Aos 25 anos, Marco Choi acreditava estar vivendo uma fase saudável da juventude. Frequentava a academia, mantinha uma rotina social ativa e não imaginava que alguns sinais aparentemente comuns poderiam estar relacionados a uma doença grave. O jovem britânico começou a perceber alterações no próprio corpo, mas inicialmente atribuiu os sintomas ao uso de suplementos de ferro e à prática de atividades físicas. A descoberta do câncer, no entanto, mudou completamente sua vida.
Marco notou que suas fezes estavam mais escuras e imaginou que a alteração fosse consequência dos suplementos de ferro que utilizava. Em seguida, começou a sentir dores musculares e episódios de suor frio. Como treinava regularmente, acreditou que o desconforto estivesse relacionado ao esforço físico e à rotina na academia.
A situação se tornou mais preocupante em dezembro de 2023, quando ele desmaiou durante o expediente de trabalho. O episódio levou à realização de exames médicos, que revelaram um diagnóstico inesperado: linfoma difuso de grandes células B, um tipo agressivo de linfoma não Hodgkin.
Até então, Marco se considerava uma pessoa saudável e não imaginava que pudesse enfrentar uma doença tão séria ainda tão jovem. A notícia provocou um impacto emocional profundo, especialmente porque seus planos estavam concentrados em aproveitar a juventude, encontrar os amigos e construir o próprio futuro.
Diagnóstico mudou completamente a rotina do jovem
Em entrevista ao jornal britânico The Sun, Marco contou que recebeu a notícia do câncer com dificuldade para compreender o que estava acontecendo. Segundo ele, a sensação inicial foi de estar vivendo uma situação irreal.
A ficha começou a cair durante o caminho de volta para casa. No ônibus, o jovem percebeu que precisaria contar à mãe sobre o diagnóstico, uma conversa que marcou o início de uma nova etapa em sua vida.
Antes da descoberta, Marco costumava sair com os amigos e frequentar festas. Ele também mantinha uma rotina de exercícios e não associava os sintomas a uma possível doença grave.
A experiência mostrou como algumas manifestações do organismo podem ser interpretadas de maneira equivocada, especialmente quando parecem ter uma explicação simples. No caso dele, a alteração nas fezes foi associada ao suplemento de ferro, enquanto as dores musculares foram relacionadas aos treinos.
O episódio também reforça a importância de procurar avaliação médica quando sintomas persistem, se intensificam ou aparecem acompanhados de outras alterações no organismo.
O que é o linfoma difuso de grandes células B?
O linfoma difuso de grandes células B é um tipo de câncer que se desenvolve no sistema linfático, parte fundamental do sistema imunológico responsável pela defesa do organismo.
A doença é classificada como um linfoma não Hodgkin e costuma apresentar crescimento rápido. Ela se origina nos linfócitos B, células que participam da produção de anticorpos e da proteção contra infecções.
Entre os sinais que podem aparecer estão o aumento de gânglios, geralmente percebido como caroços no pescoço, nas axilas ou na região da virilha, febre sem causa aparente, suor noturno intenso, perda de peso inexplicada e cansaço persistente.
Dependendo da região afetada, também podem surgir dores, sensação de pressão ou outros sintomas. Entretanto, essas manifestações não são exclusivas do linfoma e podem estar relacionadas a diferentes condições de saúde.
O diagnóstico depende de avaliação médica e exames específicos. A biópsia de um tecido suspeito costuma ser fundamental para identificar o tipo de linfoma, enquanto exames de imagem e laboratoriais ajudam a avaliar a extensão da doença.
Embora seja considerado agressivo, o linfoma difuso de grandes células B pode responder ao tratamento. As possibilidades terapêuticas variam conforme as características da doença e as condições clínicas de cada paciente.
Câncer entrou em remissão, mas voltou a atingir o jovem
Após receber o diagnóstico, Marco iniciou o tratamento contra o câncer e passou por seis ciclos de quimioterapia. Em julho de 2024, os resultados indicavam que a doença havia entrado em remissão, trazendo esperança de que a fase mais difícil estivesse chegando ao fim.
A melhora, porém, durou pouco. No mês seguinte, em agosto de 2024, o jovem sofreu uma convulsão enquanto estava na academia. O episódio levou a uma nova investigação médica, que identificou um tumor no cérebro.
Os exames apontaram que o câncer havia atingido o sistema nervoso central. Marco recebeu o diagnóstico de linfoma secundário do sistema nervoso central, uma complicação que ocorre quando células do linfoma alcançam estruturas como o cérebro, as meninges ou a medula espinhal.
A notícia representou um novo golpe para o jovem, que acreditava ter superado a doença poucas semanas antes. A partir daquele momento, foi necessário enfrentar outra etapa de tratamento, com procedimentos mais intensivos.
Tratamento incluiu quimioterapia, transplante e radioterapia
Diante da progressão da doença para o sistema nervoso central, Marco passou por novas sessões de quimioterapia. O tratamento também incluiu um transplante autólogo de células-tronco hematopoéticas e radioterapia.
No transplante autólogo, as células-tronco utilizadas são coletadas do próprio paciente, armazenadas e posteriormente devolvidas ao organismo. O procedimento pode ser indicado em determinadas situações para permitir a recuperação da produção de células sanguíneas após tratamentos intensivos.
A estratégia terapêutica depende de diversos fatores, como a resposta às medicações, a localização da doença e o estado geral do paciente. Por isso, o tratamento realizado por Marco não deve ser interpretado como uma recomendação aplicável a todos os casos de linfoma.
O jovem precisou enfrentar novamente os efeitos físicos e emocionais de uma rotina marcada por hospitais, exames e períodos de recuperação. Mesmo diante das dificuldades, continuou seguindo as orientações da equipe médica.
No verão de 2025, ele recebeu uma notícia aguardada: o câncer estava novamente em remissão.
Segunda remissão trouxe esperança de recomeço
Ao falar sobre a recuperação, Marco demonstrou alívio e esperança. Ele contou que, depois da primeira remissão, acreditava que o processo havia sido relativamente rápido. Na segunda vez, a sensação foi diferente, como se finalmente pudesse considerar encerrada uma etapa extremamente difícil.
O jovem afirmou que não deseja enfrentar uma terceira experiência com a doença. A declaração resume o impacto de passar por dois momentos de remissão após tratamentos intensos em um intervalo relativamente curto.
A remissão significa que os exames não identificam sinais da doença dentro dos critérios utilizados pela equipe médica. Isso não deve ser confundido automaticamente com uma garantia definitiva de cura. Por esse motivo, o acompanhamento médico permanece importante, mesmo quando os resultados são favoráveis.
Para pessoas que enfrentam o câncer, o período posterior ao tratamento também pode envolver desafios emocionais, necessidade de acompanhamento contínuo e adaptação à rotina.
Jovem transformou experiência em alerta sobre saúde
Depois de enfrentar a doença duas vezes, Marco passou a utilizar sua história para conscientizar outras pessoas. Ele se tornou embaixador de uma organização não governamental e começou a compartilhar sua experiência, com o objetivo de mostrar que o câncer também pode atingir pessoas jovens e aparentemente saudáveis.
A iniciativa busca chamar a atenção para sintomas que muitas vezes são minimizados ou atribuídos automaticamente a fatores cotidianos. O relato de Marco mostra como alterações no corpo podem passar despercebidas quando existe uma explicação aparentemente simples.
Isso não significa que toda mudança nas fezes, dor muscular ou episódio de suor frio indique câncer. O uso de suplementos de ferro, por exemplo, pode escurecer as fezes. Ainda assim, alterações persistentes, sinais associados ou sintomas intensos precisam ser avaliados por profissionais de saúde.
Fezes muito escuras, com aspecto semelhante a piche, especialmente quando acompanhadas de fraqueza, tontura ou desmaio, também podem indicar sangramento no sistema digestivo e exigem atendimento médico imediato.
A história de Marco Choi é um lembrete de que cuidar da saúde envolve prestar atenção aos sinais do organismo e não adiar a procura por ajuda quando algo parece fora do habitual.
Aos 25 anos, ele precisou interromper planos, enfrentar tratamentos difíceis e conviver com a incerteza de um diagnóstico grave. Agora, ao compartilhar sua trajetória, busca transformar uma experiência dolorosa em informação e incentivo para que outras pessoas valorizem a própria saúde.
Seu relato reforça uma mensagem importante: ninguém deve ignorar sintomas persistentes ou tentar estabelecer um diagnóstico sozinho. A avaliação precoce pode fazer diferença na identificação de doenças e no início do tratamento adequado.
















