O prolongamento da guerra entre Estados Unidos e Irã começa a gerar impactos sobre a capacidade militar norte-americana. Segundo informações divulgadas nesta terça-feira (4) pela agência internacional Reuters, o Exército dos Estados Unidos utilizou “praticamente todo” o estoque de mísseis de precisão de longo alcance empregados no conflito, que já entrou em seu sexto mês.
A informação foi repassada à Reuters por três fontes com conhecimento dos dados militares dos EUA. Embora o número exato de armamentos restantes não tenha sido divulgado, o cenário acendeu um alerta entre analistas sobre a capacidade de resposta do país em eventuais novos conflitos.
Mísseis são considerados estratégicos
Entre os armamentos mais afetados estão os ATACMS (Army Tactical Missile System) e os PrSM (Precision Strike Missile), ambos lançados a partir de plataformas terrestres e utilizados para atingir alvos a grandes distâncias com alta precisão.
Os ATACMS já foram amplamente empregados em operações militares recentes, incluindo o apoio às forças ucranianas durante a guerra contra a Rússia. Já o PrSM representa a nova geração de mísseis de precisão do Exército norte-americano, oferecendo maior alcance e tecnologia mais avançada.
Especialistas consideram esses sistemas fundamentais para operações militares modernas, pois permitem atingir alvos estratégicos sem expor tropas diretamente ao combate.
Estoque reduzido preocupa autoridades
Segundo a Reuters, esta é a primeira vez que o baixo nível desses armamentos ofensivos é revelado desde o início da guerra contra o Irã.
A situação ocorre poucas semanas após veículos da imprensa norte-americana relatarem dificuldades relacionadas ao estoque de baterias do sistema de defesa aérea Patriot, outro equipamento considerado essencial para a segurança militar dos Estados Unidos.
Embora o Comando Central dos EUA, responsável pelas operações no Oriente Médio, tenha reduzido significativamente seu arsenal desses mísseis, uma das fontes afirmou à Reuters que outras regiões militares do país já começaram a receber reposições de armamentos.
Produção é cara e demorada
Os mísseis de precisão utilizados pelos Estados Unidos possuem alto custo de fabricação.
Cada unidade pode ultrapassar US$ 1 milhão (cerca de R$ 5,1 milhões), além de exigir longo tempo de produção, o que dificulta a reposição rápida dos estoques durante conflitos prolongados.
Analistas militares apontam que esses armamentos também seriam estratégicos em um eventual cenário de tensão envolvendo outras potências globais, como China e Rússia.
Guerra segue sem previsão de término
O conflito entre Estados Unidos e Irã foi iniciado em fevereiro, durante o governo do presidente Donald Trump, em uma ofensiva conduzida em conjunto com Israel.
Inicialmente, a expectativa era de uma campanha de curta duração. No entanto, a guerra entrou em seu sexto mês sem perspectivas de encerramento, aumentando os desafios logísticos e militares para as forças norte-americanas.
O prolongamento das operações tem ampliado o debate sobre a necessidade de reforçar a produção de armamentos e garantir a capacidade de resposta dos Estados Unidos diante de possíveis crises em outras regiões do mundo.
Até o momento, o governo norte-americano não divulgou oficialmente o número de mísseis restantes em seus arsenais nem comentou as informações publicadas pela Reuters.














