O funk carioca chega às telas do cinema em uma história de ficção que busca unir música, família, identidade e os conflitos existentes por trás de uma das manifestações culturais mais marcantes do Rio de Janeiro. O filme “Funk”, dirigido por Aly Muritiba e protagonizado pela atriz Duda Santos, terá suas primeiras sessões no Brasil durante o Festival do Rio 2026, na mostra Première Brasil.
A estreia nacional está marcada para este sábado (3), no Rio de Janeiro, cidade que também serve como cenário e elemento fundamental para a construção da narrativa. No longa, Duda Santos interpreta MC Sabrina, uma jovem cantora de funk que tenta encontrar seu próprio caminho enquanto enfrenta uma relação complicada com a mãe, MC Priscila, personagem interpretada pelo cantor MC Nem.
A escolha do Rio de Janeiro para a estreia brasileira ganha um significado especial. O filme retrata um universo diretamente ligado à cultura carioca e ao desenvolvimento do funk, gênero musical que nasceu e se transformou nas comunidades da cidade, conquistando posteriormente espaço em todo o Brasil e também no exterior.
Duda Santos interpreta jovem cantora de funk
Conhecida pelo público brasileiro principalmente por seus trabalhos na televisão, Duda Santos assume um personagem que representa uma realidade diferente de suas experiências anteriores na dramaturgia.
A atriz ganhou projeção nacional ao participar da novela “Garota do Momento”, exibida entre 2024 e 2025, e atualmente integra o elenco de “A Nobreza do Amor”, produção de 2026.
Em “Funk”, ela interpreta Sabrina, uma jovem artista carioca que busca construir sua identidade dentro da música enquanto convive com o peso da história familiar.
Sabrina é filha de MC Priscila, uma artista pioneira no universo do funk. A relação entre as duas é marcada por conflitos e diferenças, criando um dos principais eixos dramáticos da produção.
As duas vivem no Morro dos Prazeres, comunidade localizada em Santa Teresa, no Rio de Janeiro. É nesse ambiente que a personagem principal convive com os desafios pessoais, familiares e profissionais que acompanham sua tentativa de se afirmar como cantora.
A relação entre mãe e filha, portanto, ultrapassa o conflito familiar. O filme também trabalha a passagem de uma geração para outra e as diferentes maneiras de enxergar a música, a carreira artística e a própria trajetória dentro do funk.
Uma história sobre música e identidade
Embora o título do filme faça referência direta ao gênero musical, a produção não se limita a apresentar performances ou momentos relacionados à carreira de uma cantora.
A história acompanha uma jovem que precisa lidar com suas próprias escolhas e, ao mesmo tempo, com a influência de uma mãe que possui uma trajetória anterior dentro do mesmo universo musical.
Esse contraste cria espaço para discutir temas como identidade, reconhecimento, relações familiares e o desejo de conquistar autonomia.
Sabrina carrega consigo uma herança artística, mas também precisa descobrir o que deseja fazer com ela. A personagem não aparece apenas como filha de uma cantora conhecida dentro da comunidade, mas como uma jovem que busca estabelecer sua própria voz.
A música funciona, nesse sentido, como parte importante da construção da personagem. O funk não é apenas trilha sonora para a história: ele está inserido na vida dos personagens, no território onde vivem e na maneira como se relacionam com o mundo.
Participação de nomes ligados ao funk
O elenco de “Funk” também reúne artistas que possuem ligação direta com a música brasileira contemporânea.
Entre os nomes estão TZ da Coronel e Lellê, que ajudam a aproximar a produção cinematográfica do universo musical retratado na história.
A presença de artistas ligados ao funk contribui para conferir maior conexão entre a ficção e a realidade cultural que serve de inspiração para o longa.
O filme também aposta na presença de intérpretes que conhecem de perto o ambiente musical apresentado na narrativa, criando uma combinação entre atores e nomes já conhecidos do público da música.
Essa característica reforça a proposta de apresentar o funk não apenas como um gênero musical, mas como uma manifestação cultural construída por diferentes gerações de artistas.
Filme teve estreia internacional em Nova York
Apesar de chegar agora ao público brasileiro, “Funk” já teve sua primeira exibição internacional.
O longa estreou mundialmente em junho, durante o Festival de Cinema de Tribeca, realizado em Manhattan, Nova York, nos Estados Unidos.
A participação em um dos eventos cinematográficos de maior visibilidade internacional colocou a produção brasileira em contato com o público e a crítica fora do país antes de sua chegada às salas e festivais brasileiros.
A estreia internacional também evidencia a capacidade de histórias relacionadas à cultura brasileira de encontrar espaço em eventos cinematográficos fora do país.
Depois da passagem por Nova York, a produção chega ao Brasil justamente por meio de um dos principais festivais de cinema do país.
Festival do Rio recebe a estreia brasileira
O Festival do Rio 2026 reúne uma programação diversificada, com filmes nacionais e internacionais, além de produções que exploram diferentes momentos e personagens da cultura brasileira.
Dentro da mostra Première Brasil, “Funk” aparece como uma das produções de ficção que dialogam diretamente com a música popular brasileira.
O festival também apresenta documentários dedicados a nomes importantes da música nacional, incluindo produções sobre artistas como Aldir Blanc, Belchior, Elza Soares, Maria Alcina e Ney Matogrosso.
Nesse cenário, a presença de “Funk” acrescenta uma perspectiva ficcional ao conjunto de produções relacionadas à música.
A escolha do Rio para receber a estreia brasileira também possui uma dimensão simbólica. A cidade é diretamente associada à história e à evolução do funk carioca, que ao longo das últimas décadas deixou de ser restrito a determinados territórios e passou a ocupar espaços cada vez maiores na indústria cultural.
O funk como expressão cultural
O gênero retratado pelo filme possui uma trajetória marcada por transformações. Surgido a partir de influências musicais diversas e desenvolvido nas comunidades do Rio de Janeiro, o funk passou por diferentes fases até alcançar o mercado nacional e posteriormente conquistar públicos em outros países.
Ao longo desse processo, os artistas do gênero passaram a ocupar palcos maiores, participar de grandes festivais e estabelecer novas relações com a indústria fonográfica.
A trajetória também foi acompanhada por debates sobre preconceito, desigualdade social, liberdade artística e representação das comunidades.
Ao colocar uma cantora de funk no centro da narrativa, o filme de Aly Muritiba se aproxima desse universo por meio de uma história familiar e pessoal.
A personagem Sabrina representa uma nova geração de artistas que cresce em contato com uma cultura musical construída por aqueles que vieram antes dela.
Uma nova perspectiva sobre o gênero
A produção também chama atenção por apresentar o funk a partir de uma narrativa cinematográfica ficcional, em vez de seguir o formato tradicional de documentário.
Essa escolha permite que questões relacionadas à música sejam exploradas por meio dos sentimentos e conflitos dos personagens.
A relação entre Sabrina e sua mãe funciona como ponto de partida para discutir legado, expectativas e liberdade de escolha. Ao mesmo tempo em que a protagonista recebe uma herança artística, ela precisa encontrar uma maneira própria de se expressar.
É nesse equilíbrio entre passado e futuro que a história encontra seu principal conflito.
Para Duda Santos, o papel representa ainda uma oportunidade de mostrar ao público uma faceta diferente de seu trabalho como atriz, assumindo uma personagem inserida em um universo musical e social bastante específico.
Estreia aproxima cinema e música brasileira
A chegada de “Funk” ao Festival do Rio reforça a presença da música brasileira no cinema e mostra como diferentes linguagens podem se encontrar para contar histórias sobre cultura, território e relações humanas.
Ao escolher o funk como elemento central de sua narrativa, o filme coloca no centro da história personagens que vivem uma realidade marcada pela música e pelas transformações sociais do Rio de Janeiro.
A estreia nacional neste sábado (3) representa, portanto, mais do que a chegada de uma nova produção às telas brasileiras. É também a oportunidade de acompanhar uma história que utiliza o universo do funk para falar sobre família, juventude, sonhos e a busca por uma identidade própria.
Com Duda Santos no papel principal, participação de artistas como TZ da Coronel e Lellê e direção de Aly Muritiba, “Funk” chega ao Festival do Rio depois de passar por Nova York e encontra no Rio de Janeiro o cenário mais simbólico possível para iniciar sua trajetória diante do público brasileiro.















