A Venezuela enfrenta uma das maiores tragédias de sua história recente. O número de mortos provocados pelos terremotos que atingiram o país em 24 de junho chegou a 2.645, segundo balanço divulgado pelo governo venezuelano nesta sexta-feira (3). O total de feridos já alcança 12.666 pessoas, enquanto milhares de famílias seguem enfrentando as consequências da destruição.

Os dois fortes tremores atingiram a região norte do país, incluindo Caracas e cidades vizinhas, deixando um cenário de devastação. Considerados os mais intensos registrados na Venezuela em mais de um século, os terremotos provocaram o desabamento de edifícios, destruíram residências e comprometeram serviços essenciais em diversas localidades.

De acordo com o Ministério da Comunicação e Informação, mais de 6 mil pessoas já foram resgatadas pelas equipes de emergência desde o início das operações. O governo informou ainda que cerca de 86 mil famílias receberam algum tipo de assistência humanitária e que aproximadamente 15 mil pessoas permanecem desalojadas.

La Guaira foi a região mais atingida

Durante entrevista coletiva realizada na quinta-feira (2), a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, revelou que 189 edifícios desabaram completamente em decorrência dos tremores.

Segundo ela, o estado de La Guaira foi uma das áreas mais devastadas pela tragédia. A dirigente afirmou que praticamente todos os servidores públicos da região morreram durante os terremotos, agravando ainda mais os desafios para a resposta emergencial.

Rodríguez destacou que cerca de 4 mil agentes foram mobilizados imediatamente após os abalos para atuar no resgate das vítimas e reforçou que as operações continuam em várias áreas onde ainda há possibilidade de encontrar pessoas soterradas.

Mobilização internacional

As buscas contam com uma ampla força-tarefa nacional e internacional. Mais de 30 mil socorristas participam das operações, incluindo cerca de 3,3 mil integrantes de equipes estrangeiras especializadas.

Ao todo, profissionais de 31 países estão colaborando com a resposta à tragédia. O Brasil está entre as nações que enviaram bombeiros e especialistas em salvamento para auxiliar nas operações de resgate.

Enquanto equipes utilizam equipamentos especializados para localizar vítimas, muitos moradores também participam das buscas de forma voluntária, removendo escombros manualmente diante da escassez de recursos em algumas localidades.

Especialistas alertam que as chances de encontrar sobreviventes diminuem significativamente após as primeiras 72 horas, período considerado crucial em operações desse tipo.

Crise humanitária preocupa autoridades

Além da destruição causada pelos terremotos, cresce a preocupação com a situação humanitária nas áreas afetadas. Milhares de pessoas permanecem sem moradia, vivendo em abrigos temporários ou ao relento.

No estado de La Guaira, considerado o epicentro da crise, há relatos de escassez de alimentos e colapso dos serviços básicos, segundo organismos internacionais de assistência humanitária.

A falta de água potável e as condições sanitárias precárias aumentam o risco de surtos de doenças, especialmente entre crianças, idosos e pessoas com problemas de saúde.

Risco de crise de saúde pública

Autoridades médicas e organizações humanitárias alertam para a possibilidade de uma crise sanitária nas próximas semanas. Além dos ferimentos provocados pelos desabamentos, a precariedade das condições de abrigo pode favorecer a disseminação de doenças infecciosas.

A situação é agravada pela histórica falta de profissionais de saúde no país, consequência de anos de dificuldades econômicas e da migração de médicos para outras nações.

Especialistas afirmam que uma resposta rápida será fundamental para evitar que a tragédia humanitária se transforme também em uma grave crise de saúde pública.

Apoio financeiro para reconstrução

Em meio ao cenário de destruição, a presidente interina anunciou que instituições internacionais ofereceram apoio para a recuperação das áreas atingidas.

Segundo o governo venezuelano, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial disponibilizaram ajuda financeira e linhas de crédito para apoiar os esforços de reconstrução.

Rodríguez informou ainda que será criado, em parceria com o FMI, um fundo de US$ 200 milhões destinado à reconstrução de moradias destruídas pelos terremotos.

Enquanto as equipes continuam a busca por sobreviventes, milhares de famílias aguardam por assistência, abrigo e a esperança de reconstruir suas vidas após uma das maiores catástrofes naturais já registradas na Venezuela.