Ronaldo Caiado, candidato à Presidência da República pelo PSD, voltou a apresentar nesta terça-feira (22) propostas voltadas ao combate ao crime organizado e à atuação de facções criminosas no Brasil. Durante uma agenda política em Morrinhos, no sul de Goiás, o ex-governador afirmou que uma eventual gestão federal sob seu comando teria como uma das prioridades a retomada de áreas que, segundo ele, estão sob influência de organizações criminosas.
Ao falar com a imprensa antes de uma carreata, Caiado declarou que considera haver uma perda de controle do Estado em parte do território brasileiro. “A soberania brasileira hoje está entregue, em grande parte do território brasileiro, às facções criminosas, onde o Estado não entra”, afirmou o candidato.
A declaração faz parte de uma agenda de segurança pública que vem ocupando espaço central no discurso eleitoral de Caiado. Entre as propostas apresentadas pelo candidato estão mudanças no tratamento jurídico das organizações criminosas, maior integração entre forças de segurança e ações coordenadas nas regiões de fronteira.
Proposta de retomada de territórios
A ideia de recuperar áreas sob influência de grupos criminosos já havia sido apresentada por Caiado durante a campanha. Em agosto, o candidato apresentou o que chamou de “Operação Reconquista”, um plano voltado à segurança pública que prevê medidas para recuperar territórios dominados pelo crime organizado e ampliar a atuação do Estado.
Segundo o programa divulgado pelo partido, a proposta inclui mudanças legislativas, ações de inteligência e integração entre diferentes forças de segurança. O candidato também defende a criação de um Ministério da Segurança Pública com atuação específica na área.
A proposta parte da avaliação de Caiado de que determinadas regiões brasileiras enfrentam dificuldades para garantir a presença permanente do poder público diante da atuação de organizações criminosas.
O tema da retomada territorial também aparece em iniciativas recentes do governo federal. No início de setembro, o Ministério da Justiça e Segurança Pública e o governo do Rio de Janeiro assinaram acordos de cooperação para integrar forças federais e estaduais no enfrentamento a organizações criminosas e na retomada de áreas sob influência desses grupos.
Portanto, a discussão sobre presença do Estado em áreas afetadas pelo crime organizado não está restrita à campanha de Caiado. Diferentes governos e instituições de segurança vêm discutindo formas de ampliar a integração entre as forças policiais e reduzir a capacidade de atuação das organizações criminosas.
Classificação de facções como terroristas
Outro ponto defendido por Caiado é a classificação de organizações criminosas como grupos terroristas.
O candidato já afirmou que pretende encaminhar ao Congresso Nacional uma proposta para estabelecer esse enquadramento no ordenamento jurídico brasileiro. Segundo ele, a medida seria aplicada às organizações responsáveis por crimes graves e permitiria uma atuação mais ampla do Estado.
A proposta ganhou espaço no debate político depois que os Estados Unidos passaram a classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Caiado, porém, sustenta que uma eventual decisão brasileira deve ser tomada pelo próprio país.
Em declaração feita anteriormente, o candidato afirmou que a decisão brasileira “não depende” de autoridades europeias ou norte-americanas. Ele também defendeu que o país utilize sua própria estrutura de segurança e inteligência para enfrentar o narcotráfico.
A classificação proposta por Caiado é uma questão que dependeria de mudanças legislativas e, portanto, envolveria discussão e aprovação no Congresso Nacional.
Fronteiras entram no plano de segurança
Além da atuação dentro do território nacional, Caiado defende o fortalecimento da segurança nas fronteiras brasileiras.
O candidato afirmou que pretende estabelecer convênios com países que fazem divisa com o Brasil para ampliar o intercâmbio de informações e combater atividades criminosas que atravessam as fronteiras nacionais.
A proposta está relacionada ao argumento de que o tráfico de drogas, armas e outros crimes organizados possuem características transnacionais. Para enfrentar essas redes, o candidato defende maior integração entre os países vizinhos.
Em propostas apresentadas anteriormente, Caiado também mencionou a criação de uma estrutura de cooperação policial entre países sul-americanos, denominada por ele de “Sulpol”. A ideia seria ampliar o compartilhamento de informações de inteligência e facilitar a cooperação entre as autoridades dos países da região.
Ao mesmo tempo, o candidato afirma que qualquer cooperação internacional deve respeitar a soberania dos países envolvidos.
Soberania brasileira
A defesa da soberania nacional apareceu novamente no discurso feito em Morrinhos.
Caiado afirmou que não aceitará o que chamou de “ingerência de qualquer outro país” em relação ao território brasileiro. A declaração ocorre em um momento no qual o combate ao crime organizado também envolve discussões internacionais, especialmente depois das medidas adotadas pelos Estados Unidos contra organizações criminosas brasileiras.
A questão da soberania também está presente no debate político nacional. Em discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas nesta terça-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a soberania brasileira e destacou a necessidade de cooperação internacional para combater o crime organizado, ao mesmo tempo em que rejeitou uma atuação externa sobre questões internas do país.
Em relação às organizações criminosas, Lula tem defendido ações conjuntas entre União, estados e municípios. Na semana passada, por exemplo, o governo federal anunciou, junto ao governo do Rio de Janeiro, medidas para integrar forças de segurança e retomar áreas sob influência de grupos criminosos.
Crime organizado como desafio nacional
O avanço das organizações criminosas é um dos principais temas da segurança pública brasileira. A atuação desses grupos envolve diferentes tipos de crimes, incluindo tráfico de drogas, tráfico de armas, lavagem de dinheiro e controle de atividades econômicas ilegais.
Operações recentes demonstram a dimensão nacional do problema. Em 16 de setembro, a Polícia Federal informou que a Operação Força Integrada IV mobilizou 20 bases das Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCOs) em 19 estados. A ação resultou no cumprimento de 106 mandados de prisão e 173 mandados de busca e apreensão, além de medidas patrimoniais superiores a R$ 508 milhões.
As ações integradas têm como objetivo justamente reunir informações e recursos de diferentes instituições para atingir não apenas integrantes diretamente envolvidos nas atividades criminosas, mas também estruturas financeiras e logísticas utilizadas pelas organizações.
Esse tipo de estratégia é apontado por autoridades de segurança como importante para reduzir a capacidade de funcionamento das facções.
Agenda em Goiás
A declaração de Caiado ocorreu durante uma agenda política em Morrinhos, onde o candidato participou de uma carreata e reforçou também o apoio ao governador Daniel Vilela, candidato à reeleição em Goiás.
Durante a passagem pelo município, Caiado destacou sua experiência à frente do governo estadual e afirmou que pretende apresentar aos eleitores de outras regiões do país resultados de sua gestão em Goiás.
Além de Morrinhos, estavam previstas atividades em Buriti Alegre e uma reunião política em Luziânia, no Entorno do Distrito Federal. Segundo a assessoria do candidato, parte da programação foi cancelada em razão do mau tempo.
Segurança como tema da eleição
A segurança pública vem ocupando espaço relevante na campanha presidencial de 2026. Caiado tem utilizado sua experiência como ex-governador de Goiás para defender propostas relacionadas à integração policial, inteligência, combate ao narcotráfico e proteção das fronteiras.
A ideia de recuperar territórios sob influência de facções está entre os principais pontos de seu programa para a área.
Na prática, as propostas apresentadas pelo candidato envolvem diferentes níveis de atuação: mudanças na legislação, integração entre forças estaduais e federais, cooperação com países vizinhos, fortalecimento das fronteiras e ações contra estruturas financeiras das organizações criminosas.
O debate sobre essas medidas ainda depende da discussão política e legislativa caso sejam levadas adiante. Algumas propostas exigiriam mudanças na legislação e eventual aprovação do Congresso Nacional.
Enquanto a campanha avança, o combate ao crime organizado permanece como uma das questões centrais da segurança pública brasileira. A disputa eleitoral deverá apresentar diferentes estratégias para enfrentar o problema, cabendo aos eleitores analisar as propostas, seus mecanismos de implementação e suas implicações dentro das instituições brasileiras.
Em Morrinhos, Caiado resumiu sua proposta de segurança na ideia de fortalecer novamente a presença do Estado em áreas onde, segundo sua avaliação, as organizações criminosas ganharam espaço. A partir de agora, o tema deverá continuar presente no debate eleitoral e nas discussões sobre o futuro da segurança pública no país.















