Dados do IBGE revelam diferenças expressivas de remuneração por setor, escolaridade, gênero e região do país.
Parte dos setores que mais empregam trabalhadores no Brasil também está entre aqueles que apresentam os menores salários médios do país. O dado faz parte do relatório de Estatísticas do Cadastro Central de Empresas (CEMPRE), divulgado nesta quinta-feira (24) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base em informações de 2024.
O levantamento analisou 20 atividades econômicas e revelou que os 10 setores que mais concentram empregos formais no país somam mais de 48,9 milhões de trabalhadores assalariados, o que representa mais de 90% do total de vínculos empregatícios no Brasil.
Apesar da grande participação no mercado de trabalho, pelo menos seis desses setores registram remuneração média inferior à média nacional, que atualmente é de R$ 3.932,45.
Desigualdade entre volume de empregos e renda
Segundo o estudo, essa diferença evidencia um cenário em que atividades essenciais para a economia e com grande capacidade de geração de vagas não necessariamente oferecem os melhores salários.
Setores como comércio, serviços e atividades operacionais, que concentram grande parte dos trabalhadores brasileiros, aparecem entre os que apresentam menor remuneração média, enquanto áreas mais especializadas tendem a oferecer salários mais elevados, ainda que empreguem menos pessoas.
O resultado reforça um padrão já observado em levantamentos anteriores: a estrutura do mercado de trabalho brasileiro é marcada por forte concentração de empregos em setores de baixa e média remuneração.
Impacto no mercado de trabalho
Para especialistas, esse cenário ajuda a explicar parte das desigualdades de renda no país, mesmo em um contexto de crescimento da formalização do emprego e da recuperação de postos de trabalho nos últimos anos.
O relatório também aponta que, embora os setores de maior empregabilidade sejam fundamentais para sustentar a economia e garantir ocupação para milhões de brasileiros, eles ainda enfrentam desafios relacionados à produtividade, qualificação profissional e valorização salarial.
Panorama geral
Os dados do CEMPRE mostram um retrato importante da economia brasileira: enquanto poucos setores concentram salários mais altos, a maior parte dos trabalhadores está distribuída em atividades com remuneração abaixo da média nacional.
O estudo do IBGE deve servir de base para análises sobre políticas públicas de qualificação profissional, geração de renda e redução das desigualdades no mercado de trabalho.
O levantamento completo está disponível nas bases oficiais do instituto.
















