Registros históricos indicam que apenas cinco pessoas no mundo conseguiram sobreviver à raiva humana, duas delas no Brasil.
O Hospital Universitário Alcides Carneiro (HUAC), em Campina Grande, confirmou nesta segunda-feira (5) a morte de um homem que contraiu o vírus da raiva após ser mordido por um sagui, no mês de setembro de 2025, na Paraíba.
O caso: Homem que estava internado com raiva humana após mordida de sagui morre em Campina Grande
A raiva é uma doença viral causada por agentes do gênero Lyssavirus, da família Rhabdoviridae. O tipo mais conhecido é o Rabies virus (RABV), responsável por provocar a enfermidade em mamíferos, incluindo os seres humanos.
A doença ataca diretamente o sistema nervoso central e apresenta uma taxa de letalidade extremamente alta, chegando a cerca de 99,9% dos casos após o início dos sintomas. O risco de transmissão aos humanos ocorre principalmente por meio da mordida, arranhão ou contato da saliva de animais infectados com ferimentos ou mucosas.
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Cães e gatos são os principais transmissores em áreas urbanas, enquanto animais do campo, como bovinos, também podem ser infectados. No entanto, graças às campanhas de vacinação antirrábica realizadas no Brasil desde 1973, os casos em animais domésticos e em humanos tornaram-se cada vez mais raros.
O risco aumenta significativamente quando há contato com animais silvestres, como macacos, morcegos e felinos selvagens, já que essas espécies não são alcançadas pelas campanhas de vacinação.
Sintomas da raiva humana
Fase inicial (pródromo – 2 a 10 dias):
- Mal-estar
- Febre baixa
- Dor de cabeça
- Cansaço
- Falta de apetite
- Náuseas
- Dor de garganta
- Com a evolução da doença, podem surgir alterações de comportamento, como irritabilidade, ansiedade, inquietação e angústia.
Fase neurológica:
- Sensibilidade excessiva à luz (fotofobia), ao som (hiperacusia) e ao ar (aerofobia), Dificuldade ou medo de beber água (hidrofobia)
- Confusão mental
- Delírios e alucinações
- Agressividade
- Insônia
- Agitação intensa
Casos raros de sobrevivência
Registros históricos indicam que apenas cinco pessoas no mundo conseguiram sobreviver à raiva humana após o surgimento dos sintomas, sendo duas delas no Brasil.
Casos notáveis:
- Estados Unidos (2004): Jeanna Giese, primeira pessoa a sobreviver sem vacinação prévia, tratada com o chamado Protocolo de Milwaukee.
- Brasil (2008): Marciano Menezes da Silva, em Pernambuco, sobreviveu, mas ficou com sequelas neurológicas.
- Colômbia (2008): Paciente sobreviveu inicialmente, mas morreu posteriormente por outras complicações.
- Chile (2013): Caso registrado entre os raros sobreviventes, com poucos detalhes divulgados.
- Brasil (2018): Mateus Silva, no Amazonas, tornou-se o segundo brasileiro a sobreviver, também com sequelas; faleceu anos depois em decorrência de complicações.
O que fazer em caso de mordida
Em caso de mordida ou arranhão por animal, especialmente silvestre ou desconhecido, a orientação é lavar imediatamente o ferimento com água e sabão por pelo menos cinco minutos, sem esfregar, e procurar o serviço de saúde mais próximo (UBS, UPA ou hospital).
A equipe médica fará a avaliação e indicará a necessidade de vacinação antirrábica, antitetânica e, em alguns casos, aplicação de soro. A rapidez no atendimento é fundamental para prevenir a doença, que, uma vez instalada, é quase sempre fatal.
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