O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, anunciou nesta terça-feira (13) que votará a favor da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1. A declaração representa uma mudança em relação às posições que vinha defendendo anteriormente e foi feita após uma visita ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em Brasília.
A manifestação ocorre em um momento decisivo da disputa presidencial de 2026, a apenas 12 dias do segundo turno, marcado para 25 de outubro. A proposta que pretende garantir dois dias de descanso semanal remunerado e reduzir a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais está entre os principais temas do debate político nacional.
Flávio afirmou que decidiu apoiar a medida por considerar que a maioria dos trabalhadores brasileiros deseja o encerramento do modelo em que se trabalha seis dias para descansar apenas um. Ao mesmo tempo, o senador demonstrou preocupação com os possíveis efeitos econômicos da mudança, especialmente para os empresários, e defendeu que o governo federal assuma os custos de uma eventual compensação financeira.
A proposta está em discussão no Senado Federal, com votação em primeiro turno prevista para quarta-feira (14). O texto já foi aprovado pela Câmara dos Deputados e pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.
Mudança de posição sobre a escala 6×1
Antes do anúncio desta terça-feira, Flávio Bolsonaro vinha criticando a proposta de redução da jornada de trabalho. O senador argumentava que a mudança poderia elevar os custos das empresas, dificultar a contratação de funcionários e aumentar o risco de informalidade no mercado de trabalho.
Em manifestações anteriores, ele também defendia alternativas baseadas na flexibilização das jornadas e na possibilidade de trabalhadores e empregadores negociarem os modelos de contratação.
Com a nova declaração, o candidato afirmou que seu voto será favorável ao fim da escala 6×1, embora continue defendendo um modelo de jornada que, segundo ele, ofereça maior liberdade ao trabalhador.
“Então o Flávio Bolsonaro vai votar a favor do fim da 6×1 e quem vai pagar essa conta vai ser o governo, porque os empresários estão sufocados, estão quebrados, então o governo que vai ter que bancar essa compensação”, declarou o senador à imprensa.
A proposta de transferir ao governo a responsabilidade por compensar eventuais custos empresariais, entretanto, não significa que exista um mecanismo de pagamento já definido no texto da PEC. A declaração expressa a posição defendida pelo parlamentar, e os detalhes de uma eventual política de compensação dependeriam de medidas específicas.
A mudança de posicionamento acontece em meio à campanha presidencial e ao avanço da discussão no Congresso. O tema ganhou destaque nacional por envolver diretamente as condições de trabalho, a renda, o tempo de descanso e os custos de funcionamento das empresas.
Senador defende liberdade para organizar a jornada
Apesar de declarar apoio ao fim da escala 6×1, Flávio Bolsonaro afirmou que considera mais adequada uma proposta que permita ao trabalhador participar da definição da própria jornada.
“Eu queria a liberdade pro trabalhador montar sua escala de trabalho”, afirmou.
O senador também voltou a mencionar a possibilidade de remuneração por hora trabalhada, modelo que, na avaliação dele, poderia ampliar as alternativas de contratação e permitir diferentes formatos de jornada.
A ideia, porém, é diferente da proposta atualmente em análise no Senado. A PEC 221/2019 estabelece uma redução da jornada máxima semanal e prevê dois dias de descanso remunerado, sem redução salarial. Já o modelo de remuneração por hora mencionado por Flávio envolve outra discussão sobre as regras de contratação e a organização do trabalho.
Ao justificar suas preocupações, o parlamentar afirmou que uma redução da jornada pode exigir a contratação de mais funcionários e aumentar os custos das empresas. Ele também apontou o risco de parte dos trabalhadores migrar para a informalidade.
Esses possíveis efeitos econômicos estão entre os pontos debatidos por representantes do setor empresarial, parlamentares e defensores da mudança. A avaliação dos impactos dependerá de fatores como o setor de atividade, a produtividade, a organização das escalas e a capacidade de adaptação de cada empresa.
Por isso, o debate não se limita à quantidade de dias trabalhados. Também envolve a preservação dos salários, as condições de contratação, a competitividade empresarial e a garantia dos direitos dos trabalhadores.
O que prevê a proposta em análise no Senado
A PEC 221/2019 prevê a redução da jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, além da garantia de dois dias de repouso semanal remunerado, sem diminuição dos salários. A implementação deverá ocorrer de forma progressiva, conforme o texto em tramitação.
Na prática, a mudança busca substituir o modelo tradicional de seis dias de trabalho para um de descanso por uma organização que permita cinco dias de atividade e dois de folga, conhecida como escala 5×2.
O objetivo é ampliar o período de descanso semanal e reduzir a carga horária máxima, preservando a remuneração dos trabalhadores abrangidos pela regra.
A proposta já passou pela Câmara dos Deputados em maio de 2026 e recebeu parecer favorável da Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Agora, precisa avançar nas votações em plenário para que o processo legislativo continue.
Por se tratar de uma proposta de emenda à Constituição, a matéria exige quórum qualificado. No Senado, são necessários pelo menos 49 votos favoráveis, em dois turnos, para a aprovação definitiva.
A votação prevista para esta quarta-feira (14) é, portanto, uma etapa importante, mas não deve ser confundida automaticamente com a conclusão de todo o processo legislativo.
Visita a Jair Bolsonaro antecedeu o anúncio
Flávio Bolsonaro anunciou sua nova posição depois de visitar o pai, Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em Brasília.
O senador estava impedido de visitar o ex-presidente desde julho, após uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que estabeleceu restrições relacionadas ao cumprimento das medidas cautelares. A retomada das visitas foi autorizada após o encerramento do período de restrição, conforme informações divulgadas sobre o caso.
Após o encontro, Flávio afirmou que encontrou o pai bem-humorado e esperançoso em relação ao futuro do país. Segundo o senador, Jair Bolsonaro também compartilhou orientações sobre a disputa eleitoral.
“Eu conversei com ele, está bem-humorado, está satisfeito com o trabalho que vem sendo feito, está esperançoso que o Brasil vai mudar”, declarou.
Flávio acrescentou que o pai deu algumas dicas para o segundo turno, mas preferiu não revelar o conteúdo da conversa. Segundo ele, a divulgação poderia gerar interpretações que prejudicassem o ex-presidente.
O encontro aconteceu em um momento de intensa movimentação política, com os candidatos buscando ampliar apoios e apresentar propostas capazes de dialogar com diferentes segmentos do eleitorado.
Tema ganha espaço no segundo turno
O fim da escala 6×1 tornou-se um dos assuntos centrais do debate eleitoral por afetar diretamente a rotina de milhões de trabalhadores. Para quem atua em setores que funcionam durante toda a semana, como comércio, alimentação, serviços e determinadas atividades industriais, a organização das folgas é uma questão importante para a vida familiar e pessoal.
Os defensores da redução da jornada argumentam que dois dias de descanso podem ampliar o tempo disponível para convivência familiar, lazer, estudos e recuperação física. Já críticos da mudança apontam a necessidade de avaliar os custos de adaptação e os efeitos sobre empresas de diferentes portes.
A discussão também envolve a responsabilidade do poder público e a forma como eventuais impactos econômicos poderiam ser enfrentados, caso a proposta seja aprovada.
Ao anunciar voto favorável, Flávio Bolsonaro passou a defender a aprovação da medida, mas manteve ressalvas quanto à maneira como a jornada será organizada e aos custos que poderão surgir para os empregadores.
A posição do senador deverá ser acompanhada durante a votação no Senado e ao longo da campanha presidencial. O resultado da análise legislativa e os detalhes de uma eventual implementação serão determinantes para esclarecer como as novas regras poderão afetar trabalhadores e empresas.
Até lá, a proposta continua em discussão, e a decisão dos senadores será uma etapa fundamental para definir os próximos passos do debate sobre a jornada de trabalho no Brasil.













