Lazzo Matumbi começa outubro celebrando a música, a ancestralidade e a identidade cultural da Bahia. O cantor e compositor baiano inicia nesta semana a divulgação do álbum audiovisual “Matumbi canta a Bahia”, projeto gravado ao vivo em julho na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, em Salvador, que reúne canções autorais e obras de importantes compositores baianos e brasileiros. O primeiro lançamento dessa nova fase será o single “Matumbi”, previsto para chegar às plataformas digitais nesta sexta-feira (2).
A música escolhida para abrir os trabalhos promocionais do projeto carrega um significado especial. Composta por Lazzo Matumbi em parceria com Manno Góes, diretor artístico do espetáculo e também responsável pela produção musical, “Matumbi” destaca a presença e a influência africana na formação cultural da Bahia.
A escolha não acontece por acaso. Ao longo de sua trajetória, Lazzo construiu uma carreira profundamente ligada à valorização da cultura negra, à música afro-baiana e às manifestações que ajudaram a transformar Salvador em uma das principais referências culturais do Brasil. Sua voz se tornou uma das expressões marcantes desse movimento, especialmente na consolidação de gêneros como o samba-reggae e o reggae produzido na Bahia.
O novo álbum nasce justamente desse encontro entre memória, identidade e música. Gravado no dia 24 de julho, na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, o espetáculo “Matumbi canta a Bahia” foi conduzido musicalmente pelo maestro Ubiratan Marques e reuniu diferentes gerações e vertentes da música baiana.
A apresentação também marcou uma celebração importante na vida artística de Lazzo: os 45 anos de sua carreira solo.
Uma trajetória construída com identidade
Antes de iniciar sua carreira individual, Lazzo Matumbi já havia estabelecido uma relação profunda com o movimento musical afro-baiano. Entre 1978 e 1980, integrou o Ilê Aiyê, um dos mais importantes blocos afro do Brasil. Na época, ficou conhecido como Lazinho do Ilê e também como Lazinho Diamante Negro.
A experiência foi fundamental para sua formação artística e para a construção de uma identidade musical que acompanharia sua carreira durante décadas. Ao deixar o grupo, Lazzo iniciou oficialmente sua trajetória solo em 1981, quando lançou um single com as músicas autorais “Salve a Jamaica (Homenagem a Bob Marley)” e “Guarajuba”.
Desde então, sua produção artística passou a transitar por diferentes sonoridades, sempre mantendo forte conexão com a cultura afro-brasileira e com questões relacionadas à identidade, à ancestralidade e à realidade social.
Essa característica ajudou a consolidar Lazzo como uma voz importante da música afro-baiana. Seu trabalho também contribuiu para a expansão do samba-reggae, gênero que se tornou uma das marcas culturais de Salvador e ganhou projeção nacional e internacional.
Mais do que um intérprete, Lazzo se tornou um artista associado à valorização da cultura negra e à defesa de uma música que reconhece suas raízes africanas.
“Matumbi” abre uma nova etapa
O single “Matumbi” representa uma síntese desse percurso. A música destaca a influência da África na formação da cultura baiana e estabelece uma conexão direta entre passado e presente.
Ao escolher a faixa como primeiro lançamento do álbum audiovisual, Lazzo apresenta ao público uma espécie de porta de entrada para o universo de “Matumbi canta a Bahia”. O projeto pretende mostrar a riqueza da produção musical do estado por meio de um repertório que reúne diferentes épocas, estilos e compositores.
A direção artística de Manno Góes ajuda a construir esse caminho. Além de atuar na concepção do espetáculo, ele divide com Lazzo a autoria de “Matumbi” e assina a produção musical da gravação.
A proposta é apresentar uma Bahia plural, marcada pelo encontro de culturas e pela presença permanente da herança africana em sua música, religiosidade, linguagem e manifestações populares.
Repertório atravessa gerações
O repertório escolhido para o espetáculo demonstra a amplitude da homenagem. Lazzo revisita músicas de sua própria autoria e também interpreta obras que se tornaram referências da música brasileira.
Entre as canções autorais estão “Alegria da cidade”, lançada em 1988, e “14 de maio”, de 2021. As duas foram compostas por Lazzo em parceria com o poeta e compositor Jorge Portugal, morto em 2020.
“14 de maio” ganhou significado particular por abordar questões relacionadas à população negra e à história brasileira. Já “Alegria da cidade” integra uma fase importante da trajetória de Lazzo e se tornou uma das composições associadas ao repertório do artista.
O espetáculo também resgata obras de outros compositores. Entre elas estão “Brasil pandeiro”, de Assis Valente; “São Salvador”, de Dorival Caymmi; “Sim / Não”, de Caetano Veloso; “É d’Oxum”, de Gerônimo Santana e Vevé Calazans; e “Negrume da noite”, de Paulinho do Reco e Cuiuba.
A presença dessas músicas reforça a ideia de que a Bahia não pode ser compreendida por meio de um único gênero ou de uma única geração. São diferentes expressões que se encontram em um mesmo território cultural.
Encontro de gerações no palco
A gravação do álbum audiovisual também contou com participações especiais que ampliaram a dimensão do projeto. Lazzo dividiu o palco com BNegão, a banda BaianaSystem, o Coro MultiVox, Rachel Reis e o rapper Ravi Lobo.
O Coro MultiVox participou sob a regência do maestro Ângelo Rafael Palma da Fonseca, acrescentando uma dimensão coletiva ao espetáculo.
A reunião desses artistas também revela como a influência de Lazzo ultrapassa gerações. De nomes ligados à tradição da música afro-baiana a artistas contemporâneos, diferentes linguagens encontram espaço no projeto.
Essa diversidade dialoga diretamente com a própria trajetória do cantor. Ao longo de 45 anos de carreira solo, Lazzo acompanhou transformações profundas na música brasileira e, ao mesmo tempo, manteve uma identidade artística reconhecível.
A Bahia como patrimônio musical
“Matumbi canta a Bahia” surge, assim, como mais do que uma gravação comemorativa. O projeto funciona como um registro audiovisual de parte da memória musical do estado e da relação entre diferentes gerações de compositores e intérpretes.
A escolha da Concha Acústica do Teatro Castro Alves para a gravação também reforça esse caráter simbólico. O espaço é tradicionalmente associado a grandes apresentações da música brasileira e recebeu ao longo dos anos artistas de diferentes estilos.
Para Lazzo, retornar ao palco em um momento tão significativo da carreira representa uma oportunidade de revisitar sua própria história e, ao mesmo tempo, olhar para as raízes que ajudaram a formar sua identidade.
O primeiro single, “Matumbi”, chega ao público nesta sexta-feira (2), abrindo o ciclo de divulgação do álbum audiovisual.
Ao colocar a África no centro de sua narrativa, Lazzo Matumbi reafirma uma característica que acompanha sua carreira desde os primeiros passos: a compreensão de que a música também é memória, identidade e pertencimento.
A Bahia apresentada por Lazzo é uma Bahia de muitas vozes. É o território de Dorival Caymmi, Assis Valente, Caetano Veloso, Gerônimo, Jorge Portugal e tantos outros compositores, mas também é a Bahia dos blocos afro, do samba-reggae, do reggae, das novas gerações e das manifestações que continuam renovando a cultura brasileira.
Aos 45 anos de carreira solo, Lazzo Matumbi transforma sua própria trajetória em uma celebração coletiva. “Matumbi canta a Bahia” olha para o passado sem deixar de dialogar com o presente e mostra que, na música, a ancestralidade não é apenas lembrança: é uma força que continua criando novos caminhos.















