O caso foi descoberto após a mãe da criança autista perceber alterações significativas no comportamento do filho, além de fortes dores e sangramento na região íntima.
A Polícia Civil da Paraíba, por meio da Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Criança e o Adolescente de Campina Grande (DRCCIJ-CG), cumpriu um mandado de prisão preventiva contra um homem de 51 anos investigado por estupro de vulnerável praticado contra o próprio filho, uma criança de 9 anos diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
A prisão foi realizada no município de Campina Grande e decorre de investigação que reuniu elementos considerados consistentes pela autoridade policial e pelo Poder Judiciário para a decretação da medida cautelar.
Relato da mãe e início das investigações
Segundo informações da Polícia Civil, o caso veio à tona após a mãe da criança perceber mudanças significativas no comportamento do filho, além de queixas de fortes dores e sangramento na região íntima. Os sintomas teriam surgido após o menino passar alguns dias sob os cuidados exclusivos do investigado durante o período de férias escolares.
Diante das suspeitas, a genitora conversou com a criança, que relatou espontaneamente ter sido vítima de abusos. A partir disso, o caso foi comunicado às autoridades competentes e passou a ser investigado pela equipe especializada.
Exames confirmaram lesões
Durante o curso das investigações, o Instituto de Polícia Científica (IPC) realizou exame sexológico que constatou lesão compatível com a prática de ato libidinoso, reforçando o conjunto de provas reunidas pela polícia.
A criança também foi ouvida em depoimento especial, ocasião em que voltou a confirmar os abusos. De acordo com a Polícia Civil, o relato apresentou coerência com os demais elementos técnicos e investigativos coletados ao longo do inquérito.
Prisão preventiva e andamento do caso
Com base nas diligências realizadas, a Polícia Civil representou pela prisão preventiva do suspeito, medida que foi deferida pelo Poder Judiciário. O mandado foi cumprido em Campina Grande pelos investigadores da delegacia especializada.
Após a prisão, o homem foi encaminhado para os procedimentos legais e posteriormente conduzido ao sistema prisional, onde permanece à disposição da Justiça.
A Polícia Civil da Paraíba destacou que segue atuando com rigor na apuração de crimes contra crianças e adolescentes, reforçando o compromisso com investigações qualificadas e a responsabilização dos autores.
Sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA)
O caso também chama atenção para a importância da compreensão do Transtorno do Espectro Autista (TEA), condição do neurodesenvolvimento que afeta a comunicação, a interação social e o comportamento.
O espectro é amplo e pode se manifestar de diferentes formas e intensidades. Em geral, pessoas com TEA podem apresentar dificuldades na comunicação, sensibilidade a estímulos sensoriais e desafios na interação social, o que torna ainda mais essencial o suporte adequado de familiares e profissionais especializados.
Especialistas destacam que o diagnóstico precoce e o acompanhamento multiprofissional são fundamentais para garantir desenvolvimento, autonomia e qualidade de vida.
Sinais de alerta e atenção
Entre os sinais de alerta do TEA estão a ausência de contato visual, atraso na fala, dificuldade de interação social, comportamentos repetitivos e resistência a mudanças de rotina. Cada caso, no entanto, deve ser avaliado individualmente por profissionais de saúde.
Em situações de crise ou necessidade de atendimento, o Ministério da Saúde orienta que o primeiro acolhimento ocorra em unidades de urgência, como UPAs e hospitais gerais, com posterior encaminhamento para serviços especializados como CAPS, CER e UBS.
O acompanhamento adequado e a rede de apoio são essenciais para garantir proteção, cuidado e inclusão de crianças com TEA e suas famílias.













