Empresário é acusado de violar sanções norte-americanas e fornecer tecnologia sensível ao regime iraniano durante mais de uma década
As autoridades dos Estados Unidos anunciaram nesta quarta-feira (3) a prisão de Jamshid Ghomi, de 63 anos, empresário do setor de tecnologia acusado de fornecer equipamentos de origem norte-americana às Forças Armadas e ao programa nuclear do Irã. O caso ganhou destaque internacional por envolver possíveis violações das rígidas sanções impostas pelo governo norte-americano ao regime iraniano.
Segundo informações divulgadas pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, Ghomi, que possui cidadania americana e iraniana, teria utilizado sua posição como executivo de uma empresa de tecnologia para adquirir e enviar ao Irã equipamentos sofisticados de rede, segurança digital e criptografia fabricados nos Estados Unidos.
As autoridades afirmam que os produtos comercializados poderiam ter aplicações estratégicas em áreas ligadas à comunicação, proteção de dados e infraestrutura tecnológica, setores considerados sensíveis para a segurança nacional.
Investigação aponta atuação por mais de dez anos
De acordo com a acusação, Jamshid Ghomi é CEO da empresa Faraz Pardaz Rayaneh, sediada em Teerã. Os investigadores afirmam que a companhia teria sido utilizada durante mais de uma década para adquirir equipamentos tecnológicos americanos destinados a clientes localizados no Irã.
O Departamento de Justiça sustenta que nem o empresário nem a empresa possuíam autorização do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos para realizar esse tipo de transação, exigência obrigatória em razão das sanções econômicas impostas ao país do Oriente Médio.
As autoridades americanas alegam que o esquema permitiu a movimentação de milhões de dólares em negociações consideradas ilegais pela legislação dos Estados Unidos.
Governo dos EUA vê ameaça à segurança nacional
O primeiro-assistente do procurador dos Estados Unidos, Bill Essayli, afirmou que as acusações vão além da simples violação de sanções econômicas.
Segundo ele, a tecnologia comercializada poderia fortalecer estruturas ligadas ao regime iraniano, considerado adversário estratégico de Washington.
“Ghomi é acusado de auxiliar nossos inimigos declarados ao vender componentes de redes de computadores de origem americana para o Irã e lucrar milhões de dólares”, declarou Essayli em comunicado oficial.
A investigação busca esclarecer a dimensão das operações realizadas e identificar quais instituições ou órgãos iranianos teriam recebido os equipamentos fornecidos pelo empresário.
Patrimônio milionário chama atenção
Outro aspecto que chamou a atenção das autoridades foi o patrimônio atribuído ao executivo. Segundo os investigadores, Ghomi residia em uma mansão avaliada em aproximadamente US$ 35 milhões em Newport Beach, uma das áreas mais valorizadas da Califórnia, localizada nos arredores de Los Angeles.
O imóvel passou a integrar os elementos analisados pelas autoridades durante o processo de investigação financeira.
Defesa ainda não se pronunciou
Até a última atualização do caso, representantes da empresa Faraz Pardaz Rayaneh não haviam se manifestado publicamente sobre as acusações.
Jamshid Ghomi permaneceu sob custódia das autoridades americanas e deve comparecer a uma audiência judicial em Los Angeles, onde o caso começará a ser analisado pela Justiça.
O episódio reforça a atenção das autoridades norte-americanas sobre o cumprimento das sanções internacionais e evidencia o papel cada vez mais estratégico da tecnologia em disputas geopolíticas e questões de segurança global.
Enquanto o processo avança, Ghomi terá direito à ampla defesa, e as acusações ainda serão avaliadas pela Justiça dos Estados Unidos antes de qualquer decisão definitiva sobre sua responsabilidade no caso.











