11 de setembro de 2001. A data ficou gravada na memória de milhões de pessoas ao redor do mundo e, 25 anos depois, continua sendo lembrada como um dos acontecimentos mais impactantes do século XXI. Nesta sexta-feira (11), o atentado terrorista contra as Torres Gêmeas do World Trade Center, em Nova York, e contra o Pentágono, em Washington, completa um quarto de século.
A pergunta “o que você estava fazendo na manhã daquele 11 de setembro?” tornou-se uma das mais simbólicas da história recente. Para quem viveu aquele momento, as imagens de aviões atingindo prédios, fumaça cobrindo o céu de Nova York e pessoas tentando entender o que estava acontecendo permanecem difíceis de esquecer.
O ataque, atribuído à organização extremista Al-Qaeda, provocou a morte de 2.977 pessoas, além dos 19 sequestradores envolvidos na operação. Quatro aviões comerciais foram sequestrados naquele dia. Dois atingiram as torres do World Trade Center, um foi lançado contra o Pentágono e outro caiu em uma área rural da Pensilvânia após passageiros tentarem retomar o controle da aeronave.
O episódio não apenas provocou uma das maiores tragédias da história dos Estados Unidos, como também transformou a política internacional, os protocolos de segurança, as relações entre países e a própria percepção mundial sobre o terrorismo.
Um mundo que parecia estar entrando em uma nova era
Quando os ataques aconteceram, os Estados Unidos ocupavam uma posição de enorme influência no cenário internacional. A Guerra Fria havia terminado em 1991, com o enfraquecimento e posterior dissolução da União Soviética, deixando os norte-americanos como principal potência mundial.
Ao mesmo tempo, o Oriente Médio e a Ásia Central viviam profundas transformações políticas. Durante a Guerra do Afeganistão contra a União Soviética, nos anos 1980, Estados Unidos, Arábia Saudita e Paquistão apoiaram grupos que combatiam as tropas soviéticas.
Com o fim do conflito, o Afeganistão entrou em um período de instabilidade. Em 1996, o Talibã assumiu o controle de grande parte do país e permitiu que Osama bin Laden e integrantes da Al-Qaeda encontrassem espaço para organizar uma estrutura extremista.
A presença militar norte-americana na Arábia Saudita após a Guerra do Golfo, as sanções contra o Iraque durante os anos 1990 e as disputas envolvendo Israel e os territórios palestinos também contribuíram para alimentar discursos antiamericanos utilizados por grupos extremistas.
Foi nesse ambiente que a Al-Qaeda consolidou uma rede internacional que posteriormente seria responsável pelo planejamento do maior ataque terrorista já realizado em território norte-americano.
A manhã que parou os Estados Unidos
O primeiro ataque ocorreu às 8h46, no horário local de Nova York. O voo American Airlines 11, um Boeing 767 que havia decolado de Boston com destino a Los Angeles, atingiu a Torre Norte do World Trade Center.
Naquele momento, muitas pessoas ainda acreditavam que se tratava de um acidente. As emissoras de televisão começaram a transmitir imagens ao vivo da fumaça que saía do edifício.
Poucos minutos depois, porém, a realidade ficou ainda mais assustadora.
Às 9h03, o voo United Airlines 175 atingiu a Torre Sul. As imagens foram transmitidas ao vivo para milhões de espectadores e deixaram claro que os Estados Unidos estavam diante de um ataque coordenado.
Às 9h37, o voo American Airlines 77 atingiu o Pentágono, sede do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, na região de Washington.
O quarto avião, o United Airlines 93, caiu às 10h03, em uma área rural da Pensilvânia. Investigações apontaram que passageiros tentaram reagir contra os sequestradores depois de descobrirem, por meio de ligações telefônicas, que outros aviões haviam sido utilizados nos ataques.
A aeronave não chegou ao alvo planejado pelos sequestradores.
A queda das Torres Gêmeas
A Torre Sul desabou às 9h59, menos de uma hora depois de ter sido atingida. Pouco depois, às 10h28, foi a vez da Torre Norte.
As duas construções, que simbolizavam o poder econômico dos Estados Unidos, desapareceram diante das câmeras de televisão enquanto uma gigantesca nuvem de poeira e destroços avançava pelas ruas de Manhattan.
Mais tarde, o World Trade Center sofreu outra perda estrutural. O edifício 7 World Trade Center também desabou no final daquele dia, depois de ter sido severamente afetado pelos incêndios e pelos danos provocados pela destruição das torres.
Entre as pessoas que perderam a vida estavam 345 bombeiros de Nova York, além de policiais, profissionais de emergência, trabalhadores e visitantes.
As vítimas representavam dezenas de nacionalidades. Entre os mortos estavam também três brasileiros: Anne Marie Sallerin Ferreira, Sandra Fajardo Smith e Ivan Kyrillos Fairbanks Barbosa.
Uma tragédia que continuou depois daquele dia
O impacto do 11 de setembro não terminou quando os incêndios foram controlados.
Milhares de bombeiros, policiais, profissionais de saúde, voluntários e trabalhadores participaram das operações de resgate e limpeza da região. Muitos foram expostos a poeira e substâncias tóxicas presentes nos escombros.
Com o passar dos anos, doenças relacionadas à exposição aos materiais encontrados no local provocaram novas mortes e problemas de saúde entre sobreviventes e profissionais que trabalharam na região.
Dessa forma, o número de pessoas afetadas pelo atentado continuou crescendo mesmo depois do fim das operações emergenciais.
A investigação e a busca por Osama bin Laden
As autoridades norte-americanas iniciaram imediatamente uma grande investigação. Os 19 sequestradores foram identificados e os investigadores concluíram que a operação havia sido organizada pela Al-Qaeda.
Osama bin Laden, então líder da organização, passou a ser considerado o principal responsável pelo planejamento dos ataques. Ele já era procurado pelas autoridades norte-americanas por envolvimento em outros atentados contra interesses dos Estados Unidos.
Bin Laden estava no Afeganistão sob proteção do regime Talibã. O governo de George W. Bush exigiu que os líderes afegãos entregassem o chefe da Al-Qaeda, mas as exigências não foram atendidas.
Em outubro de 2001, os Estados Unidos e aliados iniciaram uma operação militar no Afeganistão. O Talibã foi retirado do poder em Cabul, mas Bin Laden permaneceu desaparecido por quase uma década.
Guerra ao Terror e mudanças no mundo
O governo norte-americano declarou uma ampla campanha internacional contra o terrorismo. Em 2001, os Estados Unidos invadiram o Afeganistão. Dois anos depois, em 2003, o país também invadiu o Iraque, em uma decisão que provocou enorme controvérsia internacional.
Dentro dos Estados Unidos, George W. Bush chegou a registrar índices de aprovação próximos de 90% após os ataques.
No mundo inteiro, aeroportos passaram por mudanças profundas. Revistas de segurança foram ampliadas, procedimentos de embarque ficaram mais rígidos e regras relacionadas a líquidos, bagagens e objetos pessoais passaram a fazer parte da rotina dos passageiros.
O impacto também chegou ao Brasil e a outros países, que reforçaram procedimentos de segurança em aeroportos e espaços públicos.
A morte de Osama bin Laden
Depois de anos de buscas, Osama bin Laden foi localizado em Abbottabad, no Paquistão, em 2011. Ele vivia em um complexo residencial que chamou a atenção das autoridades pela estrutura de segurança e pela proximidade com uma importante instalação militar paquistanesa.
Na madrugada de 2 de maio daquele ano, forças especiais norte-americanas realizaram uma operação no local. Bin Laden foi morto aos 54 anos.
Sua morte foi anunciada pelo presidente Barack Obama e representou um dos momentos mais importantes da longa perseguição iniciada após os ataques de 2001.
Vinte e cinco anos depois
Passados 25 anos, o 11 de setembro continua sendo estudado por historiadores, pesquisadores, jornalistas e especialistas em relações internacionais.
A tragédia mudou a maneira como os Estados Unidos enxergavam sua própria segurança e alterou profundamente as relações internacionais. Também deixou marcas em famílias que perderam parentes, em sobreviventes e em profissionais que atuaram no resgate.
Mais do que números, porém, o 11 de setembro é formado por milhares de histórias individuais: pessoas que saíram de casa para trabalhar e nunca retornaram, passageiros que embarcaram em um voo comum e enfrentaram uma situação inimaginável, bombeiros que













