O Rock in Rio 2026 chegou ao fim neste domingo (13) depois de sete dias de programação, dezenas de artistas e uma Cidade do Rock tomada por centenas de milhares de pessoas. Com mais de 120 atrações distribuídas entre diferentes palcos, o festival apresentou uma mistura de estilos que passou pelo rock, pop, metal, música brasileira, soul, R&B, música eletrônica e, pela primeira vez, uma programação dedicada ao k-pop.
Como acontece em todo grande festival, algumas apresentações conseguiram superar as expectativas e se transformaram em momentos marcantes, enquanto outras encontraram dificuldades para conquistar o público ou apresentaram problemas técnicos e artísticos.
A avaliação dos shows considera diferentes aspectos, como a qualidade da performance, presença de palco, repertório, reação da plateia, execução musical e estrutura técnica. Entre os principais destaques da edição, nomes como Elton John, Hwasa, Bring Me The Horizon, Péricles, João Gomes e Marina Sena ganharam espaço entre as apresentações mais elogiadas.
Elton John encerra edição histórica no topo
O grande destaque do festival foi Elton John. Aos 79 anos, o cantor britânico voltou ao Brasil depois de 11 anos e protagonizou uma apresentação que combinou nostalgia, técnica e emoção.
Em sua terceira participação no Rock in Rio e oitava passagem pelo país, Elton entrou para a história como o headliner mais velho do festival.
Vestindo um chamativo paletó amarelo fluorescente e camisa azul-marinho, o artista revisitou alguns dos maiores sucessos de sua carreira, incluindo “I Guess That’s Why They Call It the Blues” e “Goodbye Yellow Brick Road”.
Mais do que uma apresentação baseada na nostalgia, o show mostrou a força de um artista que continua capaz de estabelecer uma conexão imediata com o público. Diante de músicas que atravessaram décadas, milhares de pessoas cantaram junto e transformaram a apresentação em uma celebração da carreira de Elton.
Hwasa representa a força do k-pop
Outro momento histórico veio com Hwasa, que se tornou a primeira mulher e a primeira artista solo do pop sul-coreano a se apresentar no Rock in Rio.
Integrante do Mamamoo e dona de uma carreira solo consolidada, a cantora chegou ao Palco Mundo com uma presença de palco marcante. Sua performance apostou em dança, sensualidade, personalidade e vocais fortes.
A apresentação também refletiu a identidade de Hwasa, conhecida por abordar temas como autoestima, empoderamento e sexualidade de maneira mais direta do que tradicionalmente ocorre no universo do k-pop.
O resultado foi uma das performances mais importantes da primeira noite dedicada ao gênero no festival.
Bring Me The Horizon transforma o palco em espetáculo
O Bring Me The Horizon também esteve entre os grandes momentos da edição.
Com o vocalista Oli Sykes no centro das atenções, a banda britânica transformou o Palco Mundo em uma espécie de grande videogame, misturando elementos visuais, nostalgia e muito peso.
O público respondeu à altura. Rodas se formaram em diferentes pontos da plateia, sinalizadores apareceram e os fãs acompanharam a banda com enorme entusiasmo.
Oli também interagiu bastante com o público, chamou um fã vestido com a camisa do Brasil para o palco e revisitou músicas dos primeiros trabalhos do grupo.
Mesmo com alguns momentos descontraídos, a apresentação manteve a intensidade característica da banda.
Péricles surpreende com soul e R&B
Péricles decidiu fugir do repertório que o consagrou e apresentou um show inteiramente dedicado ao soul e ao R&B norte-americanos.
No Palco Sunset, o cantor deixou o pagode de lado e mostrou por que é reconhecido como um dos grandes intérpretes da música brasileira.
O repertório trouxe sucessos de nomes históricos do gênero, enquanto Péricles utilizou o português principalmente para conversar com a plateia.
A apresentação funcionou como uma demonstração de versatilidade e também como uma oportunidade para o público conhecer uma faceta diferente do artista.
João Gomes leva o Nordeste ao festival
João Gomes também teve um papel importante na edição de 2026 ao levar o piseiro e o forró para um dos maiores festivais de música do mundo.
O pernambucano voltou ao Rock in Rio acompanhado de uma formação especial batizada de Orquestra Brasileira.
A proposta foi criar um grande cortejo nordestino, reunindo elementos de frevo, forró e música popular.
Apesar de algumas interferências sonoras provocadas pelo ambiente do festival, a apresentação conseguiu reunir um grande público e mostrou a força da música nordestina em um espaço tradicionalmente associado ao rock e ao pop internacional.
Marina Sena e Pedro Sampaio também se destacam
Marina Sena finalmente teve um show próprio no Rock in Rio depois de participar anteriormente como convidada.
No Sunset, a cantora apresentou um espetáculo baseado em elementos orgânicos, com rabeca, violões, percussões e referências às suas raízes mineiras.
Pedro Sampaio, por sua vez, abriu a programação do Palco Mundo no sábado e entregou uma apresentação eletrizante.
O DJ e produtor apostou em uma grande festa, com direito a dançarinos, brincadeiras e uma guerra de travesseiros que transformou o palco em uma espécie de festa do pijama.
Foo Fighters entrega show seguro
O Foo Fighters também correspondeu às expectativas.
Dave Grohl mostrou boa forma vocal e conduziu uma apresentação segura, construída a partir de uma carreira que já soma décadas.
O repertório trouxe novidades em relação à passagem pelo The Town, incluindo “Wheels” e “Marigold”.
Um dos momentos mais emocionantes foi a homenagem ao baterista Taylor Hawkins durante “Aurora”, música que era uma de suas favoritas.
Stray Kids mostra a força do k-pop
O Stray Kids também confirmou por que foi escolhido como headliner da primeira noite de k-pop do Rock in Rio.
Os fãs, conhecidos como STAYs, foram protagonistas do espetáculo, cantando, dançando e acompanhando cada movimento dos integrantes.
As coreografias precisas, especialmente em “Domino”, ajudaram a transformar o show em uma grande experiência visual.
As decepções do festival
Nem todos os artistas, porém, tiveram o mesmo desempenho.
Nelly ficou entre as apresentações menos convincentes. Em uma noite chuvosa, o rapper apostou em uma estrutura bastante simples, acompanhado basicamente por um DJ e um artista de apoio.
Apesar de o público conhecer seus principais sucessos, a falta de uma banda e de uma direção artística mais elaborada deixou o espetáculo com aparência de uma grande playlist executada ao vivo.
Machine Gun Kelly, ou MGK, também enfrentou dificuldades. O artista encontrou uma plateia dividida e chegou a interromper a apresentação para responder às manifestações negativas de parte do público.
Embora tenha apresentado alguns bons momentos, o show não conseguiu estabelecer uma conexão consistente com a audiência.
A banda britânica Hot Milk viveu situação semelhante. Mesmo entregando energia e tentando estimular a plateia, encontrou um público pequeno e pouco participativo.
Já Luísa Sonza teve problemas principalmente relacionados ao som e à baixa presença de público. O áudio chegou a ficar embolado em determinados momentos, dificultando a compreensão dos vocais.
J Balvin, apesar de manter a festa em andamento e contar com participações de Pedro Sampaio e Melody, também não conseguiu o mesmo nível de envolvimento provocado pelo artista brasileiro.
Um festival marcado pela diversidade
Apesar das diferenças entre as apresentações, o Rock in Rio 2026 terminou reforçando uma característica que acompanha o festival há décadas: a capacidade de reunir públicos diferentes em torno da música.
Do rock pesado ao k-pop, passando pelo forró, soul, R&B, pop e música eletrônica, a edição ampliou ainda mais a diversidade de estilos.
Entre grandes performances e apresentações que ficaram abaixo das expectativas, o festival deixou momentos que devem permanecer na memória do público.
E, acima de todos eles, Elton John mostrou que alguns artistas simplesmente ultrapassam o tempo. Aos 79 anos, o britânico encerrou sua passagem pelo Rock in Rio com uma apresentação que lembrou ao público por que seus grandes clássicos continuam vivos décadas depois de terem sido lançados.















