Autoridades de saúde dos Estados Unidos investigam uma possível ligação entre tatus-de-nove-bandas (Dasypus novemcinctus) e um aumento de casos de hanseníase registrado no estado da Flórida. Até esta quarta-feira (30), foram confirmados 17 casos da doença, concentrados principalmente na região central do estado.
A suspeita é de que alguns dos pacientes possam ter contraído a infecção após contato direto com esses animais, conhecidos por serem reservatórios naturais da bactéria Mycobacterium leprae, um dos agentes causadores da hanseníase.
Os casos foram registrados nos condados de Brevard, Charlotte, Duval, Highlands, Lake, Lee, Manatee, Miami-Dade, Okeechobee, Orange, Seminole, St. Johns, Sumter e Volusia.
O que é a hanseníase?
A hanseníase, também conhecida como doença de Hansen, é uma enfermidade infecciosa que afeta principalmente a pele e os nervos periféricos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), quando não tratada precocemente, a doença pode provocar incapacidades físicas permanentes.
A transmissão ocorre, na maioria dos casos, por meio de gotículas respiratórias eliminadas por pessoas com a doença que ainda não iniciaram tratamento, especialmente após contato próximo e prolongado.
No entanto, estudos já demonstraram que o tatu-de-nove-bandas pode abrigar naturalmente a bactéria, tornando possível a transmissão em situações de contato direto com o animal ou seus tecidos.
Principais sintomas
Os especialistas alertam que os sinais da hanseníase podem surgir lentamente. Entre os principais sintomas estão:
- Manchas na pele com alteração da sensibilidade;
- Úlceras ou feridas indolores, principalmente na planta dos pés;
- Espessamento dos nervos;
- Fraqueza muscular ou paralisia;
- Perda de sobrancelhas e cílios;
- Alterações na visão e outros problemas oculares.
O diagnóstico precoce é fundamental para evitar complicações e interromper a cadeia de transmissão.
Casos são considerados raros
De acordo com o Centers for Disease Control and Prevention (CDC), principal órgão de saúde pública dos Estados Unidos, cerca de 225 novos casos de hanseníase são diagnosticados anualmente no país. No mundo, a doença registra aproximadamente 250 mil novos casos por ano.
Apesar do aumento recente na Flórida, o cirurgião-geral do estado, Joseph Ladapo, afirmou que a população não deve entrar em pânico, destacando que a hanseníase continua sendo uma doença de baixa incidência na região.
Especialistas reforçam medidas de prevenção
As autoridades orientam que a população evite manipular tatus ou outros animais silvestres sem proteção adequada e procure atendimento médico caso apresente sintomas suspeitos.
A hanseníase tem cura e o tratamento é oferecido gratuitamente em diversos países, incluindo o Brasil, por meio de antibióticos específicos. Quando iniciado precocemente, o tratamento interrompe a transmissão da doença e reduz significativamente o risco de sequelas.
















