A menos de duas semanas do primeiro turno das eleições de 2026, levantamentos eleitorais apontam uma mudança no cenário da disputa pelas 54 vagas do Senado que estarão em jogo. Dados reunidos pelo SBT News indicam crescimento de candidatos identificados com o bolsonarismo em diferentes estados, enquanto nomes alinhados ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparecem na liderança em outras unidades da Federação.
O levantamento mais recente publicado pelo SBT News aponta candidatos alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro na liderança das pesquisas em 25 das 54 vagas em disputa. Em outras 18, os nomes mais próximos do governo Lula aparecem à frente. Há ainda oito vagas nas quais lideram candidatos sem alinhamento automático com nenhum dos dois campos, enquanto três disputas permanecem mais indefinidas.
Caso esse retrato das pesquisas se confirmasse nas urnas, os candidatos identificados com o bolsonarismo poderiam alcançar pelo menos 40 das 81 cadeiras do Senado a partir de 2027, considerando também os senadores eleitos em 2022 que não participam da renovação deste ano. O número ficaria a uma cadeira da maioria absoluta, estabelecida em 41 senadores.
O grupo mais alinhado ao governo federal teria, nesse cenário, pelo menos 27 cadeiras, enquanto o bloco sem alinhamento automático com Lula ou Bolsonaro chegaria a 11.
É importante ressaltar que esses números representam uma fotografia das pesquisas disponíveis e não uma projeção do resultado eleitoral. A própria dinâmica das eleições para o Senado exige cautela, já que os eleitores escolhem dois candidatos em cada estado e as campanhas podem sofrer alterações significativas nos últimos dias.
Cenário mudou em relação ao início de agosto
A fotografia atual é diferente daquela observada no começo de agosto. Naquele momento, levantamento do próprio SBT News apontava equilíbrio entre os grupos identificados com o bolsonarismo e os candidatos mais próximos do governo Lula.
Na análise publicada em agosto, havia 19 vagas nas quais candidatos alinhados ao bolsonarismo apareciam na liderança, enquanto os governistas lideravam em número semelhante de disputas.
Desde então, diferentes pesquisas estaduais passaram a registrar mudanças na corrida pelo Senado. Entre os nomes que passaram a aparecer em posições competitivas estão Gustavo Gayer, em Goiás; Ciro Nogueira, no Piauí; Nicoletti, em Roraima; Marcel van Hattem, no Rio Grande do Sul; Carlos Jordy e Carlos Portinho, no Rio de Janeiro, segundo o levantamento do SBT News.
Como as pesquisas são realizadas em momentos diferentes e possuem metodologias próprias, os resultados precisam ser analisados levando em conta data de realização, margem de erro, tamanho da amostra e cenário eleitoral de cada estado.
Disputa pelo Senado terá duas vagas por estado
A eleição de 2026 apresenta uma característica importante: cada estado e o Distrito Federal escolherão dois senadores.
Ao todo, serão renovadas 54 das 81 cadeiras do Senado, o equivalente a dois terços da composição da Casa. O Tribunal Superior Eleitoral confirma que os dois candidatos mais votados em cada unidade da Federação serão eleitos.
A votação do primeiro turno está marcada para 4 de outubro. Eventual segundo turno para presidente e governadores ocorrerá em 25 de outubro, mas a eleição para o Senado será definida no primeiro turno, conforme a votação de cada candidato em seu estado.
Essa característica faz com que a disputa seja diferente daquela para a Presidência da República. No Senado, dois candidatos podem ser eleitos simultaneamente, e a composição final da Casa dependerá do resultado obtido individualmente em cada uma das 27 unidades da Federação.
Possíveis impactos na composição do Senado
Uma eventual ampliação da bancada de senadores alinhados ao bolsonarismo poderá influenciar a composição política do Senado a partir de 2027.
Um dos principais efeitos estaria relacionado à eleição da Mesa Diretora da Casa. A presidência do Senado é escolhida pelos próprios senadores no início de cada nova legislatura, e a formação de blocos e alianças entre partidos pode ser determinante para a definição do comando.
O cenário também teria impacto sobre votações que exigem quóruns elevados. Entre elas estão processos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal, cuja admissibilidade e julgamento possuem regras específicas previstas na Constituição e no regimento do Senado.
Segundo a análise do SBT News, um cenário com 40 senadores alinhados ao bolsonarismo deixaria a oposição próxima do número necessário para atingir 54 votos em um eventual processo de impeachment, caso houvesse apoio de senadores independentes ou de outros grupos políticos.
Essa possibilidade, porém, depende de vários fatores que não podem ser antecipados apenas pelas pesquisas eleitorais, incluindo a composição efetiva da Casa, a formação de blocos parlamentares e o posicionamento individual dos senadores diante de cada matéria.
Caso Master e crise envolvendo o STF entram no debate eleitoral
A disputa pelo Senado também vem sendo influenciada por temas nacionais que ganharam espaço durante a campanha.
Entre eles está a crise relacionada ao chamado caso Master e seus desdobramentos envolvendo instituições públicas e o Supremo Tribunal Federal. O assunto passou a ser utilizado por determinados candidatos como argumento para defender mudanças na relação entre o Congresso e o Judiciário.
Alguns candidatos ligados ao campo da direita passaram a defender abertamente a possibilidade de processos de impeachment contra ministros do STF.
O tema, entretanto, depende de procedimentos específicos e de uma eventual decisão do próprio Senado. Até o momento, não há como afirmar que uma mudança na composição da Casa necessariamente resultará na abertura ou aprovação de processos dessa natureza.
Entre os nomes considerados independentes ou não automaticamente alinhados aos dois principais campos políticos, o levantamento destaca candidatos identificados com a centro-direita ou a direita, como Gracinha Caiado, em Goiás, e Carlos Viana, em Minas Gerais.
Governistas também enfrentam disputas acirradas
Enquanto candidatos identificados com o bolsonarismo avançaram em algumas pesquisas, nomes associados ao governo Lula também enfrentam disputas competitivas em diferentes estados.
Um dos exemplos citados é o de Renan Calheiros, em Alagoas. Segundo levantamentos mencionados pelo SBT News, o senador aparece em cenário de disputa pela reeleição diante de outros candidatos, entre eles Arthur Lira e Marina JHC.
A situação demonstra que a eleição para o Senado não se resume a uma disputa nacional entre dois grupos. Cada estado possui uma dinâmica própria, com alianças regionais, candidatos competitivos e questões locais que podem influenciar a decisão do eleitor.
Em algumas unidades da Federação, candidatos podem receber apoio de partidos que, em âmbito nacional, adotam posições diferentes das alianças estabelecidas regionalmente.
Pesquisas exigem cautela na reta final
Apesar das mudanças observadas, pesquisas eleitorais não devem ser interpretadas como resultados antecipados. A disputa pelo Senado apresenta particularidades que podem aumentar a volatilidade nos levantamentos.
O eleitor escolhe dois nomes, e a ordem dos candidatos pode variar conforme a metodologia utilizada. Além disso, parte do eleitorado costuma definir o voto para cargos legislativos mais próximo da eleição.
Outro fator é a existência de diferentes pesquisas em cada estado, realizadas em períodos distintos. Uma sondagem divulgada semanas antes da votação pode apresentar um cenário diferente daquele encontrado em um levantamento feito nos últimos dias de campanha.
Por isso, os números devem ser considerados dentro do contexto de cada pesquisa, sem serem tratados como garantia de resultado.
Eleição será decisiva para a composição política de 2027
Com 54 cadeiras em disputa, a eleição de outubro terá peso significativo na formação do Senado para os próximos anos.
O avanço de candidatos identificados com o bolsonarismo em parte das pesquisas alterou o equilíbrio observado no começo da campanha e colocou em evidência a possibilidade de uma Casa com maior presença de parlamentares alinhados à direita.
Ao mesmo tempo, candidatos próximos ao governo Lula e nomes sem alinhamento automático com os dois principais campos continuam competitivos em diversos estados.
O resultado definitivo, porém, será conhecido somente após a votação de 4 de outubro e a apuração oficial da Justiça Eleitoral.
Até lá, novas pesquisas podem modificar o cenário registrado atualmente, e as campanhas ainda terão os últimos dias para apresentar propostas, mobilizar eleitores e consolidar suas alianças.
O que está em disputa não é apenas a renovação de 54 cadeiras, mas também a composição política do Senado que atuará a partir de 2027. Por isso, a eleição para a Casa Alta deverá permanecer entre os principais focos da reta final das eleições gerais de 2026.
Com informações do SBT News e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).













