O tradicional cafezinho, presente na rotina de milhões de brasileiros, pode oferecer benefícios à saúde que variam conforme a idade. É o que aponta um estudo publicado no início de julho na revista científica Clinical Gastroenterology and Hepatology, que relaciona o consumo moderado de café à redução do risco de doenças hepáticas, melhora da saúde cognitiva e preservação da qualidade de vida ao longo do envelhecimento.
A pesquisa acompanhou mais de 354 mil participantes do UK Biobank durante aproximadamente 13 anos. Todos os voluntários analisados não apresentavam, no início do estudo, doenças como cirrose ou carcinoma hepatocelular.
Benefícios vão além da disposição
Além do conhecido efeito estimulante proporcionado pela cafeína, o café é rico em polifenóis, compostos naturais com ação antioxidante e anti-inflamatória.
Segundo os pesquisadores, essas substâncias podem contribuir para reduzir o risco de diversas doenças, como:
- Doenças hepáticas;
- Demência;
- Doenças cardiovasculares;
- Fragilidade na terceira idade;
- Morte prematura.
O que o estudo observou em cada faixa etária
Aos 30 anos
Os pesquisadores identificaram que o consumo de cinco ou mais xícaras por dia esteve associado à redução do risco de doenças hepáticas, cognitivas e até de alguns tipos de câncer.
Já o consumo de duas a três xícaras diárias foi relacionado a uma redução de cerca de 20% no risco de demência, além de favorecer o desempenho cognitivo ao longo dos anos.
Após os 40 anos
Entre mulheres com idade entre 45 e 60 anos, o estudo mostrou que o consumo de três pequenas xícaras por dia aumentou em cerca de 13% a probabilidade de um envelhecimento saudável, preservando a capacidade física.
Os pesquisadores alertam, porém, que alterações hormonais podem fazer com que algumas mulheres metabolizem a cafeína de maneira diferente, favorecendo sintomas como ansiedade, insônia ou palpitações.
Aos 50 anos
Nessa faixa etária, o consumo de até cinco xícaras diárias foi associado à melhora da circulação sanguínea, sem aumento significativo do risco cardiovascular nos participantes avaliados.
Os especialistas ressaltam, entretanto, que a quantidade ideal deve considerar fatores individuais, como sensibilidade à cafeína e qualidade do sono.
Após os 60 anos
Entre os idosos, o consumo de quatro a seis xícaras por dia foi relacionado à redução do risco de fragilidade física.
Os participantes apresentaram melhores indicadores de:
- Força muscular;
- Velocidade de caminhada;
- Manutenção do peso corporal.
Preservação da massa muscular
De forma geral, o estudo concluiu que consumir pelo menos duas xícaras de café por dia após os 40 anos pode ajudar a preservar a massa muscular durante o envelhecimento.
Segundo os pesquisadores, esse benefício está relacionado à ação anti-inflamatória e ao potencial de reparo celular promovidos pelos compostos presentes na bebida.
Os efeitos foram observados tanto em homens quanto em mulheres, embora tenham se mostrado mais expressivos no público masculino.
Consumo deve ser equilibrado
Apesar dos resultados positivos, especialistas lembram que o café deve ser consumido com moderação. O excesso de cafeína pode provocar efeitos indesejados, como insônia, ansiedade, irritabilidade, aumento da frequência cardíaca e desconfortos gastrointestinais, especialmente em pessoas mais sensíveis.
Assim, o café continua sendo um importante aliado da saúde quando inserido em um estilo de vida equilibrado, acompanhado de alimentação saudável, atividade física regular e acompanhamento médico quando necessário.
















