A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) anunciou que lançará, no início de agosto, um amplo programa de diversificação de mercados voltado para empresas brasileiras afetadas pelas novas tarifas impostas pelos Estados Unidos. A iniciativa contará com investimento de R$ 130 milhões e será desenvolvida em parceria com o setor privado.

O objetivo é fortalecer a presença dos produtos brasileiros em novos destinos comerciais, especialmente em mercados que oferecem oportunidades de crescimento diante das mudanças no cenário internacional.

Segundo o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, o plano terá abrangência nacional e atenderá diversos segmentos da economia, mas dará atenção especial aos setores que enfrentam novas barreiras tarifárias nos Estados Unidos e que, ao mesmo tempo, poderão se beneficiar das vantagens previstas no acordo entre Mercosul e União Europeia.

“É um plano geral, para todos os setores, mas com atenção especial àqueles que, ao mesmo tempo, estão sendo tarifados pelos EUA e terão as tarifas reduzidas com o acordo Mercosul-União Europeia”, afirmou Müller durante entrevista coletiva realizada nesta sexta-feira (17).

Europa surge como oportunidade estratégica

Entre os principais focos da nova estratégia está o mercado europeu. Na avaliação da ApexBrasil, o acordo firmado entre Mercosul e União Europeia abre uma nova janela de oportunidades para exportadores brasileiros.

Assinado em janeiro de 2026 após mais de duas décadas de negociações, o tratado prevê a redução gradual de tarifas e barreiras comerciais entre os dois blocos econômicos, criando uma das maiores áreas de livre comércio do planeta.

A expectativa é que a medida facilite o acesso de produtos brasileiros a países europeus, ampliando a competitividade nacional em diversos setores.

Ásia Central também está no radar

Além da Europa, a ApexBrasil pretende intensificar ações em mercados considerados emergentes e estratégicos. Entre eles estão países da Ásia Central, como Cazaquistão e Uzbequistão, apontados pela agência como regiões com potencial para ampliar as relações comerciais com o Brasil.

A proposta é reduzir a dependência de mercados tradicionais e abrir novas oportunidades para empresas brasileiras em diferentes regiões do mundo.

Resposta às tarifas americanas

O anúncio ocorre um dia após o governo dos Estados Unidos confirmar a aplicação de uma nova tarifa de 25% sobre determinados produtos brasileiros.

A medida foi adotada após uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento utilizado para avaliar práticas consideradas prejudiciais aos interesses comerciais norte-americanos.

Apesar da nova taxação, uma ampla lista de produtos brasileiros ficou fora da sobretaxa, reduzindo parte dos impactos sobre as exportações nacionais.

O governo brasileiro contestou a decisão e afirmou que a medida não possui fundamentos econômicos consistentes, classificando a ação como motivada por questões políticas.

Três frentes de atuação

Além da diversificação de mercados, a ApexBrasil informou que atuará em outras duas áreas consideradas prioritárias para proteger e ampliar a presença dos produtos brasileiros no exterior.

A primeira delas será o trabalho para ampliar a lista de itens brasileiros isentos da nova tarifa americana. A segunda consiste em fortalecer a participação internacional dos setores que permaneceram livres da taxação.

“Um: nós vamos continuar esse trabalho para aumentar a isenção. Dois: nós vamos ampliar o nosso trabalho para aumentar a participação brasileira dos setores que foram isentos. E, três, nós vamos trabalhar e anunciar um plano de diversificação para os mercados”, explicou Müller.

Expectativa para os próximos meses

A expectativa da ApexBrasil é que a combinação entre abertura de novos mercados, fortalecimento das exportações e aproveitamento das oportunidades geradas pelo acordo Mercosul-União Europeia ajude a reduzir os impactos das novas barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos.

O plano deverá ser apresentado oficialmente nas próximas semanas e será acompanhado de ações de promoção comercial, missões empresariais e iniciativas voltadas à ampliação da competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional.

Com o cenário global em constante transformação, o governo e o setor produtivo buscam alternativas para manter o crescimento das exportações e garantir novas oportunidades para empresas e trabalhadores brasileiros.