A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou o recolhimento de suplementos alimentares que permaneciam sendo comercializados no Brasil sem atender às exigências sanitárias estabelecidas pela legislação. A medida, publicada nessa quarta-feira (9), também suspende a comercialização, distribuição, propaganda e utilização dos produtos alcançados pela decisão.

A determinação chama a atenção para um problema que pode passar despercebido por muitos consumidores: a compra de suplementos sem a devida regularização sanitária. Produtos desse tipo são frequentemente apresentados como alternativas para melhorar a saúde, aumentar a disposição, auxiliar na alimentação ou até contribuir para o tratamento de determinados problemas, o que pode levar pessoas a consumi-los sem conhecer as condições de segurança e qualidade exigidas pelos órgãos responsáveis.

Entre os produtos atingidos pela decisão está o suplemento em cápsulas Expert Berlian, comercializado também com as denominações Expert Diamond e Expert Dimond, da empresa Diamond Expert Brasil Importação e Exportação. Segundo a Anvisa, o produto não apresentou os estudos de estabilidade exigidos para comprovar que suas características permanecem adequadas durante todo o período indicado para consumo.

Outro ponto considerado pela agência é que a notificação do suplemento havia sido cancelada em janeiro de 2025. Apesar disso, o produto continuava sendo divulgado e comercializado, inclusive com alegações relacionadas a benefícios para a saúde.

Suplemento era divulgado com promessas de benefícios

De acordo com as informações divulgadas pela Anvisa, o Expert Berlian vinha sendo apresentado ao público com promessas de ação anti-inflamatória, alívio de dores articulares e auxílio no tratamento de condições como artrite, artrose e fibromialgia.

Esse tipo de alegação exige atenção especial do consumidor. Suplementos alimentares não devem ser confundidos com medicamentos e não podem ser apresentados como capazes de tratar ou curar doenças quando não possuem autorização e comprovação científica e regulatória para isso.

A preocupação aumenta quando um produto continua sendo anunciado mesmo depois de ter sua situação sanitária considerada irregular. Na prática, o consumidor pode acreditar que está adquirindo um produto devidamente autorizado, quando, na realidade, a situação perante o órgão regulador já foi alterada.

Por esse motivo, a Anvisa determinou que o suplemento deixe de ser comercializado e que sejam interrompidas também sua distribuição, publicidade e utilização.

Outros suplementos também foram atingidos

A decisão da agência não se limita ao produto da empresa Diamond Expert Brasil. Também foram adotadas medidas contra suplementos fabricados pela LHS Indústria e Comércio de Alimentos.

Entre os produtos citados estão as linhas Nutra Senior, Nutra Senior Premium, Nutra Whey Gourmet, Nutra Senior Zero Açúcar e Nutra Senior Diabetics Care, em todos os sabores.

Segundo a Anvisa, os fabricantes não apresentaram estudos capazes de demonstrar que os produtos mantêm, durante todo o prazo de validade, as características relacionadas à segurança, composição e qualidade declaradas.

Essa comprovação é importante porque um suplemento não deve ser avaliado apenas no momento em que é produzido. As características do produto precisam permanecer dentro dos padrões estabelecidos durante todo o período em que ele estiver indicado para consumo.

Sem os estudos necessários, não há garantia suficiente de que o conteúdo encontrado dentro da embalagem continue apresentando as mesmas condições informadas no rótulo até a data de validade.

Venda pela internet aumenta atenção

Um dos aspectos que tornam esse tipo de situação ainda mais preocupante é a facilidade de acesso aos suplementos por meio da internet.

Produtos podem ser anunciados em sites, redes sociais, plataformas de comércio eletrônico e outros canais digitais, alcançando consumidores de diferentes regiões do país. Muitas vezes, a publicidade utiliza linguagem voltada ao bem-estar, à saúde e à qualidade de vida, o que pode transmitir uma sensação de segurança ao comprador.

No entanto, a existência de um anúncio na internet não significa que determinado suplemento esteja regularizado ou autorizado para comercialização.

Por isso, a recomendação é que o consumidor não baseie sua decisão apenas nas informações apresentadas pelo vendedor. É importante verificar a situação do produto e desconfiar de promessas consideradas exageradas, especialmente quando um suplemento é anunciado como solução para doenças, dores persistentes ou condições que normalmente exigem acompanhamento médico.

O que o consumidor deve fazer

Diante da determinação da Anvisa, a orientação é que as pessoas que tenham algum dos produtos citados interrompam o consumo.

Também é recomendável evitar a compra ou utilização de suplementos que estejam incluídos em medidas de suspensão ou recolhimento determinadas pela autoridade sanitária.

Quem possui dúvidas sobre determinado produto pode consultar informações oficiais dos órgãos de vigilância sanitária antes de iniciar o consumo. A embalagem também deve ser observada com atenção, incluindo informações sobre fabricante, composição, validade e demais dados obrigatórios.

Outro cuidado importante é não substituir tratamentos médicos por suplementos vendidos com promessas de resultados rápidos. Mesmo quando um produto é regularizado, isso não significa que ele possa substituir medicamentos, consultas ou tratamentos indicados por profissionais de saúde.

Medida reforça importância da fiscalização

A determinação da Anvisa mostra o papel da fiscalização sanitária na proteção dos consumidores. O objetivo dessas medidas é impedir que produtos sem comprovação adequada de qualidade e segurança permaneçam disponíveis no mercado.

No caso dos suplementos citados, a ausência dos estudos exigidos foi um dos fatores determinantes para a adoção das medidas. A preocupação central está na impossibilidade de assegurar que os produtos mantenham suas características durante todo o prazo de validade.

A atuação da agência também serve de alerta para empresas do setor, que precisam cumprir as exigências sanitárias antes de colocar produtos à disposição do público e manter a documentação necessária para comprovar sua segurança e qualidade.

Para o consumidor, a situação reforça uma recomendação simples, mas importante: antes de comprar qualquer suplemento, especialmente aqueles que prometem benefícios relacionados à saúde, é fundamental verificar sua procedência e situação regulatória.

Em um mercado cada vez mais movimentado por anúncios nas redes sociais e pelas vendas online, a atenção do consumidor se torna uma importante ferramenta de proteção.

A orientação da Anvisa, portanto, é clara em relação aos produtos atingidos pela decisão: eles devem ser retirados do mercado, enquanto a propaganda, distribuição e utilização também ficam proibidas. Para quem já adquiriu algum dos suplementos mencionados, a recomendação é interromper o consumo e buscar informações oficiais antes de tomar qualquer outra decisão.

Mais do que uma questão comercial, o caso evidencia que produtos destinados à alimentação e ao bem-estar também precisam obedecer a regras específicas. A regularização sanitária existe justamente para reduzir riscos e garantir que aquilo que chega à mesa ou à rotina dos brasileiros apresente condições adequadas de segurança e qualidade.