O Congresso Nacional que tomará posse em 2027 terá uma presença expressiva de parlamentares com trajetória profissional ligada à segurança pública. Ao menos 42 deputados federais e nove senadores eleitos nas eleições de 2026 têm origem em forças de segurança, segundo levantamento que cruzou informações declaradas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com resultados eleitorais e dados de disputas anteriores.
Somados, os números representam mais de 50 parlamentares com atuação anterior ou vínculo profissional com áreas como Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Federal, Forças Armadas, Corpo de Bombeiros Militar e carreiras militares. O grupo deverá ocupar um espaço importante nas discussões do Congresso entre 2027 e 2030.
A presença desses parlamentares chama atenção principalmente porque a segurança pública é uma das áreas que tradicionalmente mobilizam debates no Legislativo. Temas como endurecimento de penas, combate ao crime organizado, sistema prisional, policiamento, legislação sobre armas e valorização das forças de segurança devem continuar entre os assuntos de maior destaque.
Câmara terá ao menos 42 representantes
Na Câmara dos Deputados, pelo menos 42 eleitos possuem trajetória ligada a alguma força de segurança. O número representa uma pequena redução em relação às eleições de 2022, quando 44 candidatos com esse perfil conseguiram uma vaga na Casa.
Apesar da leve queda, o resultado mantém a chamada bancada da segurança como uma das forças temáticas relevantes dentro do Congresso.
Entre os 42 eleitos, pelo menos 29 já ocupavam cadeiras no Congresso e conseguiram renovar seus mandatos. Entre eles estão nomes conhecidos do eleitorado nacional, como Capitão Augusto (PL-SP), Sargento Fahur (PL-PR) e General Girão (PL-RN).
A permanência desses parlamentares indica que parte significativa da representação ligada à segurança pública continuará atuando na Câmara a partir de 2027.
Também haverá parlamentares que retornam ao Legislativo depois de terem sido derrotados em eleições anteriores. É o caso de Subtenente Gonzaga (PL-MG) e Delegado Francischini (PL-PR), que conseguiram reconquistar uma cadeira na Câmara.
Novos nomes chegam ao Congresso
Além dos parlamentares que foram reeleitos ou estão retornando à Casa, a próxima legislatura também terá novos representantes oriundos das forças de segurança.
Pelo menos dez eleitos chegarão à Câmara dos Deputados pela primeira vez.
Entre os novos nomes estão Sargento Nantes (PP-SP), vereador de São Paulo, e Sargento Salazar (PL-AM), vereador de Manaus. Também integram a lista o ex-secretário de Segurança Pública de Mato Grosso, Coronel Roveri (Podemos-MT), e o ex-secretário da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Felipe Curi (PP-RJ).
A chegada desses novos parlamentares poderá ampliar a diversidade de experiências dentro da bancada, reunindo representantes que atuaram diretamente nas ruas, em delegacias, estruturas administrativas e órgãos de segurança pública.
Senado registra crescimento ainda maior
Se na Câmara houve relativa estabilidade, o cenário é diferente no Senado Federal.
Ao menos nove senadores eleitos em 2026 possuem origem em forças de segurança. O número representa um crescimento expressivo em comparação com a eleição anterior, quando apenas dois eleitos apresentavam esse perfil, segundo levantamento citado pelo Instituto Sou da Paz.
O crescimento está diretamente relacionado à quantidade de vagas em disputa neste ano. Em 2026, dois terços das cadeiras do Senado foram renovados, enquanto na eleição anterior apenas um terço da Casa passou pelo processo eleitoral.
Entre os nomes que chegam ao Senado está Guilherme Derrite (PP-SP), ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo. Ele recebeu 13,2 milhões de votos e se tornou, segundo o levantamento, o senador mais votado da história do Brasil em números absolutos.
Também foram eleitos Ubiratan Sanderson (PL-RS), policial federal, e Styvenson Valentim (Podemos-RN), policial militar.
Segurança pública ganha espaço político
O crescimento da representação de profissionais ligados à segurança pública ocorre em um cenário no qual o tema ocupa espaço importante nas preocupações dos eleitores.
O avanço da criminalidade, o fortalecimento de organizações criminosas e as discussões sobre policiamento e sistema penitenciário colocam a segurança pública constantemente no centro do debate nacional.
A presença de policiais, delegados, militares e outros profissionais do setor dentro do Congresso tende a influenciar diretamente a formulação de propostas relacionadas à área.
Esses parlamentares chegam ao Legislativo trazendo experiências profissionais construídas em diferentes níveis das estruturas de segurança, o que pode contribuir para debates baseados em situações vivenciadas no cotidiano das corporações.
Ao mesmo tempo, a atuação da chamada bancada da segurança também deverá provocar debates com outros grupos políticos e sociais que defendem diferentes estratégias para combater a violência.
Perfil conservador também ganha força
O novo desenho do Senado também aponta para uma maior influência de setores conservadores sobre a agenda política do Congresso.
Parte expressiva dos parlamentares oriundos das forças de segurança foi eleita por partidos alinhados à direita, embora existam representantes de diferentes correntes políticas.
Na Câmara, nomes como Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanato (PL-SP), que estão entre os deputados mais votados, também representam setores mais alinhados à direita.
Essa configuração poderá influenciar não apenas projetos relacionados à segurança pública, mas também discussões sobre economia, costumes, direitos civis, legislação penal e atuação das instituições.
Impacto nas decisões do próximo governo
O fortalecimento de determinados grupos políticos no Senado poderá ter efeitos que vão além da aprovação de projetos de lei.
A composição da Casa tem importância estratégica em processos que dependem de aprovação dos senadores, incluindo indicações feitas pelo presidente da República para cargos de destaque no Judiciário e em tribunais superiores.
Assim, a composição do Senado poderá ter influência sobre decisões políticas relevantes durante o próximo mandato presidencial, independentemente de quem assumir o Palácio do Planalto.
O resultado eleitoral também mostra que a força política de representantes ligados à segurança pública não está restrita à Câmara. A presença ampliada no Senado pode aumentar a capacidade de articulação desse grupo nas decisões nacionais.
Menos candidaturas, mas presença expressiva entre eleitos
Um dos aspectos que chama atenção no levantamento é que o aumento da representação no Senado e a estabilidade na Câmara ocorreram mesmo com uma redução no número total de candidatos ligados às forças de segurança.
Segundo os dados do TSE, foram registradas 919 candidaturas para deputado federal, deputado estadual, deputado distrital e senador declaradas por candidatos pertencentes ao setor.
Em 2022, esse número havia chegado a 1.425 candidaturas.
Mesmo com a redução de mais de 500 candidaturas, o número de eleitos continua elevado, demonstrando que os candidatos ligados à segurança pública mantiveram capacidade significativa de mobilização eleitoral.
Estados também terão representantes
A presença de profissionais da segurança não ficará concentrada apenas no Congresso Nacional.
Pelo menos 27 candidatos eleitos para Assembleias Legislativas declararam ao TSE possuir vínculo com alguma força de segurança.
O número, entretanto, pode ser ainda maior, porque alguns parlamentares reeleitos passaram a registrar como profissão atual termos como “deputado”, “deputada” ou “outros”, deixando de informar a ocupação anterior.
Isso dificulta uma identificação completamente precisa do tamanho desse grupo nos Legislativos estaduais.
Um novo cenário para 2027
A próxima legislatura começa oficialmente em fevereiro de 2027 e terá um Congresso com forte presença de representantes que construíram suas carreiras na segurança pública.
O número superior a 50 parlamentares federais ligados ao setor mostra que a área continuará tendo peso significativo na política nacional.
A expectativa é de que projetos relacionados ao combate ao crime organizado, fortalecimento das polícias, sistema prisional, legislação penal e segurança nas cidades estejam entre os temas de maior destaque.
Ao mesmo tempo, a nova composição do Congresso deverá produzir disputas políticas e debates sobre os caminhos mais eficientes para enfrentar a violência no país.
Mais do que números, a eleição de dezenas de policiais, delegados, militares, bombeiros e profissionais da segurança revela uma mensagem enviada pelas urnas: uma parcela importante do eleitorado decidiu ampliar a presença de pessoas com experiência direta na área dentro das instituições responsáveis por elaborar as leis brasileiras.
O desafio desses parlamentares, a partir de 2027, será transformar a experiência acumulada ao longo da carreira em propostas capazes de responder aos problemas concretos enfrentados pela população, equilibrando o combate à criminalidade com a garantia dos direitos previstos na Constituição.













