Documento reúne prioridades de pesquisa e desenvolvimento para acelerar terapias pediátricas contra a dengue
A Organização Mundial da Saúde (OMS) deu um importante passo na luta contra a dengue ao divulgar seu primeiro guia internacional voltado ao desenvolvimento de tratamentos específicos para crianças. O documento, publicado em 10 de junho, estabelece prioridades para pesquisas e investimentos com o objetivo de ampliar o acesso a terapias seguras e eficazes para o público infantil, considerado um dos mais vulneráveis às formas graves da doença.
A iniciativa integra o Processo de Otimização de Medicamentos Pediátricos (Pado, na sigla em inglês), programa da OMS criado para orientar pesquisadores, fabricantes, órgãos reguladores e financiadores sobre as principais necessidades relacionadas à saúde infantil em todo o mundo.
Segundo a entidade, o principal objetivo é acelerar a criação de medicamentos adequados para crianças e incentivar que tratamentos já em desenvolvimento para adultos também sejam avaliados para uso pediátrico.
A preocupação da OMS acompanha o crescimento expressivo dos casos da doença. Somente em 2024, mais de 14 milhões de infecções por dengue e mais de 10 mil mortes foram registradas globalmente. No Brasil, os números também continuam elevados. Em 2025, já foram contabilizados mais de 1,6 milhão de casos prováveis da doença e 1.793 mortes, considerando pacientes de todas as faixas etárias.
Crianças estão entre os grupos de maior risco
Transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, a dengue é uma doença presente de forma endêmica em mais de 100 países. Embora possa atingir pessoas de qualquer idade, especialistas alertam que crianças estão entre os grupos mais suscetíveis a complicações devido ao sistema imunológico ainda em desenvolvimento.
Por esse motivo, a OMS considera fundamental que os tratamentos sejam planejados levando em conta as necessidades específicas desse público desde as primeiras etapas das pesquisas.
Em comunicado oficial, o diretor do Departamento de Malária e Doenças Tropicais Negligenciadas da OMS, Daniel Ngamije Madandi, destacou a urgência de ampliar as opções terapêuticas para crianças.
“A dengue é uma ameaça crescente para as crianças, e o silêncio não é uma opção. Para prevenir doenças graves e salvar vidas, as crianças precisam ter acesso a formulações e tratamentos seguros e adequados às suas necessidades”, afirmou.
Novas tecnologias em desenvolvimento
O relatório também aponta áreas prioritárias para os próximos anos e destaca tecnologias promissoras que merecem acompanhamento especial. Entre elas está um anticorpo monoclonal desenvolvido para o tratamento da dengue em crianças, considerado uma das alternativas mais promissoras para receber investimentos e avançar nos estudos clínicos nos próximos três a cinco anos.
A expectativa da OMS é que o novo guia ajude a direcionar recursos para pesquisas com maior potencial de sucesso, acelerando a chegada de novos tratamentos ao mercado e contribuindo para reduzir complicações, internações e mortes causadas pela doença.
Diante do avanço da dengue em diversas regiões do planeta, especialistas consideram a iniciativa um marco importante para fortalecer o cuidado com crianças e ampliar as ferramentas disponíveis no combate a uma das doenças transmitidas por mosquitos que mais preocupam as autoridades de saúde pública em todo o mundo.











