no singular ou no plural.

E quando o verbo “haver” é auxiliar?

O cenário muda quando “haver” participa de uma locução verbal.

Veja:

“Os candidatos haverão de apresentar os documentos.”

Nesse caso, “haverão de apresentar” funciona como uma construção verbal que transmite ideia de obrigação, necessidade, expectativa ou determinação.

Também é possível encontrar frases como:

“Eles haverão de encontrar uma solução.”

“Os estudantes haverão de cumprir as regras.”

“As equipes haverão de retornar ao local.”

Nesses exemplos, o verbo está relacionado ao sujeito e pode aparecer no plural.

É justamente por isso que não é correto afirmar simplesmente que a palavra “haverão” está sempre errada.

A questão é observar o papel que o verbo desempenha dentro da frase.

Um erro bastante comum

Muitas pessoas aprendem que verbos devem concordar com o sujeito e acabam aplicando essa regra automaticamente ao verbo “haver”.

Por exemplo, ao escrever:

“Haverão novas oportunidades.”

A pessoa pode pensar que “oportunidades” está no plural e, portanto, o verbo também deveria estar.

Mas essa lógica não se aplica quando “haver” significa “existir”.

Como o verbo é impessoal nesse caso, ele permanece no singular.

O mesmo acontece com outras expressões:

“Havia muitas pessoas no local.”

“Há diversos problemas.”

“Haverá novas medidas.”

“Pode haver mudanças.”

Todas essas construções permanecem no singular porque o verbo “haver” está sendo usado com sentido de existência.

“Há” e “haverá” seguem a mesma lógica

A regra também ajuda a compreender outras formas do verbo.

Quando alguém diz:

“Há muitas pessoas na fila.”

O verbo está no singular.

Não seria correto escrever:

“Hão muitas pessoas na fila.”

Da mesma maneira:

“Haverá muitas pessoas na reunião.”

E não:

“Haverão muitas pessoas na reunião.”

A estrutura permanece no singular porque o sentido é o de existência.

Uma dica que pode evitar muitos erros

A explicação apresentada pelo professor Golbery Rodrigues mostra que uma das melhores maneiras de aprender português é compreender o sentido da frase, e não apenas decorar regras.

Ao encontrar “haverá” ou “haverão”, o primeiro passo é perguntar:

O verbo “haver” significa “existir”?

Se a resposta for sim, use “haverá” no singular.

Se “haver” estiver funcionando como verbo auxiliar, como na construção “haver de”, o verbo poderá concordar com o sujeito:

“Eles haverão de cumprir a tarefa.”

A diferença parece pequena, mas muda completamente a estrutura gramatical.

Português também se aprende observando

A dúvida sobre “haverá” ou “haverão” é apenas uma das muitas questões que aparecem no cotidiano de quem utiliza a língua portuguesa.

O idioma possui regras que, inicialmente, podem parecer complicadas, mas se tornam mais fáceis quando associadas ao significado das palavras e à função que cada termo exerce dentro da frase.

A orientação do professor Golbery Rodrigues serve justamente para transformar uma regra que costuma causar confusão em uma ferramenta prática.

Na dúvida, vale lembrar:

Se “haver” significa “existir”, use “haverá”.

Se “haver” funciona como auxiliar, “haverão” pode estar correto.

Assim, frases como “haverá mudanças”, “haverá novas oportunidades” e “haverá muitas pessoas” estão corretas.

Já em uma construção como “as equipes haverão de cumprir todas as etapas”, o plural também está correto porque o verbo exerce outra função.

Uma pequena atenção ao sentido da frase pode ser suficiente para evitar um erro bastante comum e tornar a comunicação mais clara, precisa e adequada.