O Ministério da Agricultura e Pecuária confirmou um novo foco da Doença de Newcastle (DNC) em uma granja comercial localizada no município de Nova Erechim, no Oeste de Santa Catarina. O caso foi identificado em uma produção de perus e confirmado na terça-feira (3), tornando-se o quarto registro ativo da enfermidade na área de emergência zoossanitária estabelecida na região.

A confirmação acende um alerta para o setor agropecuário, especialmente para a cadeia de produção de aves, que possui grande importância econômica para o Brasil. Apesar da preocupação provocada pela identificação de novos focos, o Ministério da Agricultura informou que os procedimentos de vigilância, investigação e controle estão sendo realizados pelo Serviço Veterinário Oficial.

De acordo com as informações divulgadas pela pasta, a investigação começou no sábado (31), quando foram realizadas as primeiras ações de coleta de material para análise. A identificação ocorreu durante as atividades de vigilância desenvolvidas na área de emergência zoossanitária, criada para acompanhar possíveis ocorrências e impedir que a doença se espalhe para outras propriedades.

O novo registro reforça a necessidade de atenção dos produtores e das autoridades sanitárias, principalmente em regiões com concentração de estabelecimentos avícolas.

Quatro casos ativos foram identificados na região

Com a confirmação mais recente, o Brasil passou a contabilizar quatro casos ativos da Doença de Newcastle dentro da mesma área de emergência zoossanitária, que abrange os municípios de Nova Itaberaba, Coronel Freitas e Nova Erechim, todos localizados no Oeste de Santa Catarina.

O primeiro foco do atual surto foi identificado em 18 de outubro. Desde então, as autoridades sanitárias intensificaram as ações de acompanhamento e investigação epidemiológica para identificar possíveis vínculos entre os registros e evitar novas ocorrências.

O quarto caso foi confirmado em uma propriedade com produção comercial de perus. A informação também consta na plataforma de acompanhamento da Síndrome Respiratória e Nervosa das Aves, mantida pelo Ministério da Agricultura.

A concentração dos registros em uma mesma região exige atenção especial, uma vez que a Doença de Newcastle é altamente contagiosa e pode afetar diferentes espécies de aves, tanto domésticas quanto silvestres.

O trabalho das equipes sanitárias envolve a identificação de possíveis focos, a avaliação das propriedades envolvidas e a adoção de medidas previstas nos protocolos nacionais de resposta a emergências zoossanitárias.

Ministério afirma que medidas de controle estão sendo adotadas

Em nota, o Ministério da Agricultura informou que o Serviço Veterinário Oficial está conduzindo as ações necessárias para controlar a ocorrência.

Segundo a pasta, a identificação do novo foco aconteceu durante as atividades de vigilância realizadas na área de emergência. O órgão destacou que serão adotadas medidas como investigação epidemiológica, intensificação da vigilância e contenção da doença.

O objetivo é impedir que a enfermidade ultrapasse os limites da área monitorada e alcance outras propriedades produtoras de aves.

O ministério também informou que, nos três primeiros focos confirmados, localizados em Nova Itaberaba, Coronel Freitas e Nova Erechim, as medidas previstas nos protocolos de resposta foram adotadas. As propriedades envolvidas nesses registros já se encontram em situação de vazio sanitário.

O vazio sanitário é um procedimento utilizado no controle de doenças animais. Ele envolve a interrupção temporária da produção na propriedade afetada, além de medidas de limpeza, desinfecção e controle sanitário, conforme as orientações das autoridades competentes.

A medida busca reduzir a possibilidade de permanência do agente infeccioso no ambiente e evitar que novas aves sejam expostas ao vírus.

O que é a Doença de Newcastle?

A Doença de Newcastle é uma enfermidade viral altamente contagiosa que afeta aves domésticas e silvestres. A doença pode provocar diferentes manifestações clínicas, com destaque para alterações respiratórias e nervosas.

Entre os sinais que podem aparecer nas aves estão dificuldades respiratórias, tosse, espirros, secreções, alterações de comportamento, perda de coordenação motora e outros sintomas neurológicos. A gravidade pode variar conforme a espécie, a idade das aves, a condição sanitária do plantel e a variante do vírus envolvida.

Em situações mais graves, a enfermidade pode provocar elevada mortalidade nos animais, além de prejuízos importantes para os estabelecimentos de produção.

Por apresentar capacidade de disseminação, a doença exige vigilância constante e comunicação rápida às autoridades sanitárias quando há suspeita de ocorrência.

A confirmação de um foco não significa, automaticamente, que todas as propriedades de uma região estejam contaminadas. Por isso, a investigação epidemiológica é fundamental para identificar a extensão do problema e determinar quais medidas precisam ser aplicadas em cada situação.

Quinto foco em produção comercial desde julho de 2024

O novo registro também chama atenção pelo histórico recente da doença no país. De acordo com as informações divulgadas, este é o quinto foco já registrado em produção comercial no Brasil desde 17 de julho de 2024.

O dado demonstra a importância de manter os sistemas de vigilância e prevenção em funcionamento, especialmente em um setor que depende de rigorosos padrões sanitários para garantir a produção e a comercialização de seus produtos.

A avicultura brasileira possui participação expressiva no abastecimento interno e nas exportações. Por isso, ocorrências de doenças que atingem aves comerciais são acompanhadas de perto por produtores, empresas, autoridades sanitárias e mercados compradores.

O controle de enfermidades como a Newcastle é importante não apenas para proteger os animais, mas também para preservar a confiança na produção nacional e evitar impactos econômicos para os criadores e demais profissionais envolvidos na cadeia produtiva.

O Ministério da Agricultura informou que continuará atuando em conjunto com os órgãos estaduais de defesa agropecuária para controlar os focos identificados e proteger a avicultura brasileira.

Doença não é transmitida pelo consumo de produtos avícolas inspecionados

Uma das principais informações destacadas pelo Ministério da Agricultura é que a Doença de Newcastle não é transmitida pelo consumo de produtos avícolas inspecionados.

Isso significa que carnes e outros produtos de origem avícola submetidos aos procedimentos oficiais de inspeção permanecem sem contraindicação para o consumo em razão desses registros.

A orientação é importante para evitar preocupações desnecessárias entre consumidores. A identificação de focos em propriedades comerciais não significa que os produtos disponíveis no mercado estejam automaticamente contaminados ou ofereçam risco à população.

O controle sanitário dos alimentos envolve procedimentos específicos de fiscalização e inspeção, que devem ser respeitados em todas as etapas da produção e comercialização.

A doença também é de notificação obrigatória à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA). Essa exigência permite que as autoridades acompanhem a situação epidemiológica, comuniquem ocorrências e adotem medidas de prevenção e controle conforme os padrões internacionais.

Produtores devem manter atenção aos sinais de alerta

Diante dos novos registros, a vigilância nas propriedades avícolas continua sendo uma das principais ferramentas para evitar a disseminação da enfermidade.

Os produtores devem observar alterações no comportamento das aves, sinais respiratórios, manifestações nervosas, aumento inesperado da mortalidade ou qualquer situação fora do padrão habitual do plantel.

Ao identificar sinais suspeitos, a orientação é comunicar imediatamente o serviço veterinário oficial, evitando movimentações que possam favorecer a disseminação de uma possível doença.

Também é fundamental manter medidas de biossegurança, como controle de acesso às instalações, higienização de equipamentos, cuidados com o transporte de animais e materiais e acompanhamento veterinário.

O novo foco confirmado em Nova Erechim mantém as autoridades em alerta no Oeste de Santa Catarina. Embora os quatro casos ativos estejam concentrados na área de emergência zoossanitária, o acompanhamento das ocorrências será decisivo para impedir que a enfermidade alcance outras regiões.

O Ministério da Agricultura afirma que seguirá trabalhando com os órgãos estaduais para conter a doença e proteger a produção nacional. Enquanto as investigações continuam, a recomendação é que produtores acompanhem as orientações oficiais e que consumidores mantenham a tranquilidade em relação aos produtos avícolas inspecionados, cujo consumo permanece sem contraindicações.