A Universidade de São Paulo (USP) alcançou um marco histórico no cenário acadêmico internacional ao conquistar a 141ª posição no Times Higher Education (THE) World University Rankings 2027, divulgado no fim de setembro. O resultado representa a melhor colocação já obtida pela instituição desde que passou a ser avaliada pelo ranking e coloca, pela primeira vez, uma universidade brasileira entre as 150 melhores do mundo.

O avanço ganha ainda mais relevância quando comparado à edição anterior. No ranking de 2026, a USP estava posicionada na faixa entre 201º e 250º lugar. Agora, a universidade salta para a 141ª colocação e aparece como a instituição mais bem classificada da América Latina e também do espaço ibero-americano.

O desempenho coloca em evidência o trabalho desenvolvido por pesquisadores, professores, estudantes e profissionais que integram a universidade. Mais do que uma posição em uma lista internacional, o resultado é um indicador de como a produção científica, o ensino e a capacidade de pesquisa de uma instituição brasileira vêm sendo observados em escala global.

Avanço expressivo da universidade brasileira

A trajetória da USP no THE ajuda a dimensionar o tamanho do resultado alcançado em 2027. Ao longo das últimas edições, a universidade oscilou em diferentes faixas do ranking, mas permaneceu entre as instituições brasileiras mais bem avaliadas.

Segundo dados da própria USP, a instituição havia aparecido na faixa de 201 a 250 em 2026. Na nova edição, avançou para a 141ª colocação, ultrapassando uma barreira que nenhuma universidade brasileira havia conseguido superar anteriormente.

O ranking divulgado pela Times Higher Education avaliou 2.297 universidades de 118 países e territórios, tornando esta uma das edições mais abrangentes da história do levantamento. O Brasil aparece com 58 instituições classificadas, sendo o país latino-americano com o maior número de universidades incluídas na lista.

O resultado mostra que a presença brasileira no ranking não está restrita a uma única instituição. Além da USP, outras universidades do país também apresentaram desempenho relevante.

Unicamp também alcança marca histórica

A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) aparece como a segunda instituição brasileira mais bem colocada na edição 2027. A universidade foi classificada na faixa entre 326º e 350º lugar, também alcançando sua melhor posição histórica no THE.

Na edição anterior, a Unicamp estava na faixa de 351º a 400º lugar. O avanço reforça a presença das universidades públicas brasileiras entre as instituições latino-americanas com maior desempenho no levantamento internacional.

Na sequência aparecem a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na faixa de 601º a 650º lugar; a Universidade Estadual Paulista (Unesp), entre 651º e 700º; e a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), entre 701º e 800º.

A concentração das primeiras posições brasileiras em instituições públicas também chama atenção para a importância da pesquisa e da produção científica desenvolvidas no sistema público de ensino superior.

Pesquisa tem papel central na avaliação

O Times Higher Education World University Rankings é elaborado a partir de diferentes indicadores destinados a medir o desempenho das instituições em áreas como ensino, ambiente de pesquisa, qualidade da pesquisa, relações com a indústria e perspectiva internacional.

Por isso, a posição alcançada pela USP não deve ser interpretada apenas como uma avaliação da qualidade das aulas ou da experiência dos estudantes. O levantamento procura analisar diferentes dimensões da atividade universitária, com forte atenção à produção científica e ao impacto internacional das pesquisas.

A própria Times Higher Education destaca que os dados utilizados no ranking incluem informações relacionadas à produtividade científica, citações, colaboração internacional, ambiente acadêmico e outros aspectos do funcionamento das instituições.

Esse modelo faz com que universidades com forte atuação em pesquisa tenham grande peso no resultado final.

USP também se destaca em outras avaliações

A conquista no THE ocorre em um momento em que a USP também aparece com destaque em outros rankings internacionais.

Segundo a própria universidade, na edição mais recente do QS World University Rankings, a instituição foi a brasileira mais bem classificada, ocupando a 133ª posição. No Academic Ranking of World Universities (ARWU), conhecido como ranking de Xangai, a USP ficou na faixa entre 101º e 150º lugar.

A instituição também apresenta desempenho expressivo quando a análise é feita por áreas específicas do conhecimento. No ranking THE by Subject, a USP foi a universidade brasileira mais bem colocada nas 11 áreas avaliadas pela publicação. Em quatro delas, apareceu entre as 100 melhores do mundo: Direito, Educação, Medicina e Saúde, e Artes e Humanidades.

Esses resultados ajudam a mostrar que o desempenho da universidade não está concentrado em uma única área acadêmica.

Oxford permanece na liderança mundial

Enquanto a USP comemora sua melhor posição histórica, a liderança global continua com a Universidade de Oxford, do Reino Unido.

Oxford ocupa o primeiro lugar do THE World University Rankings pelo 11º ano consecutivo, estabelecendo um recorde entre as instituições mais bem avaliadas do levantamento.

Na segunda posição aparece o Massachusetts Institute of Technology (MIT), dos Estados Unidos. Princeton e Stanford dividem a terceira colocação, enquanto a Universidade de Cambridge aparece em quinto lugar.

O ranking também evidencia mudanças no cenário internacional do ensino superior. A China, por exemplo, aparece com a Universidade Tsinghua na 11ª posição, enquanto a Universidade de Pequim ocupa o 13º lugar. Segundo a Times Higher Education, instituições asiáticas apresentaram avanços importantes nesta edição.

Um resultado que ultrapassa os números

A entrada da USP no grupo das 150 melhores universidades do mundo representa um momento significativo para o ensino superior brasileiro. A posição 141 não elimina os desafios enfrentados pelas universidades do país, mas evidencia a capacidade de uma instituição brasileira de alcançar patamares de reconhecimento internacional em um ambiente altamente competitivo.

A classificação também chama atenção para a importância da pesquisa científica e da formação acadêmica em um cenário global no qual universidades são avaliadas não apenas pelo ensino oferecido, mas também pela capacidade de produzir conhecimento, estabelecer cooperações internacionais e gerar impacto científico e social.

Para estudantes que ingressam ou já fazem parte da USP, o resultado representa ainda uma forma de reconhecimento internacional da instituição em que estudam. Para pesquisadores, o desempenho reforça a visibilidade da produção científica brasileira.

O avanço da USP no ranking de 2027 também coloca em perspectiva o desempenho de outras universidades nacionais, especialmente a Unicamp, que alcançou igualmente sua melhor marca histórica.

Com 58 instituições brasileiras classificadas, o país mantém uma presença expressiva no levantamento global. E, pela primeira vez, essa presença chega ao grupo das 150 melhores do planeta.

O resultado da USP, portanto, não se resume à mudança de uma posição para outra. Ele representa a entrada inédita de uma universidade brasileira em uma faixa de destaque do principal ranking internacional de ensino superior e coloca a produção acadêmica do país diante de uma vitrine global cada vez mais disputada.

Para a educação brasileira, o número 141 passa a fazer parte de uma trajetória que ainda terá novos capítulos — dentro e fora dos rankings internacionais.