Entidade afirma que número de novos casos de câncer pode chegar a 35 milhões por ano. Atualmente, são previstos 20,6 novos casos
A Organização Mundial da Saúde (OMS) fez um alerta preocupante nesta quarta-feira (8): se medidas efetivas não forem adotadas nos próximos anos, o número de novos casos de câncer no mundo poderá atingir 35 milhões por ano até 2050. Atualmente, a estimativa é de cerca de 20,6 milhões de novos diagnósticos anuais.
O cenário projetado reforça a necessidade de investimentos urgentes em prevenção, diagnóstico precoce e tratamento da doença. Segundo a entidade, a luta contra o câncer exige não apenas avanços médicos, mas também comprometimento político, ampliação do acesso aos serviços de saúde e fortalecimento de programas preventivos.
Entre as estratégias consideradas fundamentais estão o controle do tabagismo, a ampliação das campanhas de vacinação e a adoção de políticas públicas voltadas à redução dos fatores de risco associados à doença.
A OMS também destacou a desigualdade existente no acesso ao tratamento entre países ricos e pobres. De acordo com o relatório, cerca de 87% das mulheres diagnosticadas com câncer de mama em países de alta renda sobrevivem pelo menos cinco anos após o diagnóstico. Já nas nações de baixa renda, esse percentual cai para aproximadamente 42%.
Outro dado que preocupa a organização é o acesso limitado ao tratamento oncológico. Atualmente, menos de um terço dos países inclui o tratamento do câncer em seus pacotes de cobertura universal de saúde, dificultando o atendimento adequado para milhões de pessoas.
Além dos impactos na saúde, a OMS ressalta que o câncer também provoca profundas consequências econômicas e sociais para pacientes e familiares. O relatório aponta que cerca de 45% das famílias que convivem com um paciente oncológico enfrentam dificuldades financeiras significativas.
Os efeitos emocionais também são expressivos. Segundo a entidade, pelo menos metade dessas famílias sofre com problemas relacionados à saúde mental. Além disso, grande parte dos cuidadores precisa abrir mão de atividades sociais e dedicar horas de trabalho não remunerado para acompanhar o tratamento dos familiares.
Entre os diversos tipos da doença, o câncer de pulmão continua sendo o que mais causa mortes em todo o mundo. No entanto, especialistas destacam que uma parcela significativa dos casos poderia ser evitada.
A OMS estima que quatro em cada dez diagnósticos de câncer estão relacionados a fatores de risco modificáveis. Entre eles estão o consumo de tabaco, o abuso de bebidas alcoólicas, o excesso de peso, o sedentarismo e infecções causadas por agentes como HPV, hepatites B e C e a bactéria Helicobacter pylori.
Diante desse cenário, a organização apresentou uma série de recomendações para reduzir o avanço da doença nas próximas décadas. Entre as principais medidas estão a integração do tratamento oncológico aos sistemas universais de saúde, o investimento em profissionais especializados, o fortalecimento da pesquisa científica, a ampliação do acesso às inovações terapêuticas e o aumento da proteção social para pacientes e familiares.
A OMS também defende que pessoas com experiência direta no enfrentamento da doença participem ativamente da construção de políticas públicas e estratégias de cuidado.
O alerta reforça que o combate ao câncer depende de uma ação conjunta entre governos, profissionais de saúde, instituições de pesquisa e sociedade. Para especialistas, investir em prevenção, diagnóstico precoce e acesso ao tratamento continua sendo o caminho mais eficaz para reduzir o impacto de uma das doenças que mais desafiam os sistemas de saúde em todo o mundo.











