A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pediu ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorização para que o senador Flávio Bolsonaro (PL) possa voltar a visitá-lo. O pedido foi apresentado nesta segunda-feira (5), um dia após o primeiro turno das eleições presidenciais de 2026, no qual Flávio terminou entre os candidatos mais votados e avançou para a segunda etapa da disputa.
O requerimento foi encaminhado ao ministro, que é relator do processo relacionado à trama golpista no STF. Os advogados de Jair Bolsonaro solicitaram o restabelecimento do regime regular de visitas do ex-presidente e, de forma alternativa, pediram que seja autorizada ao menos uma visita de Flávio, exclusivamente para fins familiares.
A solicitação ocorre em um momento de forte movimentação política após a definição do segundo turno da eleição presidencial. Segundo dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Flávio Bolsonaro recebeu 56.104.268 votos, correspondentes a 47,03% dos votos válidos, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) obteve 53.876.617 votos, ou 45,16%. Os dois disputarão o segundo turno, marcado para 25 de outubro.
A diferença entre os dois candidatos foi de aproximadamente 2,2 milhões de votos. Como nenhum deles alcançou mais da metade dos votos válidos, a eleição será novamente submetida à decisão dos eleitores no segundo turno.
Defesa pede retorno das visitas familiares
No documento enviado a Alexandre de Moraes, os advogados de Jair Bolsonaro argumentam que as circunstâncias que levaram à suspensão das visitas de Flávio mudaram e que, diante do cenário atual, não haveria mais necessidade de manter um regime excepcionalmente restritivo.
A defesa solicita que o ex-presidente volte a receber familiares e outras pessoas que tenham autorização para visitá-lo, seguindo as regras anteriormente estabelecidas.
O pedido também apresenta uma alternativa caso Moraes não concorde imediatamente com o restabelecimento integral das visitas: a autorização de um único encontro entre Jair e Flávio Bolsonaro, com finalidade exclusivamente familiar.
A defesa sustenta que a convivência com familiares representa uma dimensão importante durante o período de cumprimento das determinações impostas ao ex-presidente. Segundo os advogados, a retomada das visitas poderia ocorrer sem interferir nas condições de segurança e fiscalização estabelecidas pela Justiça.
Até o momento, Alexandre de Moraes ainda não havia se manifestado sobre o novo pedido.
Visitas de Flávio foram suspensas em julho
A restrição envolvendo Flávio Bolsonaro teve início em julho. No dia 13 daquele mês, Moraes determinou a suspensão, por 90 dias, da autorização para que o senador visitasse o pai.
A medida ocorreu após um episódio envolvendo uma carta de Jair Bolsonaro lida por Flávio durante uma transmissão em uma rede social.
Segundo a decisão tomada naquele momento, o ministro entendeu que a leitura do conteúdo poderia representar descumprimento das determinações impostas ao ex-presidente, especialmente das restrições relacionadas ao uso de redes sociais.
Com isso, os encontros entre pai e filho foram suspensos.
O prazo de 90 dias estabelecido naquela decisão termina no domingo, 11 de outubro. A defesa utiliza justamente a proximidade do encerramento desse período como um dos elementos para solicitar a retomada das visitas.
Poucos dias depois, em 17 de julho, Moraes manteve a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro, mas determinou também que o ex-presidente não poderia receber visitas com finalidade político-eleitoral até o término das eleições de 2026.
A nova solicitação da defesa acontece, portanto, depois do primeiro turno, mas antes da realização da segunda etapa da eleição presidencial.
Pedido ocorre após avanço de Flávio ao segundo turno
O momento do pedido também chama atenção pelo resultado das urnas. Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno na primeira colocação, com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula ficou em segundo lugar, com 45,16%.
De acordo com o TSE, Flávio recebeu 56.104.268 votos e Lula obteve 53.876.617. A diferença foi de 2.227.651 votos.
Os números confirmaram a necessidade de um segundo turno, que será realizado no dia 25 de outubro. O TSE registrou que os dois candidatos foram os mais votados no primeiro turno e, por isso, permanecem na disputa pelo Palácio do Planalto.
A definição das urnas colocou Flávio Bolsonaro diante de uma nova etapa de campanha, enquanto seu pai permanece submetido às determinações judiciais estabelecidas no processo que tramita no Supremo.
A defesa, porém, sustenta que o encontro solicitado agora teria natureza familiar e não eleitoral.
Essa distinção é importante diante da decisão de julho que proibiu visitas com finalidade político-eleitoral até o fim das eleições. O pedido apresentado pelos advogados procura justamente enquadrar eventual encontro entre pai e filho como uma visita de caráter exclusivamente familiar.
Relação entre pai e filho no centro da solicitação
Além do contexto jurídico e eleitoral, o pedido também envolve uma dimensão pessoal. Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro possuem uma relação política e familiar conhecida, e o senador tem participado diretamente da disputa presidencial de 2026.
A defesa afirma que o restabelecimento das visitas permitiria ao ex-presidente manter o contato regular com seus familiares durante o cumprimento das medidas determinadas pela Justiça.
A solicitação não significa, entretanto, que a autorização tenha sido concedida. O pedido ainda precisa ser analisado pelo ministro Alexandre de Moraes, que poderá decidir pela retomada das visitas, pela autorização de um encontro específico ou pela manutenção das restrições atualmente existentes.
Enquanto não houver uma nova decisão, permanecem válidas as determinações anteriormente estabelecidas.
Segundo turno será disputado em 25 de outubro
Com a apuração concluída, o cenário eleitoral de 2026 entra agora em uma nova fase. O segundo turno entre Flávio Bolsonaro e Lula está marcado para 25 de outubro, quando os eleitores voltarão às urnas para escolher o próximo presidente da República.
O TSE disponibilizou os resultados oficiais do primeiro turno e confirmou a classificação dos dois candidatos para a etapa final da eleição.
A diferença registrada no primeiro turno também estabelece um cenário de disputa com dois candidatos separados por uma margem de 1,87 ponto percentual nos votos válidos. A partir de agora, as campanhas deverão concentrar esforços na busca pelo eleitorado que votou em outros candidatos no primeiro turno, além dos votos daqueles que não participaram da primeira votação.
Para Jair Bolsonaro, o resultado eleitoral coloca o filho diretamente na disputa pela Presidência enquanto o ex-presidente permanece submetido às decisões judiciais. Para Flávio, o segundo turno representa uma nova etapa da campanha e ocorre simultaneamente à tramitação de pedidos relacionados às condições de convivência familiar de seu pai.
O pedido apresentado ao STF ainda não tem decisão. A palavra final sobre a possibilidade de Flávio visitar novamente Jair Bolsonaro caberá a Alexandre de Moraes, responsável pela análise das condições estabelecidas no processo.
Até que haja uma nova manifestação judicial, continuam valendo as regras anteriormente determinadas. A expectativa, portanto, é de que a decisão sobre o pedido seja acompanhada de perto nos próximos dias, especialmente diante da proximidade do encerramento do prazo de suspensão das visitas e da campanha para o segundo turno das eleições de 2026.













