Federação das Indústrias do Estado da Paraíba (FIEPB) e Sebrae firmaram parceria para identificar vocações produtivas e oportunidades de desenvolvimento nos 223 municípios do estado

A Federação das Indústrias do Estado da Paraíba (FIEPB) e o Sebrae formalizaram, nesta terça-feira (8), um convênio voltado à identificação das vocações produtivas e das oportunidades de desenvolvimento nos 223 municípios paraibanos. A iniciativa busca conhecer as características econômicas de cada região e contribuir para o fortalecimento das atividades produtivas.

Durante o encontro, o presidente da Federação da Agricultura do Estado da Paraíba (Faepa) e do Conselho Deliberativo do Sebrae na Paraíba, Mário Borba, chamou atenção para as dificuldades enfrentadas atualmente pelo setor agropecuário no estado.

Segundo Mário Borba, o setor atravessa um momento de dificuldades, principalmente em razão do endividamento, das limitações no acesso ao crédito e da redução dos recursos destinados ao seguro rural.

Endividamento preocupa produtores

De acordo com o presidente da Federação da Agricultura, o endividamento tem dificultado a capacidade de investimento dos produtores e reduzido o acesso a novos financiamentos.

Mário Borba afirmou que o setor passa por um momento difícil devido, principalmente, às dificuldades relacionadas ao crédito rural e às políticas de apoio à produção.

“O setor agropecuário no estado passa um momento difícil por questão de endividamento, porque o governo não tem dado prioridade ao Plano Safra e ao seguro”, declarou.

Para o produtor rural, o crédito representa muito mais do que uma possibilidade de ampliar a produção. Ele é utilizado para comprar sementes, adquirir máquinas e equipamentos, investir em irrigação, melhorar estruturas, alimentar rebanhos e manter o funcionamento das propriedades durante períodos de maior dificuldade.

Quando o acesso ao financiamento é reduzido, todo esse ciclo acaba sendo afetado.

A consequência pode aparecer na produção, na geração de renda e até na permanência de famílias no campo.

Seguro rural é apontado como outro problema

Outro ponto destacado por Mário Borba foi o seguro rural.

Segundo ele, os recursos destinados ao seguro neste ano foram menores que os registrados anteriormente, o que deixou produtores mais expostos aos riscos inerentes à atividade agropecuária.

O campo está diretamente sujeito a fatores que muitas vezes não podem ser controlados pelo produtor. Chuvas abaixo do esperado, excesso de precipitações, estiagens prolongadas, pragas e outras ocorrências podem provocar perdas significativas.

Em um estado como a Paraíba, onde diferentes regiões convivem com características climáticas distintas e, principalmente no interior, a disponibilidade de água pode determinar o sucesso de uma produção, mecanismos de proteção financeira assumem papel estratégico.

O seguro rural pode ajudar a reduzir os impactos provocados por perdas e permitir que o produtor tenha condições de reorganizar sua atividade.

Sem essa proteção, uma perda significativa pode representar o início de um ciclo de endividamento ainda maior.

Crédito é fundamental para manter a produção

A dificuldade de acesso ao crédito também preocupa porque muitos produtores precisam de financiamento para iniciar ou manter seus ciclos produtivos.

O crédito rural permite que o agricultor planeje a produção com maior segurança e tenha recursos para realizar investimentos que dificilmente seriam possíveis apenas com capital próprio.

No entanto, quando o produtor já está endividado, conseguir um novo financiamento pode se tornar ainda mais complicado.

É justamente nesse ponto que o problema pode se transformar em um ciclo difícil de romper: o produtor precisa de recursos para produzir, mas o endividamento limita seu acesso ao crédito; sem crédito, a capacidade de investimento diminui; com menor capacidade de investimento, a produção pode ser prejudicada, dificultando a recuperação financeira.

Para as entidades que representam o setor, a construção de políticas públicas voltadas à renegociação de dívidas e à ampliação das condições de financiamento pode ser importante para evitar que problemas momentâneos se transformem em dificuldades permanentes.

Carga tributária também entra no debate

Além do crédito e do endividamento, Mário Borba apontou outro fator que, segundo ele, pesa sobre o setor agropecuário: a carga tributária.

O presidente da Federação da Agricultura afirmou que os tributos podem comprometer a viabilidade econômica de determinadas atividades.

“A carga tributária é uma coisa que pesa muito, inviabilizando determinados segmentos da agropecuária”, alertou.

A preocupação está relacionada principalmente aos custos acumulados ao longo da cadeia produtiva.

O produtor não enfrenta apenas os gastos diretamente ligados à propriedade. Existem custos com insumos, transporte, equipamentos, energia, mão de obra, manutenção, armazenamento e comercialização.

Quando a carga tributária se soma a esses fatores, a margem financeira de determinadas atividades pode ficar ainda mais apertada.

Em períodos de preços desfavoráveis ou de aumento dos custos de produção, essa pressão pode ser ainda maior.

Agropecuária tem papel estratégico na economia paraibana

A preocupação com o setor agropecuário ultrapassa os limites das propriedades rurais.

A atividade movimenta uma extensa cadeia econômica, envolvendo fornecedores de máquinas, lojas de insumos, transportadores, trabalhadores, comerciantes, indústrias de beneficiamento e diversos outros segmentos.

Em muitos municípios do interior paraibano, a produção rural possui papel fundamental na geração de renda e na movimentação do comércio local.

Por isso, dificuldades enfrentadas pelos produtores podem repercutir diretamente na economia dos municípios.

Quando uma propriedade reduz sua produção, por exemplo, pode diminuir a contratação de trabalhadores, a compra de insumos e a utilização de serviços. O impacto pode alcançar empresas e famílias que dependem direta ou indiretamente da atividade rural.

Por outro lado, quando o campo recebe condições adequadas para produzir, os efeitos positivos podem se espalhar por toda a economia.

Convênio busca identificar potencial dos municípios

A discussão ocorreu no mesmo dia em que FIEPB e Sebrae formalizaram um convênio voltado à identificação das vocações produtivas e das oportunidades de desenvolvimento nos 223 municípios da Paraíba.

A iniciativa busca conhecer melhor as características econômicas de cada região e identificar atividades que possam ser fortalecidas.

Esse tipo de levantamento pode contribuir para a criação de estratégias mais direcionadas, levando em consideração as particularidades de cada município.

A Paraíba possui regiões com diferentes características econômicas, ambientais e produtivas. Enquanto algumas áreas possuem maior presença da agricultura e pecuária, outras apresentam potencial em setores como indústria, comércio, serviços, turismo, artesanato e tecnologia.

Conhecer essas diferenças é importante para que políticas de desenvolvimento sejam elaboradas de maneira mais eficiente.

No caso do setor rural, um diagnóstico mais preciso também pode ajudar a identificar os principais gargalos enfrentados pelos produtores e as oportunidades de crescimento.

Produtor precisa de segurança para investir

Um dos principais desafios para o setor agropecuário é criar um ambiente no qual o produtor tenha segurança para investir.

A produção rural exige planejamento e, muitas vezes, investimentos realizados meses antes de qualquer retorno financeiro.

O agricultor compra insumos, prepara a terra, planta, acompanha o desenvolvimento da lavoura e somente depois realiza a colheita e a comercialização.

Na pecuária, os ciclos também podem ser longos, dependendo da atividade.

Por isso, crédito acessível, seguro adequado e regras tributárias que não comprometam a viabilidade econômica são considerados importantes para garantir previsibilidade.

Sem essa segurança, o produtor tende a reduzir investimentos e assumir menos riscos, o que pode limitar o crescimento do setor.

O desafio de manter o campo produtivo

O alerta apresentado por Mário Borba coloca em evidência uma questão que vai além das contas das propriedades rurais: a necessidade de garantir condições para que o campo continue sendo uma fonte de trabalho, renda e desenvolvimento.

A agricultura e a pecuária fazem parte da vida de milhares de famílias paraibanas. Em muitas comunidades, a atividade rural representa não apenas uma profissão, mas uma tradição construída ao longo de gerações.

Garantir a sustentabilidade econômica dessas propriedades significa também preservar empregos, movimentar os municípios e fortalecer a produção local.

O enfrentamento do endividamento, portanto, exige diálogo entre produtores, entidades representativas, instituições financeiras e poder público.

Medidas relacionadas à renegociação de dívidas, ampliação do crédito, fortalecimento do seguro rural e revisão de custos que comprometem determinadas atividades podem fazer parte desse debate.

Um olhar para o futuro

A preocupação manifestada pela Federação da Agricultura ocorre em um momento em que a Paraíba busca ampliar suas oportunidades de desenvolvimento econômico.

O convênio entre FIEPB e Sebrae representa uma tentativa de olhar para cada município e entender onde estão suas maiores possibilidades de crescimento.

Nesse cenário, o fortalecimento do setor agropecuário pode ser uma das peças importantes dessa estratégia.

Para isso, entretanto, os produtores precisam ter condições de continuar investindo e produzindo.

O campo paraibano possui potencial, mas esse potencial precisa estar acompanhado de políticas que reduzam vulnerabilidades e ofereçam maior segurança para quem trabalha diariamente na produção de alimentos e na movimentação da economia.

O alerta de Mário Borba serve, assim, como um chamado para que o endividamento, o acesso ao crédito, o seguro rural e a carga tributária sejam tratados como temas prioritários.

Mais do que garantir números positivos na produção, enfrentar esses desafios significa preservar a capacidade de milhares de produtores de continuar trabalhando, investindo e mantendo viva uma das atividades mais importantes para o desenvolvimento econômico e social da Paraíba.