Na véspera, a moeda americana subiu 0,49%, cotada a R$ 5,0862. Já o principal índice da bolsa brasileira recuou 0,70%, aos 168.454 pontos.

O mercado financeiro iniciou esta quinta-feira (18) atento a uma série de fatores econômicos e geopolíticos que influenciam os investimentos ao redor do mundo. Logo nas primeiras horas de negociação, o dólar registrou alta frente ao real, enquanto investidores repercutiam as decisões recentes dos bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos, além dos desdobramentos do acordo de paz firmado entre EUA e Irã.

Por volta das 9h, a moeda norte-americana era negociada a R$ 5,1406, com avanço de 0,65%. Já as negociações do Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, tiveram início às 10h.

Copom reduz Selic para 14,25% ao ano

No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, decidiu reduzir a taxa básica de juros, a Selic, em 0,25 ponto percentual, passando de 14,50% para 14,25% ao ano.

A decisão foi unânime e já era esperada pelo mercado financeiro. Apesar do corte, o Banco Central manteve um tom de cautela em relação aos próximos passos da política monetária.

Em comunicado, o Copom destacou que o cenário internacional continua cercado por incertezas e que os efeitos das tensões globais ainda exigem atenção dos países emergentes.

Além disso, o Banco Central observou que a economia brasileira segue aquecida, com mercado de trabalho forte e sinais de pressão inflacionária acima da meta estabelecida.

Analistas avaliam que a redução dos juros pode estar próxima do fim, dependendo do comportamento da inflação nos próximos meses.

Federal Reserve mantém juros nos Estados Unidos

Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed), banco central americano, decidiu manter os juros na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano.

A reunião marcou um dos primeiros grandes testes da gestão de Kevin Warsh, indicado pelo presidente Donald Trump para comandar a instituição.

O comunicado divulgado pelo Fed reforçou a preocupação com a inflação ainda elevada na maior economia do mundo, indicando que a autoridade monetária continuará monitorando os indicadores antes de decidir por eventuais mudanças na taxa básica.

A manutenção dos juros em níveis elevados nos Estados Unidos costuma impactar diretamente economias emergentes como a brasileira.

Quando os rendimentos americanos permanecem atrativos, investidores tendem a direcionar recursos para os EUA, fortalecendo o dólar e reduzindo o fluxo de capital para outros mercados.

Dólar forte pressiona economias emergentes

Especialistas explicam que a valorização da moeda norte-americana pode gerar reflexos importantes para o Brasil.

Com o dólar mais caro, produtos importados tendem a subir de preço, pressionando a inflação em setores como combustíveis, eletrônicos e insumos industriais.

Esse cenário também pode dificultar novas reduções dos juros no Brasil, já que o controle da inflação continua sendo uma das principais preocupações das autoridades monetárias.

Acordo entre EUA e Irã reduz tensão internacional

Outro fator acompanhado pelos investidores é o acordo de paz firmado entre os Estados Unidos e o Irã na última quarta-feira (17).

O memorando de entendimento prevê uma série de compromissos entre os dois países, incluindo garantias relacionadas ao programa nuclear iraniano, suspensão de sanções americanas e compensações financeiras ao governo de Teerã.

O documento abre um período inicial de 60 dias para negociações que poderão resultar em um acordo definitivo sobre a questão nuclear.

A expectativa de redução das tensões no Oriente Médio influenciou diretamente o mercado internacional de petróleo.

Petróleo registra queda

Com a perspectiva de normalização do fluxo de petróleo na região, os preços da commodity operavam em baixa nesta manhã.

O barril do petróleo Brent, referência internacional, recuava 1,51%, sendo negociado a US$ 78,35. Já o petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, registrava queda de 2,14%, cotado a US$ 75,15.

A diminuição dos preços do petróleo é vista com bons olhos pelos mercados, já que pode contribuir para aliviar pressões inflacionárias em diversas economias.

Bolsas internacionais tiveram desempenho misto

Nos mercados globais, os investidores reagiram de forma cautelosa às decisões econômicas e aos acontecimentos internacionais.

Em Wall Street, os principais índices fecharam em queda na sessão anterior. O Dow Jones recuou 0,96%, enquanto o S&P 500 perdeu 1,19%. Já o Nasdaq registrou baixa de 1,32%.

Na Europa, o desempenho foi misto, mas predominou o otimismo em relação ao acordo entre EUA e Irã. O índice europeu STOXX 600 avançou 0,5%.

Na Ásia, os mercados fecharam majoritariamente em alta, impulsionados principalmente pelo setor de tecnologia, refletindo expectativas positivas para a economia da região.