Parar de fumar é uma das decisões mais importantes para a saúde, reduzindo o risco de diversas doenças e aumentando a expectativa de vida. No entanto, durante o processo de abandono do cigarro, é comum surgirem sintomas de abstinência, e um deles pode surpreender muitas pessoas: a prisão de ventre.

Segundo especialistas, cerca de 30% das pessoas que deixam o cigarro enfrentam episódios de constipação intestinal nas primeiras semanas sem nicotina. Apesar do desconforto, a condição costuma ser temporária e faz parte da adaptação natural do organismo.

Entenda por que isso acontece

A coordenadora da Comissão de Tabagismo da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), Maria Enedina Scuarcialupi, explica que a nicotina estimula a ação da acetilcolina, um neurotransmissor responsável por favorecer os movimentos do intestino.

Esse estímulo aumenta as contrações intestinais, facilita a secreção de líquidos e acelera o esvaziamento do cólon. É por isso que muitas pessoas relatam a necessidade de evacuar logo após fumar o primeiro cigarro do dia.

Quando o consumo de nicotina é interrompido, o intestino perde esse estímulo constante e pode funcionar de forma mais lenta até que o organismo se adapte à nova rotina.

Além disso, mudanças no apetite, na alimentação, nos níveis de ansiedade e até no hábito de ir ao banheiro também contribuem para o aparecimento da constipação durante o período de abstinência.

Sintomas costumam desaparecer em poucas semanas

A coloproctologista Aline Amaro afirma que, na maioria dos casos, o funcionamento intestinal volta ao normal em aproximadamente quatro semanas.

Segundo a especialista, algumas medicações utilizadas no tratamento do tabagismo também podem favorecer a prisão de ventre em determinados pacientes, tornando o acompanhamento médico uma etapa importante durante o processo de abandono do cigarro.

Como aliviar a prisão de ventre

Os especialistas recomendam algumas medidas simples que ajudam o intestino a voltar ao funcionamento normal:

  • aumentar gradualmente o consumo de alimentos ricos em fibras;
  • beber bastante água ao longo do dia;
  • praticar atividade física regularmente;
  • estabelecer horários para ir ao banheiro, especialmente após as refeições;
  • procurar orientação médica caso os sintomas persistam ou sejam intensos.

Benefícios de parar de fumar compensam qualquer desconforto

Embora a abstinência possa provocar sintomas como irritabilidade, ansiedade, insônia, aumento do apetite, tremores e prisão de ventre, os médicos ressaltam que esses efeitos são passageiros e não se comparam aos benefícios obtidos ao abandonar o cigarro.

O tabagismo está entre os principais fatores de risco para diversos tipos de câncer, doenças cardiovasculares, enfermidades respiratórias e problemas no sistema digestivo.

Segundo Maria Enedina Scuarcialupi, as melhorias começam a ser percebidas poucos dias após o último cigarro. Na primeira semana, a pressão arterial tende a se normalizar, a frequência cardíaca diminui e a circulação sanguínea melhora.

Com o passar do tempo, o olfato e o paladar são recuperados, a pele apresenta melhor aspecto e o risco de doenças cardíacas e acidente vascular cerebral (AVC) reduz significativamente.

Os especialistas reforçam que quem deseja parar de fumar deve buscar acompanhamento profissional. O suporte médico aumenta as chances de sucesso, ajuda a controlar os sintomas da abstinência e torna o processo mais seguro e eficaz.