O dólar abriu a sessão desta quinta-feira (1º) em alta diante de um cenário internacional marcado pela valorização do petróleo e de um ambiente doméstico de maior atenção aos acontecimentos políticos às vésperas do primeiro turno das eleições. Por volta das 9h10, a moeda americana avançava 0,24%, cotada a R$ 5,1862.
O movimento ocorre em uma manhã de maior cautela nos mercados globais. No exterior, os investidores acompanham a escalada das tensões no Oriente Médio, enquanto os preços do petróleo voltaram a superar a marca de US$ 100 por barril. Ao mesmo tempo, os mercados continuam avaliando os próximos passos do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, depois da divulgação de novos dados de inflação.
No Brasil, o mercado financeiro também acompanha os desdobramentos da reta final da campanha eleitoral. O Datafolha divulga nesta quinta-feira uma nova pesquisa de intenção de voto para a Presidência da República, enquanto está previsto para a noite o debate entre candidatos na TV Globo. O levantamento é contratado pela Globo e pelo jornal Folha de S.Paulo.
A combinação de fatores externos e internos ajuda a explicar o comportamento mais cauteloso do câmbio no início do mês.
Petróleo volta a pressionar os mercados
Um dos principais pontos de atenção nesta quinta-feira é o comportamento do petróleo. O barril do Brent, referência internacional, avançava cerca de 2,5%, negociado próximo de US$ 100,50, enquanto o WTI, referência nos Estados Unidos, subia aproximadamente 1,8%, para pouco mais de US$ 92.
A alta ocorre em meio à continuidade das tensões no Oriente Médio e a preocupações relacionadas ao transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas utilizadas para o escoamento de energia no mundo.
Segundo informações divulgadas pela Reuters com base no serviço de inteligência marítima Marisks, três petroleiros de bandeira liberiana foram atingidos por projéteis enquanto navegavam pelo Estreito de Ormuz. A origem dos disparos ainda não havia sido identificada.
O episódio aumenta a preocupação dos investidores com a segurança da navegação na região. Qualquer interrupção prolongada do fluxo de petróleo e derivados pode elevar os custos de energia em diferentes mercados e, consequentemente, aumentar as pressões inflacionárias.
A preocupação se soma a outros fatores que já vinham mantendo o petróleo em níveis elevados. Segundo a Reuters, o Brent acumulou alta de aproximadamente 42% no terceiro trimestre, impulsionado pelas tensões geopolíticas e pelas dificuldades nas negociações entre Estados Unidos e Irã.
Para países importadores, uma alta prolongada do petróleo pode representar aumento nos custos de combustíveis e de transporte. No Brasil, embora a produção nacional de petróleo seja relevante, os efeitos internacionais da commodity também podem influenciar expectativas de inflação, preços de combustíveis, empresas e o próprio comportamento do câmbio.
Oriente Médio continua no radar
A situação no Golfo Pérsico permanece entre os principais fatores de risco acompanhados pelos mercados.
O Irã voltou a defender a continuidade das negociações com os Estados Unidos, mesmo diante da escalada das tensões militares. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que o país não pretende abandonar o diálogo.
Ao mesmo tempo, autoridades iranianas vêm alertando que uma continuidade dos bloqueios e das restrições às exportações poderia provocar novas medidas relacionadas ao transporte de petróleo na região.
O Estreito de Ormuz tem importância estratégica porque concentra uma parcela significativa do transporte mundial de petróleo e gás. Por isso, qualquer ameaça à navegação na região tende a provocar reação imediata nos preços internacionais da energia.
A Reuters informou nesta quinta-feira que os fluxos de petróleo e gás pelo Golfo continuam afetados pela crise, embora parte das exportações da região tenha apresentado recuperação.
Inflação nos Estados Unidos traz algum alívio
Outro elemento importante para os mercados nesta quinta-feira são os dados de inflação dos Estados Unidos.
O índice de preços de gastos com consumo pessoal, conhecido como PCE, avançou 0,3% em agosto, abaixo da estimativa de 0,4% dos economistas consultados pela Reuters. Na comparação anual, o indicador subiu 3,4%, também abaixo da expectativa de 3,7%.
O chamado núcleo do PCE, que exclui alimentos e energia, avançou 0,2% no mês e acumulou alta de 3% em 12 meses.
O resultado reduziu, pelo menos momentaneamente, a pressão sobre o Federal Reserve para promover uma nova elevação dos juros já na reunião de outubro.
O Fed, entretanto, mantém a inflação como uma de suas principais preocupações. A meta oficial da instituição é de 2% ao ano, e o índice permanece significativamente acima desse nível.
A divulgação do PCE também teve impacto sobre os mercados de juros americanos. As apostas em uma nova elevação da taxa em outubro diminuíram após a divulgação dos números, embora os investidores continuem considerando possíveis novos aumentos até o fim do ano.
Juros americanos influenciam o mercado brasileiro
As decisões do Federal Reserve têm reflexos importantes sobre economias emergentes, incluindo o Brasil.
Quando os juros americanos permanecem elevados, investimentos em ativos dos Estados Unidos podem se tornar mais atrativos para investidores internacionais. Isso pode influenciar o fluxo de recursos para países emergentes e, consequentemente, afetar moedas como o real.
Por outro lado, uma redução nas expectativas de novas altas dos juros americanos pode aliviar parte dessa pressão.
O cenário, porém, continua complexo porque a alta do petróleo pode contribuir para uma inflação mais persistente nos Estados Unidos. Esse fator pode dificultar uma mudança mais rápida na política monetária americana.
Na quarta-feira, o rendimento dos títulos de dez anos do Tesouro americano chegou a 5,34%, maior nível desde 2002, antes de recuar para a região de 5,28%. A alta dos juros dos títulos americanos vem sendo acompanhada com atenção pelos mercados globais.
Mercado brasileiro entra em outubro com desempenho positivo
Apesar da alta do dólar nesta abertura, o mercado brasileiro encerrou setembro com desempenho positivo.
O dólar acumula queda de aproximadamente 5,7% no ano. Na semana, até o fechamento anterior, a moeda registrava baixa de 0,13%, enquanto no acumulado de setembro havia queda de aproximadamente 0,10%.
O Ibovespa, por sua vez, vinha de um desempenho mais forte. O principal índice da Bolsa brasileira acumulava alta de 1,56% na semana, 5,03% no mês e 15,65% no ano, segundo os números apresentados para a abertura desta quinta-feira.
As negociações do Ibovespa começam às 10h, e os investidores devem acompanhar principalmente o comportamento das ações ligadas a commodities, bancos e empresas mais sensíveis ao cenário internacional.
Eleições entram no radar dos investidores
No ambiente doméstico, a proximidade do primeiro turno das eleições presidenciais também influencia as expectativas dos agentes financeiros.
O Datafolha divulga nesta quinta-feira uma nova pesquisa de intenção de voto para a Presidência. O levantamento foi realizado entre 28 de setembro e 1º de outubro e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A pesquisa é considerada um retrato do momento em que as entrevistas foram realizadas e não constitui previsão do resultado eleitoral.
A divulgação ocorre no mesmo dia em que está previsto o debate presidencial na TV Globo. O cenário eleitoral pode provocar oscilações nos mercados à medida que investidores avaliam possíveis impactos das propostas dos candidatos sobre contas públicas, inflação, juros, câmbio e atividade econômica.
Por se tratar de um tema politicamente sensível, os mercados podem reagir não apenas aos números das pesquisas, mas também às declarações dos candidatos e às expectativas em torno das políticas econômicas apresentadas durante a reta final da campanha.
Bolsas internacionais têm comportamento misto
No mercado asiático, o destaque positivo ficou com o Japão. O índice Nikkei avançou mais de 3% nesta quinta-feira, impulsionado principalmente pelo desempenho de empresas ligadas ao setor de tecnologia.
Os resultados da fabricante de chips Micron Technology ajudaram a melhorar o humor dos investidores em relação aos investimentos relacionados à inteligência artificial. O Kospi, da Coreia do Sul, também registrou alta.
A Reuters informou que os compromissos de fornecimento de chips de memória para aplicações de inteligência artificial anunciados pela Micron alcançaram US$ 32 bilhões, contribuindo para o avanço dos índices acionários asiáticos.
Na Europa, entretanto, o ambiente foi mais pressionado pela alta dos rendimentos dos títulos públicos e pelas preocupações com os efeitos do petróleo sobre a inflação.
O que acompanhar ao longo do dia
Com a abertura de outubro, os investidores brasileiros terão uma agenda carregada de eventos capazes de influenciar o câmbio e a Bolsa.
Entre os principais pontos estão a evolução dos preços do petróleo, novos desdobramentos no Oriente Médio, os movimentos dos juros americanos e o comportamento dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos.
No Brasil, a divulgação da nova pesquisa Datafolha e o debate presidencial também estarão no centro das atenções.
O desempenho do dólar ao longo do dia dependerá, portanto, de uma combinação de fatores externos e internos. De um lado, a valorização do petróleo e as tensões geopolíticas aumentam a cautela. De outro, dados de inflação americanos mais moderados reduzem, pelo menos no curto prazo, parte da pressão sobre os juros dos Estados Unidos.
Com o primeiro turno das eleições se aproximando, o mercado brasileiro entra em uma fase de maior sensibilidade às informações políticas e econômicas. Para o investidor, o cenário desta quinta-feira reforça a importância de acompanhar simultaneamente os acontecimentos domésticos e os movimentos do mercado internacional.













