Empresa entrou com o pedido em maio, citando dívida superior a R$ 1 bilhão e dificuldades no setor de móveis, como juros altos e crédito mais restrito.

O Grupo Toky, controlador das marcas Tok&Stok, Mobly e Guldi, informou nesta segunda-feira (15) que a Justiça de São Paulo aprovou o pedido de recuperação judicial da companhia e de suas subsidiárias. A medida busca permitir a reorganização financeira do grupo e evitar uma eventual falência, garantindo a continuidade das operações.

O pedido havia sido protocolado em maio deste ano na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo. Na ocasião, a empresa revelou possuir uma dívida superior a R$ 1 bilhão e atribuiu a situação às dificuldades enfrentadas pelo setor de móveis e decoração nos últimos anos.

Segundo a companhia, fatores como juros elevados, aumento do endividamento das famílias brasileiras e restrições no acesso ao crédito provocaram queda nas vendas e pressionaram o fluxo de caixa da empresa.

Objetivo é preservar empregos e manter operações

Em nota, o Grupo Toky afirmou que a recuperação judicial tem como principal objetivo preservar as atividades da empresa, manter o atendimento aos clientes e criar condições para renegociar suas obrigações financeiras com credores.

A recuperação judicial é um instrumento previsto na legislação brasileira que permite às empresas em dificuldades financeiras reorganizar suas dívidas sob supervisão da Justiça, enquanto continuam operando normalmente.

Atualmente, o grupo emprega mais de 2 mil trabalhadores em diferentes regiões do país.

Empresa alegou risco de colapso financeiro

No processo apresentado à Justiça, o Grupo Toky solicitou medidas urgentes para evitar o que classificou como risco de danos irreparáveis às suas operações.

Entre os principais pedidos está a liberação de aproximadamente R$ 77 milhões provenientes de vendas realizadas por cartão de crédito e que, segundo a empresa, estariam retidos pela instituição financeira SRM Bank.

De acordo com a companhia, a retenção desses recursos comprometeu o caixa e colocou em risco compromissos essenciais, incluindo o pagamento de salários, fornecedores e despesas operacionais.

O grupo também solicitou a suspensão temporária de cobranças e ações judiciais relacionadas às dívidas por um período de 180 dias, mecanismo conhecido como “stay period”, previsto na Lei de Recuperação Judicial.

Além disso, pediu garantias para a manutenção de contratos considerados fundamentais para o funcionamento dos negócios, como serviços de logística, transporte, tecnologia, computação em nuvem, energia elétrica e abastecimento de água.

Quem é o Grupo Toky

O Grupo Toky surgiu em 2024 após a fusão entre a Mobly e a Tok&Stok, duas das principais marcas do setor de móveis e decoração do Brasil.

A união criou um dos maiores grupos varejistas do segmento na América Latina, combinando forte presença no comércio eletrônico com operações físicas espalhadas pelo país.

A Mobly foi fundada em 2011 e se consolidou como uma das maiores plataformas digitais de móveis e decoração do mercado brasileiro. Já a Tok&Stok, criada em 1978 pelos empresários franceses Régis e Ghislaine Dubrule, tornou-se referência nacional ao oferecer móveis modernos e acessíveis para diferentes perfis de consumidores.

Além das duas marcas, o grupo também controla a Guldi, especializada no segmento de colchões.

Expectativa para os próximos meses

Com a aprovação da recuperação judicial, o Grupo Toky inicia agora uma nova etapa de negociações com credores, fornecedores e instituições financeiras. A expectativa é que seja apresentado um plano detalhado de recuperação, contendo estratégias para reorganização financeira e continuidade dos negócios.

Enquanto isso, as lojas físicas, plataformas digitais e demais operações do grupo seguem funcionando normalmente, conforme informou a companhia.

A decisão da Justiça representa um passo importante para a tentativa de recuperação de uma das maiores empresas do setor de móveis e decoração do país, em um momento de desafios para o varejo brasileiro.