O grupo Hamas anunciou nesta sexta-feira (31) que aceitou um acordo para avançar no fim da guerra na Faixa de Gaza. Segundo integrantes da organização, o entendimento prevê um processo de desarmamento do grupo, condicionado à retirada gradual das forças israelenses do território palestino e ao cumprimento de compromissos assumidos por Israel.

A informação foi confirmada por Ghazi Hamad, integrante da equipe de negociação do Hamas, além de outras fontes ligadas ao grupo. De acordo com Hamad, as concessões foram feitas com o objetivo de reduzir o sofrimento da população civil da Faixa de Gaza, duramente afetada pelo conflito.

“O acordo busca salvar nosso povo da morte e do deslocamento”, afirmou o negociador, destacando que o processo de entrega das armas seria supervisionado pelo Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG), e não por Israel. Ele também ressaltou que a implementação dependerá do cumprimento das obrigações assumidas pelo governo israelense.

Trump celebra acordo

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou o entendimento na noite de quinta-feira (30), classificando-o como um “acordo histórico” e um “passo monumental rumo à paz e à segurança duradouras”.

Segundo o plano apresentado pelos Estados Unidos, o desarmamento do Hamas ocorrerá de forma gradual, acompanhado pela retirada das tropas israelenses e pela atuação de uma futura Força Internacional de Estabilização, que trabalhará ao lado de uma nova força policial palestina na administração de Gaza.

Israel ainda não oficializou posição

Até o momento, o governo de Israel não divulgou uma resposta oficial confirmando adesão ao acordo. Fontes ligadas ao governo israelense afirmaram que ainda existem pontos considerados insuficientes, especialmente em relação à exigência de uma desmilitarização completa da Faixa de Gaza antes da retirada das tropas.

Apesar dos avanços nas negociações, autoridades israelenses mantêm cautela quanto à implementação do plano.

Caminho para o fim da guerra

As negociações vêm sendo conduzidas há várias semanas com mediação internacional, envolvendo países como Egito, Catar e Turquia. O objetivo é consolidar uma nova fase do cessar-fogo e criar condições para encerrar definitivamente o conflito.

O desarmamento do Hamas sempre foi apontado como um dos principais obstáculos para um acordo permanente. Recentemente, o grupo também anunciou a dissolução da estrutura que administrava os assuntos civis da Faixa de Gaza desde 2007, sinalizando disposição para transferir a gestão do território ao Comitê Nacional para a Administração de Gaza.

Caso seja efetivamente implementado, o acordo poderá representar um dos passos mais importantes desde o início da guerra, abrindo caminho para uma nova administração civil em Gaza e para a reconstrução do território. No entanto, especialistas avaliam que o sucesso da iniciativa dependerá do cumprimento das etapas previstas por ambas as partes e da continuidade da mediação internacional.