A Paraíba estará entre os melhores locais do planeta para acompanhar um fenômeno astronômico raro na madrugada desta quarta-feira (5). Um estágio superior de um foguete Falcon 9, da SpaceX, deverá colidir com a superfície da Lua por volta das 3h34 (horário de Brasília), em um evento que desperta o interesse de astrônomos e pesquisadores de diversos países.

Embora o impacto não represente qualquer risco para a Terra, ele poderá fornecer informações importantes para estudos sobre a superfície lunar e futuras missões de exploração espacial.

Foguete permaneceu mais de um ano no espaço

O equipamento fazia parte de um foguete Falcon 9 utilizado no lançamento das missões lunares Blue Ghost e Hakuto-R Resilience, em janeiro de 2025.

Após cumprir sua missão, o estágio superior permaneceu em uma órbita altamente elíptica entre a Terra e a Lua. Sem combustível suficiente para realizar novas manobras, sua trajetória passou a indicar uma colisão inevitável com o satélite natural.

O impacto está previsto para ocorrer nas proximidades da cratera Einstein, localizada na borda noroeste da Lua.

Por que o evento interessa à ciência?

Segundo a Associação Paraibana de Astronomia (APA-PB), o choque representa uma oportunidade valiosa para a comunidade científica.

Como a massa, a velocidade e a trajetória do foguete são conhecidas com boa precisão, pesquisadores poderão comparar os dados obtidos com modelos de formação de crateras e analisar o material lançado pela colisão.

Essas informações ajudam a compreender melhor a composição do solo lunar e contribuem para o planejamento de futuras missões de exploração da Lua.

Será possível ver o impacto?

Apesar da expectativa, observar o momento exato da colisão não será uma tarefa simples.

A Lua não possui atmosfera, o que faz com que qualquer objeto atinja diretamente sua superfície, formando crateras e produzindo um breve clarão.

No entanto, neste caso, o impacto ocorrerá próximo ao limbo lunar — a borda visível da Lua — em uma região iluminada pelo Sol, reduzindo significativamente a possibilidade de visualizar o flash luminoso.

Especialistas avaliam que o clarão dificilmente será percebido por telescópios amadores. Já observatórios profissionais e astrônomos experientes deverão registrar imagens e vídeos na tentativa de detectar a pluma de poeira levantada após a colisão.

Paraíba terá condições privilegiadas

De acordo com o mapa de visibilidade divulgado por especialistas, a Paraíba está localizada na faixa considerada ideal para acompanhar o fenômeno.

O astrônomo Marcelo Zurita explicou que o estado integra a área destacada em verde escuro, onde a Lua estará acima de 35 graus do horizonte, proporcionando excelentes condições de observação.

Segundo ele, quanto mais próxima da região central indicada no mapa estiver a localidade, maior será a altitude da Lua no céu, favorecendo ainda mais o acompanhamento do evento.

Já nas áreas em cinza, a Lua estará abaixo do horizonte, impossibilitando a observação. Nas regiões destacadas em amarelo, apesar de a Lua estar visível, o fenômeno ocorrerá durante o dia, dificultando sua visualização.

Como acompanhar

Os interessados devem apontar seus telescópios para a borda noroeste da Lua, próximo à cratera Einstein, pouco antes das 3h34.

Embora o clarão produzido pelo impacto dure apenas uma fração de segundo, a pluma de poeira poderá se tornar visível alguns minutos depois, quando ultrapassar o limbo lunar.

Importância para futuras missões

A Associação Paraibana de Astronomia destaca que eventos como esse reforçam a necessidade de monitorar objetos deixados no espaço.

Com o aumento das missões lunares nos próximos anos, compreender os impactos provocados por equipamentos espaciais na superfície da Lua será cada vez mais importante para garantir a segurança e o planejamento das futuras operações de exploração do Sistema Solar.

Para os apaixonados por astronomia, a madrugada desta quarta-feira promete um espetáculo científico raro, colocando a Paraíba em uma posição privilegiada para acompanhar um dos eventos espaciais mais aguardados do ano.