O dólar abriu a sessão desta sexta-feira (25) em queda, em um dia marcado pela repercussão do encontro entre os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, além da divulgação de novos dados de inflação no Brasil e da atenção dos investidores ao cenário eleitoral. Perto das 9h, a moeda norte-americana recuava 0,21%, cotada a R$ 5,1823. Ao longo da manhã, porém, o câmbio passou a oscilar, refletindo a cautela dos investidores diante de um ambiente internacional ainda marcado por questões geopolíticas e econômicas.

A abertura dos negócios ocorre um dia depois de uma quinta-feira de pressão sobre os ativos brasileiros. O dólar comercial encerrou a sessão anterior com alta de 0,48%, a R$ 5,193, enquanto o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, caiu 0,99%, aos 183.965 pontos. Com isso, o índice acumulava queda de 0,68% na semana, embora ainda registrasse avanço de 3,69% em setembro e de 14,18% no ano.

Nesta sexta-feira, o Ibovespa começa a ser negociado às 10h, e os investidores acompanham uma série de acontecimentos capazes de influenciar os preços dos ativos ao longo do pregão.

Reunião entre Trump e Xi Jinping entra no radar

Um dos principais fatores acompanhados pelos mercados é a reunião entre Donald Trump e Xi Jinping, realizada na quinta-feira (24), na Casa Branca, em Washington.

O encontro reuniu os líderes das duas maiores economias do mundo em meio a uma série de disputas comerciais e tecnológicas. Entre os assuntos tratados estiveram tarifas, terras raras, compras de produtos agrícolas, inteligência artificial, chips, aviação e investimentos.

Também foram abordados temas geopolíticos, como Taiwan e a relação dos Estados Unidos e da China com o conflito envolvendo o Irã.

Após a reunião, Xi Jinping afirmou que os dois países haviam alcançado um entendimento comum em diversas questões e defendeu a busca por novas formas de cooperação. O líder chinês também destacou a necessidade de evitar um confronto entre as duas potências.

Trump, por sua vez, afirmou manter uma relação de amizade com Xi e destacou o interesse em construir uma relação comercial equilibrada.

O resultado do encontro passou a ser observado pelos investidores porque uma eventual redução das tensões entre Washington e Pequim pode ter reflexos sobre comércio internacional, cadeias de produção, tecnologia e preços de commodities.

Antes da reunião, os dois países também avançaram na extensão da trégua comercial. O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou que o entendimento entre Washington e Pequim permitiria estender por dois meses a trégua que venceria em 10 de novembro, levando o prazo para janeiro. Segundo ele, o período adicional poderá ser utilizado para negociações de um acordo mais amplo.

Petróleo também acompanha cenário internacional

Outro elemento importante para os mercados nesta sexta-feira é o comportamento do petróleo.

Com sinais de uma comunicação mais moderada entre Estados Unidos e China, os preços da commodity apresentaram queda. O Brent, referência internacional, recuava cerca de 0,97%, cotado a US$ 105,57, enquanto o WTI, referência no mercado norte-americano, registrava baixa de 1,80%, a US$ 92,91.

As cotações do petróleo também continuam influenciadas pelas tensões no Oriente Médio e pelas perspectivas relacionadas ao conflito envolvendo Estados Unidos e Irã.

Para o Brasil, o comportamento da commodity tem importância adicional por causa da Petrobras, do fluxo comercial e dos impactos que os preços dos combustíveis podem exercer sobre a inflação.

Inflação brasileira surpreende e chama atenção

No cenário doméstico, o principal destaque desta sexta-feira foi a divulgação do IPCA-15 de setembro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Considerado uma prévia da inflação oficial, o indicador registrou alta de 0,70% em setembro, resultado acima das expectativas do mercado, que apontavam para avanço próximo de 0,55%.

O resultado representa uma mudança importante em relação ao comportamento observado anteriormente e reforça a atenção do mercado sobre a trajetória dos preços no país.

Entre os fatores que contribuíram para o resultado estiveram itens relacionados à habitação e às despesas pessoais. A reversão do bônus de Itaipu nas tarifas de energia elétrica também estava entre os elementos esperados para exercer pressão sobre o índice.

Os números do IPCA-15 são acompanhados de perto por investidores porque ajudam a formar expectativas sobre os próximos passos da política monetária do Banco Central. Uma inflação mais pressionada pode influenciar as projeções para juros, câmbio e atividade econômica.

O mercado, portanto, passa a observar não apenas o resultado isolado de setembro, mas também a composição do indicador e a persistência ou não das pressões sobre os preços.

Eleições entram no radar dos investidores

Além dos indicadores econômicos, o cenário político brasileiro também permanece entre os fatores observados pelo mercado.

Com a aproximação das eleições de 2026, pesquisas eleitorais, debates e declarações dos candidatos passam a fazer parte da rotina dos investidores, principalmente porque diferentes propostas econômicas podem produzir expectativas distintas sobre política fiscal, gastos públicos, impostos, juros e ambiente de negócios.

Nesta sexta-feira, um dos compromissos previstos é o debate promovido pelo g1 com candidatos ao Senado por São Paulo. O encontro ocorre às 13h, com mediação da jornalista Ana Paula Campos, e será transmitido pelos canais digitais do portal.

O movimento dos mercados, entretanto, não depende de um único evento. Investidores costumam considerar simultaneamente indicadores econômicos, decisões de governos, cenário internacional e expectativas relacionadas ao processo eleitoral.

Bolsas internacionais têm comportamento misto

Na Ásia, o comportamento dos mercados também foi dividido nesta sexta-feira.

As ações chinesas encerraram o pregão em baixa, com empresas dos setores de seguros e tecnologia entre as que registraram perdas. Os investidores aguardavam mais informações sobre os resultados concretos da reunião entre Trump e Xi Jinping.

Em Hong Kong, o índice Hang Seng caiu 1,01%. No Japão, o Nikkei avançou 1,30%. Já os mercados da Coreia do Sul e os índices SSEC, de Xangai, e CSI300 não tiveram negociação nesta sexta-feira em razão de um feriado local.

O comportamento das bolsas asiáticas demonstra que, apesar de sinais diplomáticos mais moderados entre Washington e Pequim, os investidores ainda avaliam os efeitos concretos das negociações.

EUA e Irã continuam no radar

As tensões entre Estados Unidos e Irã também seguem influenciando o ambiente financeiro internacional.

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou na quinta-feira que os Estados Unidos precisam decidir se desejam encerrar o conflito e declarou que o Irã não pretende prolongar a guerra.

A fala ocorreu depois de declarações mais duras feitas por Pezeshkian durante a Assembleia Geral das Nações Unidas. Segundo o presidente iraniano, Teerã estaria disposto a negociar dentro das estruturas jurídicas internacionais.

A possibilidade de negociações é acompanhada de perto pelos mercados porque uma eventual mudança no cenário do Oriente Médio poderia afetar o petróleo, especialmente diante da importância estratégica das rotas de transporte de energia na região.

Um dia de atenção redobrada

O mercado brasileiro começa esta sexta-feira diante de uma combinação de fatores domésticos e internacionais. O dólar abriu em queda, mas passou a oscilar durante a manhã; o petróleo recuou, enquanto o IPCA-15 veio acima das expectativas.

Ao mesmo tempo, investidores acompanham os desdobramentos da reunião entre Trump e Xi Jinping, as tensões envolvendo Estados Unidos e Irã e o cenário eleitoral brasileiro.

Esse conjunto de acontecimentos ajuda a explicar por que o mercado financeiro pode apresentar oscilações significativas ao longo do dia. Em períodos de maior incerteza, cada novo dado pode alterar as expectativas dos investidores.

Para o consumidor brasileiro, essas movimentações também têm efeitos indiretos. O câmbio influencia produtos importados, o petróleo interfere nos combustíveis e a inflação afeta o poder de compra das famílias.

Assim, embora a cotação do dólar seja observada diariamente nas telas do mercado financeiro, seus efeitos ultrapassam os pregões da Bolsa e chegam à economia real. Nesta sexta-feira, entre decisões internacionais, inflação e eleições no horizonte, os investidores seguem atentos aos próximos sinais que podem definir os rumos dos mercados nas próximas semanas.