O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a fazer duras críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), chamando o chefe do Executivo brasileiro de “ladrão” e “corrupto” durante entrevista concedida neste domingo (2) à emissora argentina LN+.

Na declaração, Milei voltou a questionar as decisões do Judiciário brasileiro que anularam as condenações de Lula relacionadas à Operação Lava Jato.

“Ele é um ladrão, um corrupto. Não é inocente. Foi liberado por uma falha no processo jurídico”, afirmou o presidente argentino durante a entrevista.

Declarações reforçam crise diplomática

As novas críticas ocorrem poucos dias após a participação de Milei em um evento do Partido Liberal (PL), em São Paulo, onde declarou apoio público à candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República.

Na ocasião, o presidente argentino afirmou acreditar que o candidato do PL seria capaz de promover mudanças no Brasil e fez críticas ao governo de Lula, intensificando o desgaste nas relações diplomáticas entre os dois países.

Durante a entrevista à imprensa argentina, Milei também rebateu críticas feitas pelo governo brasileiro ao seu discurso e afirmou que não agiu por estratégia política.

Segundo ele, suas declarações foram espontâneas e refletiram suas convicções pessoais.

Apoio a Flávio Bolsonaro

Em discurso realizado durante a convenção do Partido Liberal, Milei declarou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro e afirmou esperar que o Brasil adote uma agenda econômica liberal.

O presidente argentino também criticou governos de esquerda na América Latina e voltou a defender políticas alinhadas ao liberalismo econômico.

As manifestações ampliaram a repercussão política do evento e geraram reações tanto no Brasil quanto na Argentina.

Federação de Municípios da Argentina critica declarações

As falas de Milei também provocaram reação dentro da própria Argentina.

A Federação Argentina de Municípios (FAM) divulgou uma nota oficial manifestando solidariedade ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao povo brasileiro.

No comunicado, a entidade classificou as declarações de Milei como uma “inaceitável falta de respeito” e afirmou que o posicionamento do presidente argentino prejudica a relação histórica entre os dois países.

A FAM destacou que Brasil e Argentina construíram, ao longo das últimas décadas, uma parceria baseada na cooperação, no respeito mútuo e na integração regional, defendendo que esse vínculo seja preservado independentemente das divergências políticas.

Relação entre os países segue sob tensão

Brasil e Argentina são os dois maiores parceiros econômicos do Mercosul e mantêm relações estratégicas em áreas como comércio, indústria, energia e integração regional.

Apesar das divergências políticas entre os atuais governos, especialistas avaliam que os laços institucionais e comerciais entre os dois países permanecem fundamentais para a estabilidade econômica e diplomática da América do Sul.

As recentes declarações de Javier Milei, no entanto, aumentam a tensão entre os governos e devem continuar repercutindo no cenário político regional nos próximos dias.