As atividades relacionadas aos minerais críticos e estratégicos concentraram 57% dos empregos da indústria extrativa mineral brasileira em 2025. Os dados são da Agência Nacional de Mineração (ANM) e revelam a importância crescente desse segmento para a economia nacional, especialmente diante da expansão das tecnologias digitais, da transição energética e da demanda por matérias-primas utilizadas em setores industriais de alta complexidade.
De acordo com as informações disponibilizadas pela agência, o Brasil contabilizou aproximadamente 226,6 mil empregos na indústria extrativa mineral durante o ano passado. Desse total, 129,4 mil postos de trabalho estavam associados às atividades envolvendo minerais considerados críticos e estratégicos.
Os números foram apresentados por meio do Portal de Minerais Críticos e Estratégicos, lançado pela ANM. A plataforma reúne informações sobre o mercado de trabalho e ajuda a compreender o peso econômico de uma área que ocupa posição importante nas discussões sobre desenvolvimento industrial, inovação e competitividade do país.
Além de movimentar a economia e gerar oportunidades profissionais, o segmento está relacionado a matérias-primas fundamentais para a fabricação de baterias, veículos elétricos, equipamentos eletrônicos e tecnologias utilizadas em diferentes setores produtivos.
Qualificação profissional ganha destaque na mineração
Os dados da ANM também mostram que as atividades ligadas aos minerais críticos e estratégicos demandam trabalhadores com diferentes níveis de formação, incluindo profissionais qualificados e pessoas com ensino superior.
Dos 129,4 mil empregos registrados nesse segmento, 51.714 eram ocupados por trabalhadores classificados como mão de obra qualificada. Esse contingente corresponde a aproximadamente 23% de todos os postos de trabalho existentes na indústria extrativa mineral brasileira.
O levantamento também identificou 30.707 trabalhadores com ensino superior nas atividades relacionadas aos minerais críticos e estratégicos. O número equivale a cerca de 14% do total de empregos da indústria extrativa mineral do país.
Os indicadores demonstram a presença de profissionais especializados em uma atividade que envolve operações industriais, pesquisa geológica, planejamento, engenharia, segurança, gestão ambiental e desenvolvimento de tecnologias.
A formação profissional tende a continuar relevante à medida que o setor busca ampliar a produtividade, melhorar os processos de extração e beneficiamento e atender às exigências ambientais e tecnológicas dos mercados nacionais e internacionais.
Nesse cenário, a capacitação técnica e o investimento em educação podem contribuir para ampliar as oportunidades de emprego e preparar trabalhadores para funções que exigem conhecimentos específicos.
Diferença salarial acompanha o nível de escolaridade
A remuneração também aparece entre os pontos de destaque do levantamento. Em 2025, o salário mediano dos trabalhadores com ensino fundamental foi de R$ 3.218,08. Entre aqueles com ensino médio, o valor chegou a R$ 4.142,24.
Já os profissionais com ensino superior apresentaram salário mediano de R$ 11.856,16.
Os números indicam uma diferença expressiva entre as faixas de escolaridade e reforçam a importância da formação acadêmica e da qualificação para determinadas ocupações da indústria extrativa mineral.
É importante destacar que o salário mediano representa o valor que divide os trabalhadores em dois grupos: metade recebe remuneração inferior a esse patamar e a outra metade recebe valor superior. Portanto, o indicador não corresponde necessariamente ao salário inicial ou à média salarial de todas as profissões do setor.
A remuneração efetiva pode variar conforme a função exercida, a experiência profissional, a localização do empreendimento, o porte da empresa e as condições específicas de cada atividade.
Mesmo com essas diferenças, os dados ajudam a dimensionar o potencial econômico da mineração e a relevância dos profissionais que atuam em atividades de maior especialização.
Mulheres ainda são minoria no setor
Outro aspecto revelado pela ANM é a predominância masculina nas atividades relacionadas aos minerais críticos e estratégicos.
Em 2025, os homens representavam 78% dos empregos desse segmento, enquanto as mulheres ocupavam 22% dos postos de trabalho.
A distribuição evidencia que, apesar da participação feminina, o setor ainda apresenta uma diferença significativa entre homens e mulheres. O cenário também coloca em discussão a necessidade de ampliar as oportunidades de ingresso, formação e crescimento profissional para mulheres em diferentes áreas da mineração.
A presença feminina pode envolver funções técnicas, administrativas, científicas, operacionais e de gestão. Para ampliar essa participação, iniciativas de qualificação, processos seletivos inclusivos e oportunidades de desenvolvimento de carreira podem contribuir para tornar o ambiente profissional mais diversificado.
A divulgação de dados sobre o perfil dos trabalhadores também permite acompanhar a evolução da participação feminina e identificar desafios relacionados à igualdade de oportunidades no mercado de trabalho mineral.
Parauapebas, Nova Lima e Congonhas se destacam
A distribuição geográfica dos empregos demonstra a importância de municípios com forte presença da atividade mineral.
Entre as cidades com maior número de trabalhadores em atividades relacionadas aos minerais críticos e estratégicos estão Parauapebas, no Pará, com 8.234 empregos; Nova Lima, em Minas Gerais, com 8.218; e Congonhas, também em Minas Gerais, com 7.114 postos.
Os dados reforçam o peso da mineração para a economia de determinadas regiões brasileiras, onde a atividade pode influenciar a geração de renda, a prestação de serviços e o funcionamento de cadeias produtivas associadas à extração mineral.
Em municípios com forte presença do setor, os efeitos econômicos podem alcançar segmentos como transporte, manutenção de equipamentos, alimentação, hospedagem, comércio e prestação de serviços especializados.
Ao mesmo tempo, a concentração da atividade mineral exige planejamento para que os benefícios econômicos sejam acompanhados de investimentos em infraestrutura, qualificação profissional e desenvolvimento de outras atividades produtivas.
A diversificação econômica é especialmente importante para localidades que dependem fortemente da mineração, uma vez que os resultados do setor podem variar conforme os preços internacionais, a demanda por matérias-primas e as condições de produção.
O que são minerais críticos e estratégicos?
Os minerais críticos e estratégicos ganharam espaço nas discussões econômicas internacionais por sua importância para a indústria, a segurança do abastecimento e o desenvolvimento de novas tecnologias.
De forma geral, são considerados críticos os minerais cujo fornecimento está sujeito a riscos que podem comprometer setores essenciais da economia. Já os estratégicos são aqueles considerados importantes para o desenvolvimento tecnológico e regional, para a balança comercial ou para a redução das emissões de gases de efeito estufa.
Entre os exemplos de minerais utilizados em tecnologias modernas estão lítio, níquel, cobalto, grafita, manganês e cobre. Esses materiais possuem aplicações em diferentes etapas da produção industrial.
Lítio, níquel, cobalto e grafita, por exemplo, podem ser empregados na fabricação de baterias de íon-lítio. O cobre é fundamental para sistemas elétricos e equipamentos, enquanto determinados elementos conhecidos como terras raras são utilizados em componentes de alta tecnologia, incluindo aplicações relacionadas a motores e equipamentos eletrônicos.
Essas matérias-primas também podem ser importantes para a expansão de fontes de energia renovável, sistemas de armazenamento de eletricidade, redes de comunicação e tecnologias de defesa.
O Brasil possui recursos minerais relevantes, mas transformar esse potencial em desenvolvimento econômico depende de fatores como pesquisa, investimentos, infraestrutura, inovação e capacidade de agregar valor à produção.
Nova política nacional busca ampliar o valor agregado
Em setembro de 2026, o governo federal sancionou a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, após um período de discussões. A iniciativa estabelece diretrizes para diferentes etapas da cadeia mineral, incluindo pesquisa, lavra, beneficiamento, transformação mineral e mineração urbana.
Um dos objetivos da política é fortalecer a atuação nacional em um segmento considerado importante para a economia e para o desenvolvimento tecnológico.
O país ainda não possui uma lista oficial definitiva dos minerais classificados como críticos e estratégicos. A definição ficará sob responsabilidade do Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE), criado no âmbito da política.
A iniciativa também prevê instrumentos voltados ao financiamento, à industrialização e ao desenvolvimento de conhecimento especializado. Entre eles estão o Fundo Garantidor da Atividade Mineral, o Programa Federal de Beneficiamento e Transformação de Minerais Críticos e Estratégicos, o Certificado Mineral de Baixo Carbono, um cadastro nacional de projetos e uma rede de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e formação profissional.
Essas medidas buscam estimular não apenas a extração dos recursos, mas também o beneficiamento e a transformação industrial no território brasileiro.
A agregação de valor é considerada uma etapa importante porque pode ampliar a participação da indústria nacional nas cadeias produtivas, estimular investimentos e criar oportunidades de trabalho em atividades que exigem maior especialização.
Desafio é transformar recursos minerais em desenvolvimento
Os números divulgados pela ANM mostram que os minerais críticos e estratégicos já representam uma parcela expressiva do emprego na indústria extrativa mineral brasileira. Com 129,4 mil postos de trabalho em 2025, o segmento tem participação relevante na economia e reúne profissionais de diferentes níveis de escolaridade.
O desafio, daqui para frente, será transformar a disponibilidade de recursos minerais em benefícios duradouros para o país. Isso envolve ampliar a qualificação profissional, incentivar a pesquisa, fortalecer a indústria de transformação e conciliar o crescimento econômico com a responsabilidade ambiental.
A participação das mulheres, a distribuição regional das oportunidades e a valorização dos trabalhadores também são questões importantes para que os resultados do setor alcancem um número maior de pessoas.
Com a nova política nacional e a divulgação de informações mais detalhadas sobre o mercado de trabalho, o Brasil passa a contar com instrumentos adicionais para acompanhar a evolução desse segmento estratégico.
A capacidade de investir em tecnologia, desenvolver cadeias produtivas nacionais e preparar profissionais poderá influenciar o papel brasileiro no mercado global de minerais, em um momento no qual a demanda por matérias-primas essenciais à indústria e à transição energética permanece no centro das decisões econômicas.















