Fiji, país insular localizado no Oceano Pacífico, declarou emergência nacional em razão do avanço da infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV). A decisão foi anunciada pelas autoridades de saúde diante do crescimento acelerado dos novos diagnósticos e da preocupação com a transmissão sexual e o uso de drogas ilícitas.
O anúncio foi feito na quarta-feira (16) pelo ministro da Saúde de Fiji, Atonio Lalabalavu, que afirmou que a medida representa o reconhecimento da gravidade do cenário enfrentado pelo país. Segundo o governo, a emergência também busca acelerar uma resposta coordenada envolvendo prevenção, testagem, tratamento e conscientização da população.
Os números apresentados pelas autoridades ajudam a dimensionar o desafio. Em 2025, Fiji registrou 2.106 novos diagnósticos de HIV, quantidade 16 vezes superior à registrada em 2019. O crescimento chamou a atenção das autoridades e colocou o país diante da necessidade de ampliar as estratégias de prevenção e atendimento.
“Declaro formalmente emergência nacional por HIV”, afirmou o ministro da Saúde durante uma declaração à imprensa.
Segundo Lalabalavu, a decisão está relacionada à necessidade de reconhecer oficialmente a dimensão do problema e organizar uma resposta capaz de atender ao aumento da demanda por serviços de saúde.
Prevalência entre adultos preocupa autoridades
De acordo com estimativas divulgadas pelo governo, atualmente uma em cada 60 pessoas adultas em Fiji vive com HIV. O índice representa uma mudança significativa em relação ao cenário registrado cinco anos atrás, quando a estimativa era de uma pessoa infectada a cada 167 adultos.
A diferença demonstra o avanço da infecção no período e reforça a preocupação das autoridades de saúde pública. O aumento da prevalência também exige que o sistema de saúde esteja preparado para oferecer acompanhamento contínuo às pessoas diagnosticadas.
O HIV é um vírus que ataca o sistema imunológico. Sem tratamento, a infecção pode evoluir para a aids, estágio mais avançado da doença. Entretanto, os medicamentos antirretrovirais atualmente disponíveis permitem controlar a infecção e possibilitam que pessoas vivendo com HIV tenham qualidade e expectativa de vida próximas às da população em geral quando o tratamento é iniciado e seguido adequadamente.
Por isso, especialistas e autoridades de saúde destacam a importância do diagnóstico precoce. Quanto mais cedo uma pessoa descobre a infecção, maiores são as possibilidades de iniciar o tratamento e reduzir os impactos provocados pelo vírus.
Transmissão sexual está entre os principais desafios
As autoridades de Fiji apontam a transmissão sexual como um dos fatores relacionados à expansão dos casos. A situação reforça a necessidade de ampliar campanhas de informação sobre prevenção e facilitar o acesso da população aos métodos de proteção.
O uso de preservativos continua sendo uma das principais formas de prevenção contra a transmissão sexual do HIV. Além disso, existem outras estratégias disponíveis, como a profilaxia pré-exposição, conhecida como PrEP, e a profilaxia pós-exposição, ou PEP, que podem ser utilizadas em situações específicas sob orientação dos serviços de saúde.
Outro ponto destacado pelo governo de Fiji é a relação entre o avanço da infecção e o uso de drogas ilícitas. O compartilhamento de materiais utilizados para injetar drogas pode facilitar a transmissão do HIV por meio do contato com sangue contaminado.
Nesse contexto, as ações de saúde pública precisam alcançar diferentes grupos da sociedade, principalmente pessoas que apresentam maior exposição aos fatores de risco.
Impacto sobre mulheres grávidas e crianças
Um dos aspectos mais delicados apresentados nos dados oficiais está relacionado à transmissão do HIV durante a gestação, o parto ou a amamentação.
Segundo as autoridades, duas em cada 100 mulheres grávidas em Fiji são portadoras do vírus. Em 2025, foram registrados 59 bebês nascidos com HIV. Desses, 18 morreram antes de completar um ano de idade.
Os números aumentam a preocupação porque mostram que o impacto da epidemia não se limita aos adultos. Quando não há diagnóstico e acompanhamento adequados durante a gestação, existe risco de transmissão do vírus para o bebê.
A transmissão vertical, porém, pode ser significativamente reduzida quando a gestante recebe diagnóstico, acompanhamento médico e tratamento adequado durante a gravidez. Por isso, o acesso ao pré-natal e à testagem é considerado fundamental para interromper novas infecções entre mães e crianças.
O cenário também reforça a importância de garantir acompanhamento aos bebês expostos ao vírus e às famílias que precisam lidar com o diagnóstico.
Governo amplia acesso a testes e tratamento
Diante do crescimento dos casos, o governo de Fiji informou que está ampliando o acesso da população aos testes gratuitos para detecção do HIV. A estratégia busca facilitar o diagnóstico e identificar pessoas que podem estar vivendo com o vírus sem saber.
A ampliação da testagem é considerada essencial porque muitas pessoas podem permanecer durante anos sem apresentar sintomas específicos. Nesse período, uma pessoa que não sabe que está infectada pode transmitir o vírus para outras pessoas.
Além dos testes, o governo também anunciou a expansão dos serviços de prevenção e tratamento. A intenção é garantir que o diagnóstico seja acompanhado por atendimento médico e acesso aos medicamentos necessários.
A resposta também envolve a necessidade de combater o estigma associado ao HIV. O medo de sofrer discriminação pode fazer com que algumas pessoas evitem procurar unidades de saúde ou realizar exames.
Informação continua sendo uma ferramenta de prevenção
Para além das medidas médicas, o enfrentamento da emergência exige informação clara e acessível. A população precisa compreender como o HIV é transmitido, quais são as formas de prevenção e onde buscar atendimento.
O HIV não é transmitido por contatos cotidianos, como abraços, apertos de mão, compartilhamento de ambientes ou convivência social. Esclarecer essas informações é importante para reduzir o preconceito contra pessoas que vivem com o vírus.
A experiência internacional mostra que políticas de prevenção combinadas com diagnóstico precoce e tratamento são fundamentais para controlar a disseminação do HIV. O acesso aos medicamentos também tem papel importante porque o tratamento reduz a quantidade de vírus presente no organismo.
Quando uma pessoa vivendo com HIV realiza o tratamento corretamente e mantém carga viral indetectável, ela não transmite o vírus por via sexual. O princípio é conhecido como “indetectável = intransmissível”, ou I=I.
Emergência coloca saúde pública no centro das atenções
A declaração de emergência nacional representa uma mudança importante na resposta de Fiji ao HIV. O crescimento dos diagnósticos nos últimos anos criou uma pressão adicional sobre o sistema de saúde e tornou necessária uma atuação mais ampla das autoridades.
Os dados de 2025 mostram a dimensão do desafio: 2.106 novos diagnósticos, aumento expressivo em relação a 2019, além de casos registrados entre gestantes e bebês.
Ao anunciar a emergência, o governo sinalizou que pretende acelerar medidas de prevenção, testagem e tratamento. A expectativa é que a mobilização permita identificar mais pessoas, ampliar o atendimento e reduzir novas transmissões.
Enquanto as autoridades organizam essa resposta, o cenário também reforça uma mensagem válida para toda a população: informação, prevenção, testagem e tratamento são instrumentos fundamentais para enfrentar o HIV.
Em Fiji, o desafio agora é transformar a declaração de emergência em ações capazes de interromper a expansão da infecção e garantir atendimento digno às pessoas que vivem com o vírus. Mais do que números, a crise envolve milhares de histórias e famílias que dependem de uma resposta de saúde pública rápida, coordenada e livre de preconceitos.













