O Resgate Aeromédico do Corpo de Bombeiros Militar da Paraíba realizou, em um único dia, três transferências de pacientes entre municípios do Sertão e a Região Metropolitana de João Pessoa. As missões foram executadas na última terça-feira (8) pelo Grupo de Resgate Aeromédico (Grame), do Grupamento de Operações Aéreas (GOA), e tiveram como principal objetivo reduzir o tempo de deslocamento de pessoas que precisavam de atendimento especializado.
As três ocorrências envolveram situações médicas distintas e demonstram como o transporte aéreo pode ser decisivo quando o tempo é um fator importante para o tratamento. Entre os pacientes transportados estavam um homem de 63 anos diagnosticado com Acidente Vascular Cerebral (AVC), uma jovem de 19 anos em cuidados paliativos e uma mulher de 53 anos que necessitava de um procedimento cardíaco especializado.
As operações foram realizadas por meio da integração entre diferentes setores do Governo da Paraíba, envolvendo profissionais da segurança pública e da saúde.
Paciente com AVC foi levado para procedimento especializado
Uma das missões teve como destino o Hospital Metropolitano Dom José Maria Pires, em Santa Rita, na Região Metropolitana de João Pessoa.
O paciente era um homem de 63 anos, diagnosticado com AVC. Antes de ser transportado pelo resgate aeromédico, ele havia passado por uma transferência terrestre entre Brejo do Cruz e o Hospital Regional de Catolé do Rocha, onde recebeu atendimento médico.
Após avaliação da equipe de saúde, foi identificada a necessidade de realização de uma trombectomia mecânica. O procedimento é utilizado para remover coágulos que obstruem grandes artérias do cérebro em determinados casos de AVC isquêmico.
Nesse tipo de situação, o tempo tem papel fundamental. Quanto mais rapidamente o paciente chega a uma unidade preparada para realizar o procedimento, maiores podem ser as possibilidades de reduzir os impactos provocados pela interrupção do fluxo sanguíneo no cérebro.
Por esse motivo, o transporte aéreo foi utilizado como alternativa para diminuir o tempo de viagem entre o Sertão e a Região Metropolitana.
A aeronave do Grame permitiu que o paciente fosse encaminhado com maior rapidez para uma unidade de referência, onde poderia receber o atendimento especializado indicado pela equipe médica.
Jovem em cuidados paliativos retorna para perto da família
A segunda missão teve um caráter diferente. Uma jovem de 19 anos, que estava internada no Hospital Metropolitano, em Santa Rita, foi transportada por via aérea até Patos.
Após o desembarque, ela seguiu por transporte terrestre para Pombal, município onde reside.
A paciente estava em cuidados paliativos e precisava retornar para sua cidade de origem para permanecer próxima dos familiares e dar continuidade à assistência de saúde.
Nesse caso, a transferência não estava relacionada a uma emergência para realização imediata de um procedimento, mas à necessidade de garantir que a paciente pudesse continuar o cuidado em um ambiente mais próximo de sua família.
A previsão era de início de atendimento domiciliar, permitindo que o acompanhamento pudesse ocorrer próximo das pessoas que fazem parte de sua rede de apoio.
O deslocamento terrestre entre Patos e Pombal foi realizado por meio do programa Coração Paraibano, da Secretaria de Estado da Saúde (SES), responsável pela organização e pelo suporte às transferências dentro da rede estadual.
A operação mostra que o atendimento aeromédico não se limita a situações de emergência. O serviço também pode ser empregado para viabilizar transferências que precisam ser realizadas de maneira planejada e segura, especialmente quando as distâncias entre os municípios representam um obstáculo.
Mulher com quadro cardíaco grave é transferida de Patos
A terceira missão do dia envolveu uma mulher de 53 anos que estava internada no Hospital Regional Deputado Janduhy Carneiro, em Patos.
Segundo as informações da equipe responsável pela transferência, a paciente havia apresentado uma arritmia grave, seguida de uma parada cardiorrespiratória.
Após avaliação médica, houve indicação para implantação de um cardiodesfibrilador implantável (CDI), dispositivo utilizado em pacientes que apresentam determinadas condições cardíacas e risco de arritmias graves.
Com a disponibilização de uma vaga no Hospital Metropolitano, a paciente foi encaminhada por transporte aéreo de Patos para a Região Metropolitana de João Pessoa.
Mais uma vez, a utilização da aeronave teve como finalidade diminuir o tempo necessário para percorrer uma distância que, por via terrestre, poderia exigir várias horas de deslocamento.
A transferência permitiu que a paciente fosse encaminhada para uma unidade com estrutura especializada para a realização do procedimento indicado.
Integração entre saúde e segurança
As três missões realizadas no mesmo dia são resultado de uma atuação integrada entre órgãos estaduais.
Os trechos aéreos foram executados pelo Grupo de Resgate Aeromédico, ligado ao Grupamento de Operações Aéreas do Corpo de Bombeiros Militar da Paraíba.
A estrutura envolve uma parceria entre a Secretaria de Estado da Segurança e da Defesa Social (Sesds), por meio do Corpo de Bombeiros, e a Secretaria de Estado da Saúde.
Dependendo das características de cada ocorrência, as equipes podem contar com bombeiros militares capacitados para atuação na área da saúde e profissionais disponibilizados pela Secretaria de Estado da Saúde, como médicos, fisioterapeutas e outros especialistas.
Essa composição permite que o transporte seja realizado levando em consideração as condições clínicas de cada paciente.
O atendimento não termina no momento do embarque. Durante o deslocamento, a equipe acompanha o paciente e oferece os cuidados necessários até a chegada à unidade de destino.
Transporte terrestre completa as operações
Embora o destaque das missões seja o transporte aéreo, a logística depende também da integração com o transporte terrestre.
Nos casos em que o paciente precisa ser levado de uma cidade até o ponto de embarque ou, posteriormente, do local de pouso até a unidade de saúde, ambulâncias e equipes terrestres são fundamentais.
Foi o que ocorreu com a jovem de 19 anos, que desembarcou em Patos e posteriormente seguiu para Pombal por meio da estrutura do Coração Paraibano.
Esse trabalho conjunto evita que a transferência seja interrompida durante a mudança entre os diferentes meios de transporte.
A integração entre aeronave, ambulância, equipes médicas e hospitais permite organizar o deslocamento de maneira mais segura e eficiente.
Distância deixa de ser uma barreira
Para quem vive no interior do estado, a distância até os grandes centros de atendimento especializado pode representar um desafio.
A Paraíba possui municípios localizados a centenas de quilômetros da Região Metropolitana de João Pessoa. Em determinadas situações clínicas, percorrer esse trajeto exclusivamente por estrada pode consumir um tempo precioso.
É nesse cenário que o resgate aeromédico ganha importância.
Ao utilizar uma aeronave, as equipes conseguem reduzir significativamente o tempo de deslocamento em comparação com determinadas viagens terrestres, especialmente entre o Sertão e a capital ou municípios da Região Metropolitana.
Isso pode fazer diferença em casos nos quais o tratamento depende de uma janela de tempo específica, como ocorre em determinadas situações de AVC.
Um dia marcado pelo trabalho em equipe
A realização de três transferências em apenas um dia evidencia a complexidade da logística necessária para garantir atendimento especializado aos pacientes.
Cada missão possui características próprias, exigindo planejamento, avaliação médica, definição da rota e articulação entre diferentes equipes.
No caso do paciente com AVC, a prioridade estava relacionada à necessidade de chegar rapidamente a um serviço especializado. Para a jovem em cuidados paliativos, o objetivo era garantir o retorno para perto da família. Já no caso da mulher com problema cardíaco, a transferência buscou viabilizar o acesso a um procedimento especializado.
Apesar das diferenças, as três histórias tiveram um ponto em comum: a necessidade de vencer as distâncias entre os municípios para garantir continuidade do cuidado.
O trabalho do Grame mostra, dessa forma, como o transporte aeromédico pode funcionar como uma ponte entre pacientes que precisam de atendimento especializado e unidades de referência localizadas em outras regiões do estado.
Mais do que transportar pessoas, as equipes envolvidas nas missões ajudam a conectar diferentes pontos da rede pública de saúde.
Em um único dia, três pacientes percorreram caminhos diferentes em busca de tratamento e continuidade da assistência. Para cada família, o deslocamento representou mais do que uma viagem: significou a possibilidade de chegar ao atendimento necessário com mais rapidez, segurança e estrutura.
A atuação integrada entre o Corpo de Bombeiros, a Secretaria de Estado da Saúde e o programa Coração Paraibano reforça a importância de uma rede capaz de trabalhar de forma coordenada, especialmente quando cada minuto e cada quilômetro podem fazer diferença na vida de um paciente.











