A Universidade de São Paulo (USP) deixou de ocupar o primeiro lugar entre as melhores universidades da América Latina e do Caribe em uma nova edição do ranking internacional QS. A instituição brasileira aparece agora na segunda colocação, empatada com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), enquanto a Pontificia Universidad Católica de Chile assumiu novamente a liderança regional.
O resultado faz parte do QS World University Rankings: Latin America and the Caribbean 2027, divulgado no início de outubro. A nova edição reúne 517 universidades de 26 países e territórios da América Latina e do Caribe, oferecendo um panorama sobre o desempenho acadêmico, científico e internacional das instituições de ensino superior da região.
Apesar de perder a liderança individual, a USP continua entre as universidades de maior destaque do continente. O resultado também reforça a presença brasileira no ranking, já que o país aparece como a nação com o maior número de instituições classificadas.
Universidade chilena mantém liderança
A Pontificia Universidad Católica de Chile, conhecida como UC, aparece novamente na primeira posição do levantamento. A instituição chilena manteve o posto pelo segundo ano consecutivo, consolidando sua presença no topo da classificação regional.
A USP, que havia liderado a edição de 2025, aparece na segunda colocação. A Unicamp também ocupa posição de destaque, ficando empatada com a universidade paulista na segunda colocação geral.
O resultado mostra que a disputa entre as principais instituições latino-americanas permanece bastante equilibrada. Mudanças na metodologia, no desempenho dos indicadores e na evolução das próprias universidades podem alterar a posição das instituições de uma edição para outra.
Mais do que representar uma competição isolada, rankings internacionais são utilizados como uma das referências para observar tendências no ensino superior, na pesquisa científica, na reputação acadêmica e na capacidade das universidades de estabelecer conexões internacionais.
Veja as dez primeiras colocadas
A edição de 2027 apresenta universidades de diferentes países entre as dez primeiras posições. O ranking ficou organizado da seguinte maneira:
- Pontificia Universidad Católica de Chile — Chile
- Universidade de São Paulo (USP) — Brasil
- Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) — Brasil
- Tecnológico de Monterrey — México
- Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) — Brasil
- Universidade Estadual Paulista (Unesp) — Brasil
- Universidad de Chile — Chile
- Universidad de los Andes — Colômbia
- Universidad Nacional Autónoma de México (UNAM) — México
- Universidad de Buenos Aires (UBA) — Argentina
A lista evidencia a diversidade do ensino superior latino-americano, com representantes de países como Chile, Brasil, México, Colômbia e Argentina.
Ao mesmo tempo, chama atenção a quantidade de universidades brasileiras entre as primeiras colocadas.
Brasil lidera em número de universidades classificadas
Embora não tenha colocado uma instituição no primeiro lugar, o Brasil aparece como o país com maior quantidade de universidades incluídas na edição de 2027 do ranking.
Ao todo, 137 universidades brasileiras aparecem na classificação. O número supera o de outros grandes sistemas universitários da região, como o da Colômbia, que conta com 70 instituições, e o México, com 69.
A presença brasileira também é expressiva no grupo das dez primeiras. Quatro universidades do país aparecem nessa faixa: USP, Unicamp, UFRJ e Unesp.
Esse desempenho mostra que a força do Brasil no ensino superior não depende de uma única instituição. O país possui uma rede ampla de universidades públicas e privadas que desenvolvem atividades de ensino, pesquisa, extensão e inovação em diferentes áreas do conhecimento.
Entre as instituições brasileiras que aparecem entre as 20 melhores da América Latina estão, além da USP, Unicamp, UFRJ e Unesp, a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
USP continua com indicadores de destaque
A segunda colocação geral não significa que a USP tenha perdido relevância acadêmica ou científica. Pelo contrário. A análise apresentada pela QS aponta que a universidade brasileira continua liderando a região em três indicadores importantes.
A instituição aparece em primeiro lugar em Rede Internacional de Pesquisa, Artigos por Docente e Impacto na Web.
A Rede Internacional de Pesquisa é um indicador especialmente relevante em um cenário acadêmico cada vez mais conectado. A colaboração entre pesquisadores de diferentes países permite ampliar projetos científicos, compartilhar conhecimentos e desenvolver estudos com participação de instituições de diferentes partes do mundo.
Já o indicador de artigos por docente está relacionado à produção científica da universidade em relação ao número de professores. O dado ajuda a observar a capacidade de produção acadêmica da instituição.
O impacto na web, por sua vez, considera a presença e a visibilidade digital da universidade, aspecto que ganhou importância nos últimos anos com a ampliação da divulgação científica e do acesso ao conhecimento por meio das plataformas digitais.
Como funciona o ranking QS?
A classificação da QS não se baseia em um único indicador. A metodologia combina diferentes critérios para avaliar o desempenho das universidades.
Entre os principais elementos considerados estão a reputação acadêmica, a reputação entre empregadores, a rede internacional de pesquisa, a quantidade de professores com doutorado, a produção científica, as citações por artigo, a relação entre professores e estudantes e a presença digital das instituições.
Cada indicador procura observar uma dimensão específica do ambiente universitário.
A reputação acadêmica, por exemplo, está relacionada à percepção da comunidade científica sobre a qualidade das instituições. Já a reputação entre empregadores busca medir como o mercado de trabalho percebe a preparação oferecida pelas universidades.
Os indicadores científicos procuram observar aspectos relacionados à produção e ao impacto das pesquisas desenvolvidas.
Por isso, uma mudança de posição no ranking não deve ser interpretada isoladamente como uma perda ou ganho absoluto de qualidade. A classificação representa uma fotografia baseada nos critérios definidos pela organização responsável pelo levantamento.
Pesquisa e internacionalização ganham importância
A edição de 2027 também evidencia a importância crescente da internacionalização no ensino superior.
Universidades que conseguem ampliar parcerias com instituições estrangeiras, participar de redes internacionais de pesquisa e produzir conhecimento com alcance global tendem a ganhar maior visibilidade acadêmica.
Nesse aspecto, a USP mantém um desempenho de destaque. A liderança regional no indicador de Rede Internacional de Pesquisa mostra a dimensão das conexões acadêmicas construídas pela instituição.
A produção científica também permanece como um dos pilares da universidade brasileira, especialmente em áreas que dependem de investimentos contínuos em pesquisa, laboratórios, formação de pesquisadores e cooperação entre diferentes centros acadêmicos.
Ranking mostra cenário competitivo
A nova classificação do QS revela um cenário competitivo no ensino superior latino-americano. A liderança da Pontificia Universidad Católica de Chile pelo segundo ano consecutivo coloca a instituição chilena em evidência, enquanto USP e Unicamp mantêm o Brasil representado no grupo mais alto da classificação.
Para o Brasil, entretanto, o resultado vai além da segunda colocação da USP.
O país aparece com 137 universidades classificadas e quatro instituições entre as dez primeiras. Esse desempenho mostra a dimensão do sistema universitário brasileiro e sua relevância na produção de conhecimento da América Latina.
A posição da USP também demonstra que rankings podem apresentar mudanças sem apagar a trajetória construída pelas instituições ao longo de décadas.
Para estudantes que buscam uma universidade, pesquisadores interessados em parcerias e profissionais que acompanham o mercado acadêmico, a classificação pode servir como uma referência adicional. No entanto, a escolha de uma instituição envolve outros fatores, como qualidade dos cursos, estrutura disponível, localização, oportunidades de pesquisa, extensão, mercado de trabalho e características específicas de cada área.
Na edição de 2027, a Pontificia Universidad Católica de Chile aparece no topo, enquanto USP e Unicamp dividem a segunda colocação. O Brasil, por sua vez, mantém uma posição de destaque pelo número de universidades classificadas e pela presença de quatro instituições entre as dez melhores.
O resultado reforça uma realidade importante: mesmo diante de mudanças no topo, o ensino superior brasileiro continua ocupando espaço relevante no cenário acadêmico da América Latina e mantém universidades com forte atuação em pesquisa, produção científica e cooperação internacional.















